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Dossiês | brasil

Dossiês de Mortos e Desaparecidos Políticos

Triste memória a de um povo que tem que lembrar dos que morreram ou desapareceram sob o jugo de torturadores não confessos, não publicizados, não responsabilizados!

 

Cecília Coimbra e Flora Abreu consultando dossiês no Arquivo Público do Rio de Janeiro

 

> Desaparecidos Brasil

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em Ponte Nova, Minas Gerais, no dia 18 de dezembo de 1945, filho de Adriano Fonseca, e de Zely Eustáquio Fonseca.

Desaparecido em 28 ou 29 de novembro de 1973.

Era o segundo de cinco irmãos de uma família presbiteriana.

Fez o curso primário numa escola particular em Ponte Nova e, aos 10 anos, transferiu-se para o Colégio Batista, em Belo Horizonte, para fazer o curso ginasial como aluno interno. Posteriormente, mudou-se para Lavras, onde fez o curso científico, no Instituto Gammon, também em regime de internato. Muito ligado à música, Adriano estudava e tocava piano desde os 5 anos. Aos 17 anos terminou o curso científico em Lavras, transferindo-se, então, para o Rio de Janeiro. Aluno brilhante do curso primário ao científico, tirava sempre os primeiros lugares nas escolas por onde passou.

No período em que estudou fora, Adriano só passava, em casa, as férias. Depois que se mudou para o Rio, suas idas ficaram mais escassas. Escrevia, raramente, para a mãe. Os irmãos acreditavam que ele desenvolvesse alguma ação política pois, apesar de serem mais novos, tinham conhecimento da luta de oposição ao regime. Como gostava muito de ler e estudava Filosofia, quando ia a Ponte Nova, levava livros para os irmãos e os orientava.

Pouco depois da morte de Edson Luís de Lima Souto, no Restaurante do Calabouço em 1968, Adriano foi para Ponte Nova onde ficou por 6 meses com a família.

Nos períodos de férias que passava em Ponte Nova, estreitava sua amizade com o compositor e cantor João Bosco. Adriano era também muito ligado às artes plásticas, gostava de pintar e, principalmente, de fazer gravuras. Era um homem muito atraente, fino e elegante. Era muito alto, medindo 1,96 m e foi jogador de basquete, em Ponte Nova.

Deve ter ido para o Rio de Janeiro por volta de 1967/1968, indo morar num apartamento em lpanema, a “república” dos intelectuais, escritores e artistas. Trabalhou no Superior Tribunal Eleitoral e se dedicou ao teatro, encenando e escrevendo peças teatrais. Uma das peças em que atuou – como ator – foi encenada no Teatro Tereza Rachel, na Praça Cardeal Arcoverde. Adriano estudou no cursinho pré-vestibular do Centro Acadêmico “Edson Luís”, em 1968 e, nesse período, iniciou sua participação no movimento estudantil na luta por aumento de vagas nas Universidades. É importante destacar que o Centro Acadêmico “Edson Luís” – CAEL – foi fundado em 1968 e criado por ocasião do desmembramento da Faculdade Nacional de Filosofia – FNFI, com a criação do lnstituto de Filosofia e Ciências Sociais – IFCS.

Adriano foi aprovado no vestibular no final de 1968, iniciando o curso de Filosofia em 1969. Ainda no primeiro semestre de 1969, começou sua militância política no Partido Comunista do Brasil – PC do B. Participou ativamente do movimento estudantil e, após a edição do Ato Institucional N° 5, com a intensificação da repressão, foi obrigado a entrar, em 1970, para a clandestinidade. Nesse período, foi morar num sótão, em um prédio antigo, no Leblon, com Ronald de Oliveira Rocha, seu companheiro de organização. Aí viveu durante um ano e meio. Segundo depoimento de Ronald e Myriam, que foram muito ligados a Adriano, ele era uma pessoa muito meiga, educada e amiga. Pessoa combativa que se atirava por inteiro no que acreditava. Adriano era um idealista, um humanista e sua dedicação ao Partido vinha de um vínculo profundo com a luta popular e os ideais revolucionários.

Gostava muito de música popular brasileira, jazz, música erudita e, principalmente, dos Beatles. Jogava xadrez, lia muito, gostando mais de literatura e teatro do que de livros teóricos – mesmo os de Filosofia que eram de sua área. Como bom mineiro, adorava uma goiabada!

No final de 1970, início de 1971, participou da Comissão Organizadora da Juventude Patriótica, movimento de frente única de jovens, criado sob a iniciativa do PC do B. Já, nessa época, abandonou o emprego por questões de segurança e por já estar vivendo como clandestino. Foi então que se colocou à disposição do PC do B para fazer um trabalho esp

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Militante da Ação Libertadora Nacional (ALN).

Nasceu no dia 12 de janeiro de 1942, em São Paulo, filha de Majer Kucinski e de Ester Kucinski.

Esposa de Wilson Silva, ambos desaparecidos desde o dia 22 de abril de 1974. Tinha 32 anos de idade.

Professora universitária no Instituto de Química da Universidade de São Paulo.

A família de Ana Rosa e Wilson impetrou vários habeas-corpus na tentativa de localizá-los, todos eles prejudicados pela resposta de que nenhum dos dois se encontrava preso.

Nas pesquisas feitas pelos familiares aos arquivos do antigo DOPS/SP apenas uma ficha foi encontrada onde se lê: “presa no dia 22 de abril de 1974 em SP”.

O Relatório do Ministério da Marinha faz referências caluniosas a Ana Rosa.

Trechos de depoimento de seu irmão, Bernardo Kucinsky:

“Minha irmã, Ana Rosa Kucinski, e meu cunhado, Wilson Silva, foram presos e desaparecidos em São Paulo, na tarde de 22 de abril de 1974. Nesse dia, Wilson Silva e seu colega de trabalho Osmar Miranda Dias foram fazer um trabalho de rotina, saindo do escritório da Av. Paulista para o centro da cidade, um pouco antes da hora do almoço, após o que Wilson se separou de Osmar dizendo que iria se encontrar com sua esposa Ana Rosa, na Praça da República. A partir desta tarde, nunca mais foram vistos. A família tomou conhecimento, através de colegas, da ausência de Ana Rosa na Universidade e, de imediato, passou a tomar providências no sentido de localizar o casal.

Impetrou-se Habeas Corpus, através do advogado Aldo Lins e Silva, sem nenhum resultado. No dia 10 de dezembro de 1974, foi enviado pedido de investigação à Comissão de Direitos Humanos da OEA. Meses depois, a família recebeu resposta da OEA, onde esta afirmava que, consultado, o Governo Brasileiro declinava qualquer responsabilidade no episódio.

O general Golberi do Couto e Silva chegou a reconhecer, em dezembro de 1974, que Ana Rosa se encontrava presa numa instituição da Aeronáutica.

O governo americano – por meio do Departamento de Estado – encaminhou informações à família de que Ana Rosa ainda estaria viva, presa em local não sabido e que Wilson Silva, provavelmente estaria morto.

As famílias dos desaparecidos políticos estiveram com o General Golberi do Couto e Silva em Brasília, em audiência solicitada por D. Paulo Evaristo Arns. Dias depois, o Ministro de Justiça, Armando Falcão, em nota oficial, informou sobre os ‘desaparecidos políticos’ e incluiu na lista nomes de pessoas que jamais foram tidas como desaparecidas. Em relação a Ana Rosa e Wilson Silva, a nota do Ministério alegava que eram ‘terroristas’ e estavam ‘foragidos’.

Amílcar Lobo, o médico psiquiatra envolvido com torturas no Rio de Janeiro, e que resolveu denunciar os assassinatos políticos, em uma entrevista comigo, quando lhe mostrei fotos de minha irmã e seu marido, este reconheceu as fotos de Wilson Silva como sendo uma pessoa que ele atendera após uma seção de torturas. Quanto a Ana Rosa, entretanto, o reconhecimento foi positivo, mas não categórico.”

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Desaparecido na Guerrilha do Araguaia.

