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Dossiês de Mortos e Desaparecidos Políticos

Triste memória a de um povo que tem que lembrar dos que morreram ou desapareceram sob o jugo de torturadores não confessos, não publicizados, não responsabilizados!

 

Cecília Coimbra e Flora Abreu consultando dossiês no Arquivo Público do Rio de Janeiro

 

> Militantes políticos Mortos

1964

Presidente das Ligas Camponesas de Vitória de Santo Antão, em Pernambuco. Desapareceu após o golpe militar de 64. Logo depois seu corpo foi encontrado em estado de putrefação, nas matas do Engenho São José.

Em nota oficial da Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco, foi dado a conhecimento público que Albertino havia se suicidado por envenenamento, não havendo qualquer indício que pudesse comprovar tal fato.

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Coronel Aviador.

Fuzilado, no dia 4 de abril de 1964, na Base Aérea de Canoas, Rio Grande do Sul.

A perícia médica constatou que foi assassinado pelas costas por uma rajada de metralhadora, tendo sido encontrados 16 projéteis em seu corpo.

Com base nessa perícia e nos depoimentos de vários oficiais que presenciaram o assassinato, a família moveu um processo incriminando o principal responsável e autor dos disparos, o então Cel. Roberto Hipólito da Costa que, apesar das inúmeras evidências, foi absolvido.

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Morto, em 01 de abril de 1964, em escaramuças de rua, quando populares tentavam se opor ao golpe militar, no Rio de Janeiro, próximo ao Largo do CACO, na Faculdade Nacional de Direito (UFRJ). Foram cercados pelo CCC que atirou bombas e metralhou o prédio. Dois populares que se encontravam nas proximidades foram baleados.

Ari foi levado ao Hospital Souza Aguiar, onde veio a falecer. Seu corpo deu entrada no IML/RJ em 02 de abril de 1964, com a Guia n° 137.

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Dirigente Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Portuário de Manaus e tesoureiro da Federação Nacional dos Estivadores.

Torturado e morto pelos agentes de segurança do Rio de Janeiro, segundo denúncia do livro “Torturas e Torturados”, de Márcio Moreira Alves.

A versão oficial divulgada pelos órgãos de segurança no dia 14 de abril de 1964, indicou suicídio.

O corpo de Astrogildo entrou no IML/RJ em 08 de abril de 1964 com a Guia n° 69, da 21ª D.P., que dava como causa mortis “queda”.

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2º Sargento, servindo no 19º RI de São Leopoldo, Rio Grande do Sul.

Assassinado em 14 de abril de 1964, segundo denúncia do livro “Torturas e Torturados”, de Márcio Moreira Alves.

A versão oficial indicou suicídio com um tiro no crânio, após Bernardino ter ferido 4 militares que procuravam prendê-lo.

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Militante do Partido Comunista do Brasileiro (PCB).

Filho de Leopoldo Schirmer e de Maria Benedita da Costa Schirmer nasceu em A1ém Paraíba, Minas Gerais, no dia 30 de março de 1896.

Seu pai era austríaco, nascido em Viena, e veio para o Brasil a convite do Imperador D. Pedro II, como engenheiro, para trabalhar na construção da primeira estrada de ferro brasileira – a Estrada de Ferro Baturité.

Parte de sua infância e adolescência, viveu no interior de São Paulo, onde seu pai possuía uma fazenda de café. Terminado o Ciclo do Café, a família perdeu todos os bens que possuía, transferindo-se para o Rio de Janeiro.

Pouco tempo depois, seu pai faleceu na cidade mineira de Paracatu, trabalhando na construção de outra estrada de ferro.

No Rio de Janeiro trabalhou na Casa Mayrink Veiga: de dia era eletricista e à noite, ascensorista. Como técnico em eletricidade, especializou-se na montagem de usinas hidrelétricas. Algumas das quais funcionam até hoje – Usina de Cajuru, do Camarão, em Itapecerica, outra em Teófilo Otoni. A maioria delas foi encampada pela Companhia Energética de Minas Gerais - CEMIG.

Por volta de 1920, ainda solteiro, filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro - PCB, permanecendo fiel ao Partido e a sua ideologia até a morte.

