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Medalha Chico Mendes |

 
- 2 de agosto de 2013

MST: os seis ex-presos políticos de Boituva/SP (Valquimar Reis Fernandes, Benedito Ismael Alves Cardoso, Elvis Vieira Ferreira Lima, Edmar Pereira dos Santos, Odair Moisés da Rosa e Rosalvo de Oliveira)

Se um ET apontasse sua luneta para o Brasil e observasse o que acontece no campo, entenderia que a espécie humana planta e colhe seus alimentos da Terra, mas concluiria que o povo é impedido de plantar porque algum tirano o persegue implacavelmente. Pensaria o ET que esse déspota mal esclarecido, que faz e desfaz a vida da população brasileira, prefere que os alimentos custem caro e que sejam importados, e prefere que os homens, as mulheres e as suas crias deixem o campo e se amontoem na pobreza das cidades, em meio à fome e à violência, ao invés de ocuparem terras largadas ao léu onde poderiam, solidariamente, fazer brotar do chão a comida que lhes dá vida.

Nós, ao contrário do estarrecido ET, sabemos que o MST é o movimento político mais vigoroso e fecundo do Brasil. E como o Governo Federal não quer fazer a reforma agrária, passou a intensificar a sua ação repressiva contra os militantes. Em recente manifesto em apoio ao MST, denunciou-se que só no ano passado 10 dos seus integrantes foram assassinados, enquanto processos criminais foram abertos contra 180 líderes do movimento.

Dentre os atos repressivos contra os Sem Terra estava a prisão de seis militantes, condenados a pena de oito anos de reclusão por crime de dano a um posto de pedágio em rodovia paulista, sem que qualquer prova de que tenham cometido esse crime fosse apresentada.

Valquimar Reis Fernandes, Benedito Ismael Alves Cardoso, Elvis Vieira Ferreira Lima, Edmar Pereira dos Santos, Odair Moisés da Rosa e Rosalino de Oliveira ficaram mais de um ano detidos em regime fechado, em quatro presídios de diferentes cidades.

A distância, o isolamento, a restrição ao acesso das visitas, a hedionda violência que permeia a vida nas prisões, nada impediu que os seis prisioneiros, nas sombras infernais das suas celas, fizessem a carta de coragem cristalina para afirmar que a solidariedade dos companheiros era o que lhes dava força e os mantinha firmes e dispostos a lutar, que enquanto houvesse luta manteriam acesa a chama da esperança que alimentava suas vidas, e nos exortavam a falar em seu nome por todos os excluídos da cidade e do campo.

Ao tempo em que os seis prisioneiros demonstravam a elevada dignidade do seu caráter político ao escrever em exortação à justiça, Brasília superava-se em desfaçatez e condenava à miséria 250.000 famílias de lavradores já assentados, ou seja, mais de um milhão de brasileiros, ao recusar-lhes, em tempo hábil, o indispensável crédito referente à safra do biênio. Em razão da má-fé dos governantes, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, o Conselho Nacional das Igrejas Cristãs e a Ordem dos Advogados do Brasil retiraram-se da mesa de negociações.

O heroísmo de Valquimar, Benedito, Elvis, Edmar, Odair e Rosalino revigora o nosso repúdio à política genocida, entreguista, anti popular de Brasília. E nos traz a certeira esperança de que o direito à terra será finalmente conquistado.

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