De origem nordestina, vivia na Baixada Fluminense, onde trabalhava como alfaiate. Participou dos movimentos populares de 1961/62, em Duque de Caxias, contra a sonegação de gêneros alimentícios que culminaram com a invasão de supermercados e açougues, onde os produtos estavam sendo escondidos para alcançar maiores preços.

Em 1970 foi viver na localidade chamada Metade, no Araguaia, com outros companheiros. Era de gênio alegre e gostava de cantar músicas nordestinas.

Apesar de seu porte franzino, jamais recusou uma tarefa, por mais pesada ou difícil que fosse. Pertencia ao Descatamento A – Helenira Resende.

Foi visto pela última vez, conforme Relatório de Ângelo Arroyo, no dia 14 de janeiro de 1974, juntamente com Lúcio Petit e Antônio de Pádua Costa, na região da guerrilha do Araguaia.

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em 22 de agosto de 1944 em Ilhéus/BA, filho de Gerson da Silva Teixeira e Maria Luiza Monteiro Teixeira.

Desaparecido na Guerrilha do Araguaia.

Geólogo, formado pela UFBA. Casado com Dinalva Monteiro Teixeira, destacada guerrilheira e também desaparecida.

Teve grande participação no movimento estudantil nos anos 1967/1968. Em 1969, após contrair matrimônio com Dinalva, foram residir e trabalhar no Rio de Janeiro, no Ministério das Minas e Energia. Era membro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Em maio de 1970 foi, juntamente com Dina, para o Araguaia, indo viver na região de Caiano – DestacamentoC.

Segundo seus companheiros, foi ferido em combate no dia 21 de setembro de 1972, quando foram mortos Francisco Manoel Chaves e José Toledo de Oliveira. Foi levado preso para São Geraldo do Araguaia e torturado até a morte.

Estaria enterrado no cemitério de Xambioá.

O Relatório do Ministério da Marinha diz que “em dezembro de 1972 foi identificado, por fotografia, como sendo o prof. Antônio que lecionava, no período de junho a dezembro de 1971, na Escola dos Padres de São Félix, em Terra Nova no sopé da Serra do Roncador.”

Os relatórios dos três ministérios militares não fazem nenhuma referência à sua morte.

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Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN).

Nasceu em 19 de novembro de 1946, na cidade de Tiros/MG, filho de Ageu de Oliveira e Gláucia Maria Abadia de Oliveira.

Desaparecido aos 26 anos de idade, em 10 de maio de 1970, em São Paulo.

Fez o curso ginasial no Colégio Nilo Cairo. Estudante de Ciências Econômicas na Faculdade de Apucarana, era membro da União Paranaense de Estudantes. Junto com José Idésio Brianesi, também assassinado pela ditadura, produzia programas para a rádio local.

Foi indiciado no Processo 15/68 por sua participação no XXX Congresso da União Nacional de Estudantes (UNE) e no inquérito policial n° 9/72, dos quais foi excluído em decorrência de sua morte.

Segundo denúncia dos presos políticos de São Paulo, em documento datado de março de 1976, Antônio foi metralhado, juntamente com Alceri Maria Gomes da Silva no dia 10 de maio de 1970, em sua residência, no Tatuapé, São Paulo, por agentes da Operação Bandeirantes (OBAN), chefiada pelo Capitão Maurício Lopes de Lima.

Em 1991, seu nome foi encontrado no DOPS/PR, numa gaveta com a identificação: “falecidos”.

Foi enterrado como indigente no Cemitério de Vila Formosa/SP, no dia 21 de maio de 1970. Seu laudo necroscópico se refere a um único tiro no olho direito e é assinado pelos médicos legistas João Pagenoto e Abeylard Queiroz Orsini.

No dia 10 de dezembro de 1991, com a presença de seus familiares, a equipe de técnicos da UNICAMP, a Comissão Especial de Investigação das Ossadas de Perus e a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos, tentaram a exumação de seus restos mortais, que não foram encontrados. A quadra onde deveria estar enterrado Antônio e pelo menos outros 2 presos políticos da época (Alceri Maria Gomes da Silva, assassinada em São Paulo na mesma ocasião e Antônio Raimundo Lucena, assassinado em Atibaia no dia 20 de fevereiro de 1970), sofreu profundas alterações. Segundo sepultadores daquele Cemitério, em 1976, houve exumações no momento da alteração da quadra, e as ossadas foram jogadas em algum lugar do Cemitério.

No Relatório do Ministério da Aeronáutica consta que “faleceu em 17 de maio de 1970, em Taubaté/SP, quando uma equipe de segurança procurava averiguar a existência de um provável aparelho, o que resultou na sua morte”, insistindo em desinformar à sociedade e aos familiares sobre o seu paradeiro.

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Militante da VANGUARDA ARMADA REVOLUCIONÁRIA PALMARES (VAR-PALMARES).

Está desaparecido desde 1971.

Advogado, foi preso no dia 15 de fevereiro de 1971, na pensão em que morava, à Rua Farme de Amoedo, em lpanema, Rio de Janeiro, juntamente com Carlos Alberto Soares de Freitas.

Segundo depoimento de Maria Clara Abrantes Rego e de vários outros presos políticos, Antônio Joaquim foi torturado na “Casa da Morte”.

Inês Etiene Romeu, sobrevivente da “Casa da Morte”, confirma em seu Relatório a passagem de Antônio Joaquim por aquele centro clandestino de tortura.

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PCdoB).

Nasceu em Itaici/ES, em 28 de dezembro de 1948 e era filho de Altivo Valadão de Andrade e Helena Almochdice Valadão.

Desaparecido da guerrilha do Araguaia desde 1973.

Estudou até a conclusão do 2° grau em Cachoeiro do Itapemirim/ES e, em 1968, ingressou no Instituto de Física da UFRJ. Aí conheceu Áurea Elisa Pereira Valadão, também desaparecida na Guerrilha do Araguaia, colega de turma com quem se casou em fevereiro de 1970. Moravam num pequeno apartamento no Catete e se mantinham com uma bolsa de estudos do CNPq e com o que ganhava como monitor.

Foi presidente do DA de sua escola em 1968.

Perseguido pelos órgãos de repressão, que invadiram o apartamento onde morava, passou a viver na clandestinidade, juntamente com sua companheira Áurea Elisa, tendo viajado para a região do Araguaia no segundo semestre de 1970, indo morar na região de Caianos – Destacamento C.

Foi morto e decapitado no dia 24 de novembro de 1973, por agentes da repressão, junto a uma grota. No dia seguinte, seu corpo sem cabeça foi visto pelos companheiros. Tinha um ferimento à bala que não era suficiente para matá-lo, o que faz supor que tenha sido decapitado ainda com vida.

No Relatório do Ministério da Marinha lê-se “morto em 24 de novembro de 1974.” Observar que dia e mês estão corretos, mas o ano não.

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Filha de José Pereira e Odila Mendes Pereira, nasceu em Areado, Sul de Minas, no dia 6 de abril de 1950.

Desaparecida na Guerrilha do Araguaia aos 24 anos.

Sua família morava na Fazenda da Lagoa, município de Monte Belo, onde seu pai era administrador e, por isso, Áurea Eliza teve que ir, muito cedo, para o internato.

Afetiva e risonha manteve, sempre, um bom relacionamento com a família, durante sua infância e adolescência.

Aluna bastante aplicada, estudou, dos 6 aos 14 anos, no Colégio Nossa Senhora das Graças, em Areado, onde concluiu o curso ginasial.

Segundo depoimento de uma colega daquele tempo, Áurea Eliza exercia grande liderança no colégio, mantendo ótimas relações com as colegas, participando das atividades escolares, tendo sido brilhante aluna em matemática.

Mudou-se, em 1964, para o Rio de Janeiro para cursar o 2° grau no Colégio Brasileiro, em São Cristóvão, morando com sua irmã Iara, com quem tinha laços muito estreitos e afetuosos.

Prestou vestibular, aos 17 anos, para o Instituto de Física da UFRJ, em 1967, onde pretendia estudar Física Nuclear. Por não ter ainda 18 anos, precisou de uma autorização especial de seu pai, para que pudesse fazer aquele curso.