Mudou-se, em 1921, para Divinópolis onde viveu até 1° de maio de 1964, quando foi preso pelas forças da repressão.

Casou-se em 1928, em primeiras núpcias, com Maria de Lourdes Guimarães com quem teve um filho – Luiz Carlos, em homenagem a Luis Carlos Prestes.

Sua esposa faleceu em 1932, casando-se novamente em 1933, com Mariana de Carvalho Schirmer, com quem teve uma filha – Sílvia Schirmer.

Homem correto, íntegro, fino, educado e de gênio forte, amava, sobretudo, a família, as crianças e os animais.

Muito sensível, apreciava música clássica, valsas vienenses e música brasileira. Gostava muito de cantar.

Por sua militância, foi preso no dia 1º de maio de 1964 – Dia do Trabalho – em sua casa na Rua Serra do Cristal, n° 388, em Divinópolis.

Foi ferido e levado para o Hospital Felício Roxo, em Belo Horizonte, onde faleceu no mesmo dia, às 21:00 horas.

Sua casa foi devassada e vistoriada pelos policiais que foram prendê-lo. Alegaram que tinha um arsenal guardado em casa – uma espingarda Flaubert e um facão que usava para trabalhar no quintal.

A versão oficial indicou suicídio, em 5 de maio de 1964, em Belo Horizonte, para onde, fora transportado para ser operado, após resistir à prisão e ferir dois policiais.

Conforme denúncia do boletim de março de 1974 da Amnesty International e do livro “Torturas e Torturados”, de Márcio Moreira Alves, Carlos Schirmer foi torturado até a morte.

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MD_7 Nasceu em 09 de fevereiro de 1920, natural do Estado da Paraíba, casado com Natália de Oliveira Nascimento.

Integrante das Forças Expedicionárias Brasileiras (FEB), embarcou para a Itália no dia 20 de setembro de 1944, participando da Batalha de Monte Castelo, durante a 2ª Guerra Mundial, retornando ao Brasil em 8 de maio de 1945.

Fez o curso de Economia no Rio de Janeiro e trabalhou na área de pesquisas.

Ex-diretor da Divisão de Material do Ministério da Justiça, preso para responder a um Inquérito Policial Militar (IPM) presidido pelo Cel. Waldemar Turola. Foi morto num sábado, dia 15 de agosto, no intervalo do interrogatório a que estava sendo submetido no 4° andar do próprio prédio do Ministério da Justiça.

O corpo de Dilermano entrou no IML/RJ pela Guia n° 29, da 3ª D.P. O Registro de Ocorrência n° 2046 informa: “... houve comunicação que às 9:20 horas, um homem havia se atirado pela janela do 4° andar do Ministério da Justiça, caindo no pátio interno, morrendo imediatamente. Tratava-se de Dilermano Mello do Nascimento que, desde o dia 12 último, vinha, na sala n° 05, do Serviço de Administração do dito Ministério, prestando declarações em inquéritos administrativo-policiais, presididos pelo Comandante da Marinha de Guerra, José de Macedo Corrêa Pinto e pelo Coronel do Exército, Waldemar Raul Turola. Hoje, quando aguardava prosseguimento do inquérito, Dilermano trancou-se na dita sala, cuja maçaneta apresentava defeito e, em seguida, projetou-se por uma janela. Com o morto, dentre outros pertences, havia um bilhete em que se lê: ‘15/08/64. Basta de tortura mental e desmoralização’, com assinatura ilegível”.

O exame necroscópico de Dilermano feito no IML/RJ, foi firmado pelos Drs. Cyríaco Bernardino Pereira de Almeida Brandão e Mário Martins Rodrigues e confirma que houve suicídio, dando como causa mortis esmagamento do crâneo. O corpo de Dilermano foi retirado do IML por seu irmão, Paulo Mello do Nascimento, em 15 de agosto de 1964, sendo sepultado por sua família no Cemitério São João Batista.

A viúva, D. Natália de Oliveira Nascimento, colocou em dúvida a versão policial (Diário de Notícias - RJ 11/11/64). Segundo ela, até mesmo o bilhete seria falsificado.