Participou intensamente do movimento estudantil no período de 1967 a 1970, tendo sido membro do Diretório Acadëmico de sua escola, juntamente com Antônio de Pádua Costa e Arildo Valadão, ambos desaparecidos.

Áurea Eliza casou- se com Arildo Valadão no dia 6 de fevereiro de 1970, num cartório do Rio de Janeiro e, no dia seguinte, na Basílica de Aparecida do Norte, em São Paulo.

Mudou-se junto com Arildo e Antônio de Pádua para o Araguaia, no segundo semestre de 1970, indo viver na região de Caianos, onde passou a trabalhar como professora e ingressou no destacamento C das Forças GuerriIheiras, cujo comandante era Paulo Mendes Rodrigues.

No Araguaia era conhecida também por Eliza.

O “Cordel da Guerrilha do Araguaia”, de autoria de D. Nonato da Rocha assim se referiu a ela:

“Áurea era professora

E decidiu improvisar

Duma tapera, uma escola

Prá criançada estudar

Ela nada cobrava

Ensinava e brincava

Com as crianças do lugar.”

No período em que viveu no Rio de Janeiro, Áurea Eliza correspondia-se, regularmente, com seus pais.

Numa época onde o medo e as perseguições eram constantes, seus familiares deixaram de receber notícias.

Consta que Áurea Eliza teria sido presa em Marabá, em 1973, estando desaparecida desde 1974.

Seus pais faleceram sem que nenhuma notícia lhes fosse dada sobre seu paradeiro.

No início do ano de 1974 foi vista viva e em bom estado de saúde, no 23° Batalhão de Infantaria da Selva, pelo preso Amaro Lins que prestou estas declarações no 4° Cartório de Notas de Belém/PA. Amaro relata também que ouviu um policial dizer-lhe que arrumasse suas coisas pois iria viajar. (Viajar – termo utilizado para designar execução)

Segundo depoimento de uma moradora de Xambioá, que não quis se identificar, Áurea foi vista morta na delegacia da cidade e seu corpo estaria enterrado no cemitério local.

Em 1991, familiares de mortos e desaparecidos na Guerrilha do Araguaia estiveram neste cemitério junto com a CJP e a equipe de legistas da UNICAMP. Nesta ocasião foram exumadas duas ossadas, uma de um negro, provavelmente Francisco Manoel Chaves (desaparecido) e outra de uma mulher, jovem, cujo corpo estava enrolado num pano de pára-quedas, com a identificação arrancada, que poderia ser de Áurea ou de Maria Lúcia Petit, também guerrilheira, desaparecida no Araguaia. Essas ossadas permanecem na UNICAMP para identificação.

O Relatório do Ministério da Marinha dá como data da morte de Áurea 13 de junho de 1974, sem mais informações.

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em 17 de maio de 1947, em Fortaleza, Estado do Ceará, filho de Gessiner Farias e Luiza Gurjão Farias.

Desaparecido na Guerrilha do Araguaia. Era estudante de Química na Universidade Federal do Ceará, e vice-presidente do Diretório Central dos Estudantes, em 1967. Foi preso no Congresso da UNE, em lbiúna, em 1968 e foi expulso da Faculdade com base no Decreto-lei 477. Indiciado no inquérito por participação no XXX Congresso da UNE, foi condenado em 1° de julho de 1969 pelo CPJ do Exército a 2 anos de reclusão.

Em 1968, no Ceará, foi gravemente ferido à bala na cabeça quando participava de manifestações estudantis. Refeito dos ferimentos e sob feroz perseguição, foi para o interior, indo residir na região de Caianos, onde continuou suas atividades políticas.

Ferido em combate, em 8 de maio de 1972. Seu corpo foi levado para Xambioá, todo deformado, tendo sido dependurado em uma árvore, com a cabeça para baixo, a qual era chutada constantemente pelos paraquedistas mobilizados na caça aos guerrilheiros.

Segundo depoimento de Dower Cavalcanti, ex-guerrilheiro já falecido, o General Bandeira de Melo lhe dissera que Bergson estaria enterrado no Cemitério de Xambioá.

O Relatório do Ministério da Marinha diz que em “junho de 1972, foi morto…”

Seu desaparecimento foi denunciado em juízo, em 1972 e 1973 pelos presos políticos José Genoino Neto e Dower Moraes Cavalcante. Genoíno afirma que o corpo de Bergson lhe foi mostrado durante um de seus interrogatórios e que sabia que ele estava com malária, tendo sido morto a baioneta. Dower diz que foi preso e torturado junto com Bergson e que ele foi morto a baioneta.

07.07.09 – NOTA – Identificados os restos mortais de BERGSON GURJÃO FARIAS

1. A Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH/PR) e a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) receberam na noite de ontem, 06/07/2009, a confirmação pelo Laboratório Genomic de que um novo exame de DNA, realizado desta vez com a tecnologia mais recente, deu resultado positivo na identificação dos restos mortais do guerrilheiro BERGSON GURJÃO FARIAS, desaparecido no Araguaia em 1972.

2. Uma assessora especial da SEDH/PR, coordenadora do programa Direito à Memória e à Verdade, foi enviada a Fortaleza (CE) na manhã de hoje e comunicou esse resultado pessoalmente aos familiares de Bergson, iniciando preparativos para o traslado e devidas homenagens na realização do funeral, em data a ser definida.

3. A SEDH/PR e a CEMDP decidiram encomendar esse novo exame, de resultado positivo, imediatamente após discursos do deputado Pompeo de Mattos, da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, proferidos na reunião dessa Comissão e também no plenário da Casa. A imprensa noticiou que o deputado exigiu providências urgentes a respeito das ossadas exumadas na região do Araguaia desde 1991. O parlamentar destacou que um exame solicitado por ele, quando presidente da Comissão de Direitos Humanos, ao perito criminal Domingos Tocchetto, apontava fortes indícios científicos de que uma das ossadas, catalogada como Xambioá 2, correspondia aos restos mortais de Bergson Gurjão Farias.

4. Em anexo a esta nota, a SEDH/PR e a CEMDP distribuem uma súmula, detalhando as informações pertinentes a cada uma das ossadas exumadas que estão ou já estiveram sob sua guarda, esperando novos exames, novas informações, novos documentos e novas diligências a serem realizadas naquela região.

5. Nessa súmula, constam os resultados de todos os exames anteriores de DNA, inclusive um resultado negativo e um resultado não-conclusivo para a mesma ossada agora identificada, com precisão científica, como sendo de Bergson Gurjão Farias.

6. O Laboratório Genomic informou, na data de hoje, que o resultado positivo foi obtido a partir de uma tecnologia inovadora para análise de DNA forense, denominada SNP (single nucleotide polymorphisms), o que levará a SEDH/PR e a CEMDP a providenciarem, imediatamente, a realização de novo exame, com essa

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Dirigente da VANGUARDA ARMADA REVOLUCIONÁRIA PALMARES (VAR-PALMARES).

Nasceu em Belo Horizonte, em 12 de agosto de 1939, filho de Jayme Martins de Freitas e Alice Soares de Freitas.

Desaparecido desde 1971, aos 32 anos.

Caçula de oito irmãos, Beto era um homem reservado e discreto, solteiro, de uma insuspeitada timidez, o que Ihe conferia um certo charme, sempre despertando paixões.

Corpo atlético, perfeito, extremamente terno, cavalheiro, educado, arisco, jogador de basquete, prêmios de natação.

Filho amoroso, nunca deixou de se corresponder com os pais, mesmo durante a clandestinidade.

O curso primário foi feito no Colégio São Francisco e no Grupo Escolar Manoel Esteves, em Teófilo Otoni. O curso secundário, nos Colégios Anchieta e Tristão de Ataíde, em Belo Horizonte. Ingressou na Faculdade de Ciências Econômicas (FACE/UFMG) para cursar Sociologia e Política, em 1961.

Nesse mesmo ano, iniciou sua trajetória de militância política na POLOP e inscreveu-se no Partido Socialista Brasileiro (PSB), tendo se dedicado, desde o início, inteiramente à política.

Viajou para Cuba, em janeiro de 1962, para as comemorações da Revolução Cubana. Escolhido pelos seus companheiros da POLOP, buscava obter maiores informações sobre a Revolução Socialista.

No período de 1961 a 1965, militou no movimento estudantil e participou, também, do trabalho de implantação das Ligas Camponesas em Minas Gerais, dentro da perspectiva política da aliança operário-camponesa-estudantil.

Logo após o golpe militar de 1964, recebeu determinações da Direção Nacional da POLOP para que se transferisse para o Rio de Janeiro.

No entanto, dois meses depois estava de volta.

Foi preso, em flagrante, pichando muros em Belo Horizonte, no dia 26 de julho de 1964 – com palavras de ordem contra o isolamento cubano imposto pela OEA e contra a ditadura militar – e levado para o DOPS. Posteriormente, foi transferido para a Penitenciária Agrícola de Neves e solto, em novembro do mesmo ano, por meio de um Habeas Corpus.

Beto participou, em 1965, da reorganização da seção regional do PSB, tornando-se um dos membros do Comitê Executivo do partido, além de dirigente nacional da POLOP, em Minas Gerais.

No período de 1965 a 1968, além de outras tarefas, escreveu semanalmente, artigos para o jornal operário “Piquete”.

Em 1967, Beto foi julgado e condenado, à revelia, a dois anos de prisão pela Auditoria do Exército da 4ª Região Militar, em Juiz de Fora.

Em 1968 foi eleito para a Direção Nacional do COLINA e elaborou, junto com outros companheiros, documentos de análise política para discussões internas na organização, usando o pseudônimo de Fernando Ferreira. Nesse período, foi um dos diretores da revista “América Latina”.

Entrou para a clandestinidade, mudando-se para o Rio de Janeiro, no mês de janeiro de 1969.

Foi preso, novamente, no dia 15 de fevereiro de 1971, junto com Antônio Joaquim Machado (também desaparecido) e Sérgio Emanuel Dias, na pensão onde moravam na rua Farme de Amoedo, n° 135, em Ipanema. Foram levados para o quartel da PE, na rua Barão de Mesquita, onde ficavam as dependências do DOI-CODI.

Segundo Eduardo, seu irmão, quatro dias após sua prisão, a família recebeu uma carta escrita pelo próprio Carlos Alberto, onde ele lhes comunicava que, quando o documento chegasse ao seu destino, era sinal de que teria sido detido pelos órgãos de repressão e, em decorrência disso, todas as medidas necessárias à sua localização deveriam ser tomadas pela família.

Foram acionados vários advogados buscando a sua localização: Sobral Pinto, Oswaldo Mendonça e Antônio Modesto da Silveira.

Habeas-corpus, impetrado junto ao STM, tomou o número 30.405, com entrada no dia 12 de março de 1971 (menos de um mês após a prisão), atuando como relator o ministro Nelson Sampaio.

Inúmeros apelos em caráter dramático foram enviados pelos pais e familiares de Beto às mais altas autoridades do País: Generais Médici, Geisel e Figueiredo e ao ministro do STM, Rodrigo Otávio Jordão Ramos.

Várias buscas foram feitas na Base Aérea do Galeão – conhecido centro de tortura no ano d

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em 3 de fevereiro de 1946, em São Sepé, Rio Grande do Sul, filho de Lino Brun e Eloá Cunha Brun.

Desaparecido desde 1973 na Guerrilha do Araguaia aos 28 anos.

Iniciou seus estudos no Rio Grande do Sul, mudando-se posteriormente para São Paulo, onde ingressou no curso de Economia da PUC. Participava ativamente do movimento estudantil, sendo eleito Presidente do Diretório Acadêmico e para o DCE/PUC.

Perseguido pela repressão política, foi viver na região do Araguaia, onde participou do movimento guerrilheiro. Visto pela última vez por seus companheiros, no dia 25 de dezembro de 1973, antes do ataque das Forças Armadas ao acampamento onde estavam.

O Relatório do Ministério da Marinha diz que “participou de um combate próximo a ‘Couro Dantas’ com elementos do Exército Brasileiro, resultando em um morto e um ferido… Morto em 27 de fevereiro de 1974.”

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em 5 de abril de 1952, no Ceará, filho de Dario Saraiva Leão e Hilda Quaresma Saraiva Leão.

Desaparecido desde 1974 na Guerrilha do Araguaia aos 22 anos.

Participava ativamente do movimento estudantil secundarista, o que lhe valeu feroz perseguição por parte dos órgãos de repressão. Impossibilitado de continuar vivendo em Fortaleza, optou por ir para o campo, para a região do Araguaia, na localidade de Chega Com Jeito, perto de Brejo Grande.

Pertenceu ao Destacamento A – Helenira Resende – e mais tarde ao Corpo de Guarda da Comissão Militar da Guerrilha.

Foi visto pela última vez por seus companheiros no dia 30 de dezembro de 1973.

O Relatório do Ministério da Marinha diz que Custódio “foi morto em 15 de fevereiro de 1974, em Xambioá”.

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Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR).

Nasceu a 05 de setembro de 1922, em Pirajuí/SP, filho de Henrique Palhano Pedreira Ferreira e Henise Palhano Pedreira Ferreira. Desaparecido aos 49 anos de idade.

Trechos de um texto escrito por Branca Eloysa, sua cunhada:

“Em 1929, Aluisio e seu irmão Honésio, com 7 e 8 anos respectivamente, foram internados no Colégio Mackenzie, em São Paulo. Três meses depois, Aluísio apareceu sozinho em Pirajuí, a 350 km de São Paulo. Não havia se conformado com o regime do internato. Em 1932, com a morte de seu pai, a família mudou-se para Niterói. Mais uma vez foi internado, desta vez no Colégio Salesiano em Santa Rosa. Uma vez mais Aluísio se rebelou contra o internato.

Terminou o curso secundário no Colégio Plínio Leite e trabalhou como bilheteiro no Cine Royal, em Niterói.

Aos 21 anos ingressou no Banco do Brasil onde trabalhou até ser cassado pelo AI-1 em 1964. Formou-se advogado pela Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense. Por duas vezes foi presidente do Sindicato dos Bancários. Em 1947, casou-se com Leda Pimenta e tiveram dois filhos Márcia e Honésio.

Em 1963 foi eleito presidente da CONTEC(Confederação dos Trabalhadores dos Estabelecimentos de Crédito) e vice-presidente da antiga CGT.

Com o golpe de 1964, Aluísio teve seus direitos políticos cassados e passou a ser literalmente caçado pelos órgãos de repressão. Em fins de maio de 1964 asilou-se na Embaixada do México, indo posteriormente para Cuba.

Em 1969, representou o Brasil na OLAS (Organização Latino-Americana de Solidariedade), em Havana, Cuba. Em 1970, regressou clandestino ao Brasil. Manteve contato com familiares por ocasião do casamento de sua filha. Em 24 de abril desse mesmo ano ainda fez contato com a família. Depois desse dia, o silêncio.

Em 1976 correram os primeiros boatos de sua morte, confirmados em 1978 através de carta de Altino Dantas Jr., seu companheiro de prisão, encaminhada ao Ministro do Superior Tribunal Militar, General Rodrigo Otavio Jordão Ramos, denunciando o assassinato de Aluísio Palhano, nas dependências do DOI-CODI da Rua Tutóia, em S.Paulo na madrugada de 21 de maio de 1971. Segundo esse relato, Aluísio esteve prisioneiro durante 11 dias, sofrendo as piores torturas.

A Anistia Internacional confirmou esse depoimento. ”

O preso político Nelson Rodrigues Filho também denunciou que esteve no DOI-CODI/RJ com Aluísio Palhano.

Apesar de todos estes testemunhos, os órgãos de segurança não reconheceram, até hoje, a prisão e a morte de Aluísio.