O laudo pericial concluiu, por exclusão de provas, que ele foi induzido a saltar da janela do 4° andar, após longo interrogatório, dirigido pelo Capitão de Mar e Guerra Correia Pinto. O laudo, elaborado pelo perito Cosme Sá Antunes, revelou que não houve nenhum elemento que pudesse fundamentar o suicídio. Nem mesmo foram encontradas as marcas no parapeito da janela, de onde saltou a vítima, o que não ocorre em casos de suicídio puro e simples.

Jorge Thadeu Melo do Nascimento, filho de Dilermano, em 03 de janeiro de 1995, prestou depoimento ao GTNM/RJ, declarando que, no dia 14 de agosto de 1964, às 20 horas, quando tinha 15 anos de idade, dois militares à paisana foram a sua casa, convidando-o para visitar seu pai que se encontrava preso desde o dia 12 de agosto.

Ao chegar lá, o Capitão de Mar e Guerra Correia Pinto o obrigou a sentar e não o deixou ver seu pai, ameaçando-o: “Se seu pai não confessar, não sairá vivo daqui.” E se ele não confessar, quem vai pagar por tudo é a família.”

Essas ameaças – ao que lhe pareceu – foram dirigidas a seu pai, que deveria estar ouvindo e sabendo da presença do filho. No dia seguinte, 15 de agosto de 1964, às 9:30 h da manhã, soube que seu pai estava morto.
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Estudante secundarista. Morto a tiros em manifestação de rua contra o golpe militar, em 1° de abril de 1964, em Recife, Pernambuco, conforme denúncia do livro “O caso eu conto como o caso foi”, de Paulo Cavalcanti.

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Estudante secundarista. Morto a tiros em manifestação de rua contra o golpe militar, em 1° de abril de 1964, em Recife, Pernambuco, conforme denúncia do livro “O caso eu conto como o caso foi”, de Paulo Cavalcanti.

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Mecânico e ferroviário, era membro do Sindicato dos Ferroviários do Rio de Janeiro.

Preso no dia 8 de abril de 1964, para averiguações sobre suas atividades no Sindicato. No dia 17 de abril, às 5:00 horas, após intensos interrogatórios, foi divulgada nota oficial, onde dizia que José havia se suicidado, atirando-se pela janela do 3° andar do prédio da Polícia Central do Rio de Janeiro.

O corpo de José entrou no IML no mesmo dia de sua morte, com a Guia n° 30, da 5ª D.P. com a seguinte informação: “atirou-se da janela da sala do Serviço de Atividades Anti-Democráticas do DOPS.” (sic)

A necrópsia foi feita pelos Drs. Vicente Fernandes Lopes e Elias Freitas que confirmaram a versão de suicídio, com esmagamento do crâneo. Seu corpo foi retirado por seu primo, Edson Campos, sendo enterrado pela família, em 18 de abril de 1964.

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Morto a tiros, em 01 de abril de 1964 pelo CCC, no Largo do CACO, ao lado da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ, onde estavam concentrados cerca de 800 estudantes.

Foi levado para o Hospital Souza Aguiar, onde morreu. Seu corpo entrou no IML no dia 02 de abril de 1964, com a Guia n° 38, de onde foi retirado e sepultado pela família.

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2° Sargento do Exército.

Conforme denúncia do livro “Torturas e Torturados”, de Márcio Moreira Alves, Manuel foi preso no Regimento Andrade Neves, onde respondia a um Iinquérito Policial Militar, em abril de 1964. Posteriormente foi removido para o Hospital Central do Exército (HCE) do Rio de Janeiro. Faleceu em 8 maio, em circunstâncias não esclarecidas. O laudo necroscópico feito no IML/RJ confirmou que seu corpo deu entrada no dia 08 de maio de 1964, procedente do Hospital Central do Exército (HCE).

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3º Sargento do Exército.

Na madrugada de 13 de abril de 1964, Edu Barreto Leite deu entrada no Hospital Souza Aguiar, no Rio de Janeiro, com várias fraturas e escoriações. Os policiais que o escoltavam alegavam que tais ferimentos eram em conseqüência de uma queda do 8º andar do prédio em que morava, quando de sua tentativa de fuga ao resistir à prisão, que o teriam levado à morte.

Seu corpo entrou no IML/RJ com a Guia n° 154 do Hospital Souza Aguiar, sendo posteriormente retirado e enterrado por sua família.

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