Foi preso no dia 9 de maio de 1971 e assassinado pelo torturador Dirceu Gravina no dia 21 de maio de 1971.

Inês Etienne Romeu, em seu Relatório, afirmou que Aluísio foi levado para a “Casa da Morte”, em Petrópolis, em 13 de maio de 1971. Informou que quem o viu pessoalmente naquele aparelho clandestino da repressão foi Mariano Joaquim da Silva, também desaparecido desde aquela época, que presenciou sua chegada, narrando o seu estado físico deplorável. Inês ouviu a voz de Aluísio várias vezes, quando interrogado na “Casa da Morte”.

Os relatórios dos Ministérios da Marinha, Exército e Aeronaútica não fazem refrências à sua morte.

O nome de Aluisio Palhano foi encontrado, em 1991, no arquivo do DOPS/PR numa gaveta com a identificação “falecidos”.

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em 03 de julho de 1946, no Rio de Janeiro, filho de Maurício Grabois, também desaparecido no Araguaia, e Alzira da Costa Reys.

Desaparecido na Guerrilha do Araguaia aos 27 anos, no dia 14 de outrubro de 1973, juntamente com João Gualberto, Divino Ferreira de Souza e Antônio Alfredo Campos, na roça deste último, às margens do Rio Fortaleza, numa emboscada. Depoimentos de moradores da região dizem que seus corpos foram enterrados no mesmo local onde morreram e que nesta roça havia sido encontrada, anos depois, uma arcada dentária.

Fez o curso primário na Escola Municipal Pedro Ernesto e o ginásio no Liceu Nilo Peçanha, em Niterói. Desde muito cedo, graças ao convívio com destacados militantes do movimento comunista no Brasil, interessou-se pelas questões políticas.

Em 1964, devido às perseguições movidas contra seu pai, Maurício Grabois, foi obrigado a abandonar os estudos e, com apenas 17 anos, foi viver na clandestinidade.

Em 1967, foi para o exterior, visitando a China e a Albânia, onde vez vários cursos.

Foi um dos primeiros a chegar à região do Araguaia, indo para a localidade de Faveira no início do ano de 1968. Antes morara em várias cidades da região: Rondonópolis, Tocantins e outras.

Tinha um gênio alegre e brincalhão e rapidamente conquistava a simpatia das pessoas. Gostava de música popular, em particular do samba, que aprendera nos morros cariocas.

Freqüentava as festas locais, onde era dos primeiros a chegar e o último a sair. Apreciador das peladas, construiu um campo e organizou times de futebol por onde passou, em Rondonópolis (MT) e no sul do Pará. Também era um bom nadador.

À noite, enquanto ouvia o rádio, gostava de desenhar cartuns sobre os acontecimentos políticos ou alusivos a acontecimentos da região e aos companheiros.

Via com grande tristeza o fato das crianças do Araguaia não conhecerem brinquedos.

Era casado com Criméia Almeida, com quem teve um filho – João Carlos Grabois – que nasceu na prisão e a quem não chegou a conhecer.

Foi o comandante do Destacamente A – Helenira Resende – até sua morte em 14 de outubro de 1973.

O relatório do Ministério da Marinha diz que foi “morto em 13 de outubro de 1973”. Documentos militares sobre a ação dos Fuzileiros Navais na região fazem referência a José Vieira da Silva Jr., nome falso de André Grabois, como um dos ‘procurados’. Usava também o nome falso de José Carlos Ferreira da Silva.

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Desaparecido na Guerrilha do Araguaia.

Camponês residente na Região do Araguaia que se incorporou à Guerrilha. Casado, tinha filhos. Desapareceu após cair em uma emboscada em sua roça no dia 14 de outubro de 1973, às margens do Rio Fortaleza, em São João do Araguaia/PA, juntamente com André Grabois, João Gualberto e Divino Ferreira de Souza.

Depoimentos de moradores da região dizem haver encontrado, anos depois, uma arcada dentária no local onde provavelmente teriam sido enterrados.

O Relatório do Ministério da Aeronáutica diz que Alfredo era militante do PCdoB e guerrilheiro, enquanto que o Ministério do Exército diz não possuir registros a seu respeito.

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em 12 de junho de 1943 no Piauí, filho de João Lino da Costa e Maria Jardilina da Costa.

Desaparecido na Guerrilha do Araguaia desde 1974.

Estudante de Astronomia da UFRJ, foi da diretoria do DA do Instituto de Física. Foi indiciado por sua participação no XXX Congresso da UNE, em Ibiúna.

Quando passou a viver na clandestinidade, foi para a região do Araguaia, onde vivia na localidade de Metade, em São João do Araguaia/PA e tornou-se vice-comandante do destacamento A das Forças Guerrilheiras.

Com seu jeito alegre e brincalhão, rapidamente conquistou a simpatia dos vizinhos e companheiros. Com seu espírito prático e capacidade de direção, assumiu o Comando do Destacamento A – Helenira Resende – após a morte de André Grabois.

Foi visto pela última vez no dia 14 de janeiro de 1974, quando houve intenso tiroteio com as Forças Armadas. Estavam com ele naquele momento Antônio Alfaiate e Lúcio Petit, também desaparecidos.

Segundo o depoimento de um morador da região, Antônio foi preso em casa de um camponês, no início do ano de 1974.

O Relatório do Ministério da Marinha afirma que teria sido assassinado por uma companheira, “quando estavam acampados em local/região não definidos”. Causa estranheza o Ministério da Marinha ter informações tão detalhadas sobre sua morte e nenhuma informação sobre o local onde se deu sua prisão, o que demonstra, mais uma vez, a tentativa de escamotear as informações.

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em 20 de setembro de 1946, em São Paulo, filho de Walter Pinto Ribas e Benedita de Araújo Ribas.

Desaparecido na Guerrilha do Araguaia, desde 1973.

Estudante do 3° ano colegial do Colégio Estadual Brasílio Machado e presidente da UPES).

Foi condenado pela 2ª Auditoria de Justiça Militar de São Paulo a 1 ano e 6 meses de prisão. Cumpriu pena até 1970 e, posteriormente, mudou-se para a região do Gameleira, no Araguaia. Foi visto pela última vez no natal de 1973.

O Relatório do Ministério do Exército diz que “Antônio Ribas durante encontro com uma patrulha na região do Araguaia conseguiu evadir-se abandonando documentos nos quais usava o nome falso de José Ferreira da Silva”, e mais adiante diz que “teria morrido em confronto com as forças de segurança.” Já o Relatório do Ministério da Marinha afirma que ele teria sido “morto em 20 de fevereiro de 1973”, o que não é verdade pois foi visto pelos seus companheiros no natal de 1973.

De seu irmão, José Dalmo Ribas:

“… Em 1967 Guilherme foi eleito Presidente da União Paulista de Estudantes Secundaristas – UPES. No dia 7 de setembro de 1968 Guilherme foi detido pelo DOPS por ocasião de manifestação contra a presença do Presidente Costa e Silva em ato comemorativo à data da Independência. Guilherme ficou detido por 34 dias nas dependências do antigo Presídio Tiradentes, sendo solto na data aproximada de 7 de outubro de 1968 por Habeas-Corpus impetrado pela advogada Dra. Maria Aparecida de Faria Pacheco.

Na qualidade de dirigente da entidade estudantil secundarista participou do Congresso da União Nacional dos Estudantes. Na ocasião, foi detido. Guilherme iniciou, então, uma longa peregrinação tendo estado detido nos seguintes locais: Presídio Tiradentes, Delegacia de Polícia, situada à Rua 11 de Junho, Vila Mariana, Quartel do Batalhão dos Caçadores do Município de São Vicente, Forte de Itaipu, na Praia Grande, Casa de Detenção de São Paulo, Quartel de Quitaúna e, por fim, retornou ao Presídio Tiradentes.

Sofreu dois processos perante a Justiça Militar de São Paulo e perante a 2ª Auditoria Militar, tendo sido condenado num deles a 3 meses de prisão e, no segundo, a 18 meses. Quando estava detido e em período anterior e posterior à sua detenção vários de seus familiares sofreram violências e arbitrariedades por parte dos órgãos de segurança.

Após sua libertação em abril de 1970, Guilherme transferiu-se para a Baixada Fluminense onde passou a residir no município de Duque de Caxias com outra identidade em companhia de José Genoino Neto e outros companheiros, por volta de fins do ano de 1970. De lá saiu para viver no campo. Tivemos ainda um encontro de despedida. E só voltamos a ter notícias dele em 1973, por intermédio de Francisco Romanini, que esteve preso na Operação Bandeirantes, quando então ficou sabendo sobre Guilherme e suas atividades políticas na região do Araguaia.

Mais tarde, em 1975, nossa família recebeu uma intimação da Auditoria Militar para Guilherme. Nesse julgamento, Guilherme, na qualidade de revel, foi absolvido. Ficou absolutamente claro para mim que meu irmão tinha sido morto pelos agentes da repressão política. .

Em 1977, nossa família constituiu o advogado Dr. Luiz Eduardo Greenhalgh para buscar oficialmente o paradeiro de Ribas. Concluiu-se que Guilherme permaneceu em atividade política na região do Araguaia até o combate ocorrido no dia 25 de dezembro de 1973, ocasião em que teria morrido juntamente com Jaime Petit da Silva. Provavelmente num confronto entre as forças de repressão e o grupo de guerrilheiros ocorrido na localidade de Caianos.

Posteriormente a família recebeu esclarecimentos por parte do Padre Aristides Camio, que residiu na região, que o corpo de Jaime Petit fora visto por moradores da região em São Fé1ix do Araguaia, naquele Natal de 1973. Depois de confirmado o fato de ter Guilherme sido assassinado no Araguaia em companhia de várias outras pessoas que ali exerciam atividades políticas, a família continuou diligenciando em caráter particular, com a participação do C

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em 12 de abril de 1945 em Itapipoca/CE, filho de Raimundo de Castro Sobrinho e Benedita Pinto de Castro.

Desaparecido na Guerrilha do Araguaia desde 1973.

Cursava o 4° ano de Farmácia na UFCe, e era diretor da Casa do Estudante Universitário. Transferiu-se para o Rio de Janeiro devido às perseguições políticas que vinha sofrendo na Universidade. A seguir, matriculou-se na Faculdade de Farmácia e Bioquímica da UFRJ, participando do movimento estudantil nos anos 1969/70.

Como se intensificassem as perseguições, Antônio acabou mudando-se para o interior, indo residir na região do Gameleira e integrando-se ao Destacamento B da Guerrilha.

Desapareceu no dia 25 de dezembro de 1973, após intenso tiroteio no acampamento onde estava com diversos companheiros.

O Relatório do Ministério da Marinha diz que “foi morto durante ataque de terroristas à equipe que o conduzia no dia 27 de fevereiro de 1974”. Isto nos dá a certeza que, tendo sido preso provavelmente no dia 25 de dezembro de 1973, acabou sendo assassinado, dois meses depois, sob tortura.

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B)

Nasceu em 20 de maio de 1921, na cidade do Rio de Janeiro, filho de Aníbal Teixeira Frutuoso e Maria da Glória Frutuoso.

Desaparecido desde 1975.

Operário e Delegado Sindical representante do setor da Rua Larga junto ao Sindicato dos Trabalhadores da Light. Estudou até o 2° grau completo. Fez vários outros cursos, inclusive na Tchecoslováquia. Em 1961, foi preso por suas atividades sindicais. Com o Golpe de 1964, Armando passou a atuar na clandestinidade.

Era casado com Virgínia Ricardi Viana, com quem teve uma filha, Cláudia. Foi militante do PCB e, desde 1971, pertencia ao Comitê Central do PC do B.

Preso em 30 de agosto de 1975, no bairro de Madureira, no Rio de Janeiro, por agentes do DOI-CODI, foi torturado nas dependências do DOPS e DOI/CODI do Rio e de São Paulo, tendo sido assassinado, no início do mês de setembro.

Gildázio Westin Cosenza e Delzir Antônio, processados juntamente com Armando, denunciaram em depoimento na Auditoria Militar e em cartas enviadas ao Superior Tribunal Militar, as torturas que levaram Armando à morte no DOI/CODI-RJ.

Tais denúncias se transformaram em investigações que não elucidaram o desaparecimento de Armando devido à reiterada alegação de que ele estava foragido.

O relatório do Ministério do Exército mantém ainda a mesma versão de que “nunca esteve preso”.

Trechos do livro “Desaparecidos políticos”:

“No dia 28 de março de 1978, a 2ª Auditoria do Exército do Rio de Janeiro absolveu Armando Teixeira Frutuoso, acusado de ser dirigente regional do PC do B. Pouco menos de um ano antes, em junho de 1977, a 1ª Auditoria do Exército de São Paulo, condenara Frutuoso, à revelia, a cinco anos de prisão, no processo que envolveu os presos da Lapa, em São Paulo, de 16 de dezembro de 1976, sob a acusação de integrar o Comitê Central do mesmo partido.

Ambos julgamentos, envolvendo Frutuoso, foram uma farsa. Havia denúncias de testemunhas de sua prisão, tortura e desaparecimento. Mas, nos dois casos, elas não foram levadas em conta. No segundo julgamento, o próprio advogado de ofício – já que Frutuoso era revel – Lourival Nogueira Lima, pediu o desmembramento do processo, para declarar a punibilidade extinta por morte. O que foi recusado pelo Conselho Permanente de Justiça.

“No dia 4, ele mal podia levantar-se, tamanha as seqüelas produzidas pelas torturas. Seu rosto apresentava manchas de sangue e equimoses. A partir de determinado dia os torturadores passaram a negar alimentação e água a Gildásio e Frutuoso. Gildásio ouviu os gritos de Frutuoso pedindo água e a resposta dos torturadores foi de que “não iam gastar comida e água com quem ia morrer”.

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Dirigente do MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO POPULAR (MOLIPO).

Nasceu em Catanduvas, Estado de São Paulo, em 13 de janeiro de 1946, filho de Umberto Mortati e Carmem Sobrinho Martins.

Desaparecido, aos 25 anos, desde 1971.

Em sua cidade natal, fez o primário, o ginasial e o colegial. Mudou-se para São Paulo, onde fez vestibular para a Faculdade de Direito da Universidade Mackenzie. Era execelente pianista e faixa preta no caratê.

Foi preso em 1968, no XXXCongresso da UNE.

Viajou para Cuba, onde permaneceu por um ano. Retornou ao Brasil em 1971, vivendo clandestinamente em São Paulo até sua prisão, morte e desaparecimento.

Oficial da reserva do Exército Brasileiro, teve sua “Carta Patente” cassada pelo Presidente Médici.

Foi preso na Rua Cervantes, n° 7, Vila Prudente, no dia 4 de novembro de 1971, quando sua casa foi invadida por agentes do DOI-CODI, para onde foi levado e torturado.

Os presos políticos de São Paulo denunciaram, em documento enviado ao presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Dr. Caio Mário da Silva Pereira, em 1975, a prisão, tortura e assassinato de Aylton.

Tinha prisão preventiva decretada pela 2ª Auditoria de Guerra e o procurador militar havia ‘pedido pena de morte’ para o ele.

Estava clandestino desde outubro de 1968. Desde essa época, até seu desaparecimento, sua família foi presa e perseguida várias vezes.

Seu nome consta, no Arquivo do DOPS/PR, em uma gaveta com a identificação: “falecidos”.

O Relatório do Ministério da Aeronáutica apresenta sobre ele a seguinte informação: “Neste órgão consta que foi morto em 04 de novembro de 1971, quando foi estourado um aparelho na rua Cervantes, n° 7, em SP. Na ocasião usava um documento (passaporte), em nome de Eduardo Janot Pacheco.”

Em matéria publicada pelo jornal “Folha de São Paulo”, feita com base em depoimento de um general com responsabilidade dentro dos órgãos de repressão, a morte de Aylton é assumida quando o mesmo confirma a morte de doze opositores considerados desaparecidos.

De sua mãe, D. Carmem Martins:

“Recordo-me que, na primeira vez, a caravana de policiais era do DOPS e, em outubro de 1968, invadiram minha residência à rua Rafael de Barros, 209, Paraíso, em São Paulo, onde tinha um pensionato. Revistaram tudo e levaram fotografias de meu filho. Cerca de 15 dias depois, ainda em outubro de 1968, mais uma vez, minha residência foi invadida pela madrugada por elementos da Aeronáutica, mais precisamente cinco pessoas, que, aos ponta-pés entraram e reviraram tudo, levando presos eu própria, um pensionista de nome José Roberto Sobhia e a pensionista Eugenia Zeviani, que hoje está casada e, ao que parece, reside em Catanduvas. Fui levada, juntamente com meus hóspedes, ao Comando Aéreo de São Paulo, na Avenida do Estado, e interrogados separadantente. As autoridades da Aeronáutica alegavam que Aylton havia seqüestrado um avião e o desviara para Cuba.

A partir daí minha vida e de minha família passou a ser de constante vigilância e provocação por parte de agentes de segurança, que estacionavam carros à frente de minha residência, subiam no telhado da casa, usavam o banheiro existente no fundo do quintal, revistavam compras de super-mercado, censuravam o telefone, espancaram meus sobrinhos menores e, ao que pude deduzir, provocaram um início de incêndio em minha residência/pensionato. Os agentes que vigiavam minha residência e meus passos por duas vezes atentaram contra minha vida, jogando o carro em minha direção. Nestas oportunidades escudei-me atrás do poste. A partir de então recebi, com constância e permanência, bilhetes ameaçadores, onde estava escrito que meu filho ia morrer e vinha junto o desenho de uma cruz, em preto, nos bilhetes. Quando eu recebia esses bilhetes ameaçadores, os levava de imediato ao Comando da Aeronáutica e os entregava a um Capitão, que me havia interrogado anteriormente e que, de tanto eu levar-lhe bilhetes, resolveu me fornecer uma carta onde se consignava que a Aeronáutica tinha feito uma vistoria em minha residência e que eu não tinha nada a ver com as atividades de meu filho.

Es

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Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB).

Filho de Mariano Alves de Castro e Leopoldina Ribeiro de Castro, nasceu em 16 de agosto de 1928.

Desaparecido aos 45 anos desde 1973.

Bancário aposentado e, como militante comunista, foi detido pelo DOPS/GB, em maio de 1968, quando participava de manifestações de rua. Foi posto em liberdade no dia 6 de maio.

Foi preso novamente pelos órgãos de segurança do Rio de Janeiro, em Copacabana, no dia 21 de novembro de 1973 e encontra-se desaparecido.

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Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR).

Nasceu em Porto Alegre (RS), filho de João Adelino de Oliveira e de Julieta Pedroso de Oliveira, em 26 de dezembro de 1945.

Desaparecido, desde 1970, aos 25 anos de idade.

Corretor de imóveis.

Foi preso em 10 de dezembro de 1970 por integrantes do CISA, sob o comando do capitão Barroso e levado para a PE, à Rua Barão de Mesquita, Rio de Janeiro.

Segundo denúncia de presos políticos, Celso foi torturado na PE do Rio de Janeiro pelos militares conhecidos pelos nomes de “Hulk”, “Teles” e “James”, todos tenentes do Exército.

Entre os dias 24 e 25 de dezembro, Celso foi acareado, na própria PE, com o preso político Sinfrônio Mesa Netto, que pôde constatar as torturas pelas quais Celso vinha passando.

No arquivo do DOPS/RJ, em 1992, foram encontrados documentos que confirmam a prisão de Celso. Num documento do CISA de 06 de outubro de 1971, informação n° 160, consta seu nome, ao lado do codinome “Alan”, como preso, numa relação de militantes da VAR-PALMARES e VPR. Em sua ficha do DOPS/RJ, Celso consta também como preso.

No Relatório da Aeronáutica há a seguinte informação: “foi detido por uma equipe do CISA e encaminhado ao DOI/I Ex., em 11 de dezembro de 1970”. Também no Relatório do Exército, há a informação de que Celso “…utilizava-se dos codinomes Ricardo e Alan, tendo sido preso pelo CISA, em 09 de dezembro de 1970 e entregue ao DOI-DODI-I Ex. em 11 de dezembro de 1970. Foi interrogado até 29 de dezembro”. Este relatório afirma ainda que, na madrugada de 29 para 30 de dezembro de 1970, Celso fugiu, conforme o Relatório da Operação Petrópolis de responsabilidade do DOI-CODI-I Exército.

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em Araguari – Minas Gerais – no dia 26 de setembro de 1943, filho de Arédio Oliveira e M. de Lourdes Oliveira.

Desaparecido desde 1972 na guerrilha do Araguaia aos 29 anos.

De sua mãe, Maria de Lourdes Salasar Oliveira:

“Com a transferência da família para o Rio de Janeiro, fez o primário no Colégio Sto. Antônio M. Zacarias, e posteriormente, no Franco Brasileiro, onde, concluindo o curso, recebeu seu diploma.

Optando pela Arquitetura – com o gosto e facilidade que o marcaram pelo desenho – matriculou-se na Universidade do Fundão localizada na Ilha do Governador, nessa mesma cidade.

Alegre, cordial, sua simpatia contagiante grangeou-lhe grande número de amigos. Dotado de profundo humanismo e grande senso de justiça, atento à política, sempre se interessou pelas causas sociais, a solidariedade humana.

Já no 4° ano da Universidade começou a tomar vulto o movimento estudantil em protesto contra erros e injustiças.

Surgiu e imperou o malfadado regime militar! O estopim como é sabido, foi a chamada tragédia do Calabouço com o assassinato do estudante Edson Luiz de Lima Souto.

Daí para diante foi um crescendo…

Ciro tomou parte ativa em tudo. Foi detido pelo DOPS distribuindo folhetos no dia da famosa passeata dos 100 mil.

Conseguiu se libertar; entretanto, seguido e vigiado, teve de partir para a clandestinidade.

Nos encontrávamos no maior cuidado através de amigos. No final do ano de 1969 nos vimos pela última vez.

Seu pai era proprietário de uma farmácia na zona norte do Rio; por várias vezes lá apareceu um senhor de idade com cartas e notícias se identificando como “O Velho”.

Na ocasião, lhe foram enviadas diversas caixas de remédios sabendo-se depois, da pequena farmácia que Ciro instalou para a distribuição de medicamentos na região.

Tempos se passaram… a terrível expectativa continuando… Não se sabia de nada pois os meios de comunicação eram severamente controlados; até que, sem saber como, uma lista foi deixada na PUC com diversos nomes de desaparecidos e entre eles, o de Ciro Flávio Salasar Oliveira, morto no Araguaia no dia 30 de setembro de 1972.

Começou então a romaria atrás de notícias mais concretas. Dificilmente se conseguia alguma coisa… Apareceram bem depois, esclarecimentos em livros e jornais.

O que se pode dizer, como externar a imensidão do sentimento diante de tamanha perda? Num massacre que, até hoje, não assumem nem se responsabilizam?

Consegui, no entretanto, separar dois grandes sentimentos: a saudade imorredoura de um convívio insubstituível e a honra de ser mãe desta criatura digna, heróica, cuja coragem suplantou separações, distâncias, na luta por uma pátria mais justa e honrada em favor dos irmãos oprimidos.

Obrigada meu filho, por sua vida!

Maria de Lourdes Salasar Oliveira

Rio de Janeiro, 16 de Maio de 1993.”

Uma foto sua incendiando uma viatura policial em uma manifestação de rua, publicada na Revista “Manchete”, lhe valeu intensa perseguição policial.

Foi para o Araguaia, em 1970, indo viver na Região do Rio Gameleira, mais tarde fazendo parte do Destacamento B das Forças Guerrilheiras.

Morou em Palestina, município de São João do Araguaia, sul do Pará onde, junto com Paulo Roberto Marques, instalou uma farmácia para a distribuição de medicamentos, buscando atender à populaçäo local.

Ciro morreu metralhado no dia 30 de setembro de 1972, aos 30 anos, juntamente com João Carlos Haas Sobrinho e outros companheiros.

Foi apresentado a Criméia Alice Schmidt de Almeida, ex-guerrilheira do Araguaia, um slide onde aparecia o cadáver de Ciro, em abril de 1973, pelo Major Oto, no PIC, em Brasília, junto com um álbum de guerrilheiros do Araguaia, quando esta se encontrava presa.

Ciro acreditava na luta revolucionária e dizia:

“…se tivesse que começar tudo de novo, sem hesitar, começaria com gosto, alegria e vontade inabaláveis.”

“Aqui não se morre em vida: vive-se a vida plenamente e em todos os minutos” , escreveu em uma carta, de 31 de janeiro de 1972, do Araguaia para sua família no Rio de Janeiro.

O Rel

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Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR).

Filho de Ely José de Carvalho e de Esther Campos de Carvalho, nasceu em Muriaé, Minas Gerais, no dia 13 de outubro de 1945.

Desaparecido desde 1974.

Motorista e torneiro mecânico.

Foi militante do PCB. Preso pela Operação Bandeirantes (OBAN) no dia 5 de outubro de 1970, onde foi torturado.

Banido do Brasil, em 13 de janeiro de 1971, por ocasião do seqüestro do Embaixador Suíço no Brasil, Giovanni Enrico Bucher, partiu para o Chile, junto com outros 69 presos políticos, onde permaneceu até setembro de 1973, ocasião em que fugiu para a Argentina.

Segundo denúncias do ex-sargento Marival Chaves, integrante dos órgãos de repressão, publicadas no “Jornal do Brasil”, de 20 de novembro de 1992, Daniel José de Carvalho teria sido atraído para uma viagem até Medianeira, no Paraná, caindo numa ar-madilha que o levou à morte.

De acordo com o “Correio Brasiliense” de 20 de novembro de 1992, a viagem ocorreu no dia 11 de julho de 1974, e com Daniel estavam: Joel José de Carvalho, seu irmão, Onofre Pinto, José Lavecchia, entre outros. Devanir José de Carvalho, outro irmão seu, foi assassinado pela Ditadura, em abril de 1971, em São Paulo.

O Relatório do Ministério do Exército mostra a interligação entre os órgãos de repressão dos diversos países do Cone Sul quando diz a respeito de Daniel: “O Ministério das Relações Exteriores retransmitiu informações enviadas pelo Governo Argentino, confirmando o seu ingresso naquele país em 03 de outubro de 1973, procedente do Chile e radicando-se em 31 de outubro de 1973, na Província de Corrientes”.

Em documento do arquivo do DOPS/SP lê-se: “Relatório de Plantão DOPS datado de 29/30 de junho de 1974 informa: Rádio 3749 DPF solicita observações sobre os indivíduos Onofre Pinto e Daniel José de Carvalho, que se dirigem para São Paulo procedentes do Uruguai”.

Documentos do SOPS/RS, confirmam que, em 21 de junho de 1974 (um mês de sua partida de Buenos Aires), Onofre Pinto e Daniel José de Carvalho eram esperados na fronteira Brasil-Argentina.

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Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO REVOLUCIONÁRIO (PCBR).

Nasceu em 02 de novembro de1950, em Recife, Pernambuco, filho de Francisco Clóvis Marques do Valle e Agrícola Maranhão do Valle.

Desaparecido desde 1973, quando tinha 23 anos de idade.

Estudante secundarista, freqüentou os colégios São João, Carneiro Leão e Salesiano Sagrado Coração, em Recife e o Colégio Agrícola Vidal de Negreiros, em Bananeiras, na Paraíba.

Militou no movimento estudantil pernambucano a partir de 1967, quando esteve preso por 8 dias no Juizado de Menores de Recife por ter participado de uma manifestação contra o acordo MEC-USAID nas escadarias da Assembléia Legislativa de Pernambuco.

Em 1968, se destacou como liderança na passeata de 20.000 pessoas que culminou com um comício na Av. Guararapes, centro de Recife.

O enterro do Padre Antônio Henrique, morto violentamente por agentes pára-militares, transformou-se em autêntica manifestação cívica em defesa da democracia. Ramires, rompendo a vigilância policial, promoveu um comício relâmpago em uma das pilastras da ponte por onde passava o cortejo. Isto valeu-lhe uma intensa perseguição policial que acabou obrigando-o à vida na clandestinidade. Mesmo assim, mantinha contatos com a família. Seu último encontro com seus pais e irmãos deu-se em Recife em 28 de fevereiro de 1972.

Morou em Fortaleza e mais tarde, em 1971, radicou-se no Rio de Janeiro.

Em novembro de 1973, seu pai recebeu um telefonema do Rio informando a morte de Ramires durante metralhamento e explosão de um carro no subúrbio de Jacarepaguá, em 27 de outubro de 1973. Seria um dos quatro ocupantes do carro incendiado em Jacarepaguá. Em matéria publicada em 28 de janeiro de 1979 pelo jornal “Folha de São Paulo”, um general com responsabilidade dentro do aparato repressivo admitia a morte de Ramires e de outras 11 pessoas desaparecidos.

No Relatório do Ministério do Exército consta que “em 23 de outubro de 1973, foi morto juntamente com mais dois companheiros em tiroteio com as forças de segurança, no Rio de Janeiro”. No Relatório do Ministério da Marinha consta que “teria morrido juntamente com outros subversivos, durante operação não definida.”

Ramires Maranhão do Vale deu entrada no IML/RJ como desconhecido carbonizado, em 27 de outubro de 1973, vindo da Praça Sentinela, em Jacarepaguá (RJ), com a guia n° 18 do DOPS/RJ. Saiu como indigente, em 27 de dezembro de 1973, sendo enterrado no Cemitério de Ricardo de Albuquerque, na sepultura n° 29.370, quadra 23. Em 1980, seus restos mortais foram colocados em uma vala clandestina nesse Cemitério.

O laudo de exame cadavérico foi realizado em 28 de outubro de 1973 pelos Drs. Hélder Machado Paupério e Roberto Blanco dos Santos.

A perícia de local de n° 947/73, realizada pelo Instituto Carlos Éboli/RJ em 27 de outubro de 1973, dá como homicídio na circunscrição da 32ª D.P. O óbito de n° 17.417 é de um homem desconhecido, com dados ignorados, tendo como causa mortis carbonização e tendo como declarante José Severino Teixeira.

Ver também notas referentes a Almir Custódio de Lima e Ranúsia Alves Rodrigues (mortos)

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em São Gonçalo, Estado do Rio de Janeiro em 16 de outubro de 1940, filho de Consueto Ribeiro Callado e América Ribeiro Callado.

Desaparecido desde 1974 na guerrilha do Araguaia quando tinha 34 anos.

Fez o curso de ajustador pelo SENAI e, aos 16 anos, começou a trabalhar na Hime e posteriormente na CACREN. Abandonou o emprego em 6 de abril de 1964, por perseguição política.

Passou a viver na região do Araguaia, onde participou do Destacamento C do movimento guerrilheiro.

Era proprietário de um barco a motor, o “Carajá”, juntamente com Paulo Rodrigues (desaparecido), utilizado para comercializar roupas e utensílios diversos no percurso do Rio Araguaia.

Foi visto vivo pela última vez por seus companheiros no dia 25 de dezembro de 1973.

Nos primeiros meses de 74 foi visto preso em três oportunidades por Amaro Lins, conforme depoimento deste prestado em Cartório de Belém/PA. Estava em bom estado de saúde, sendo que pela terceira vez foi visto quando era conduzido por um soldado que disse que o mesmo iria fazer uma viagem de avião, sem dizer para onde. Nesta mesma época, foi visto preso com o pé machucado, na Delegacia de Xambioá, conforme depoimento de moradora que não quis se identificar. Segundo depoimento de Joaquina Ferreira da Silva, também moradora em Xambioá, o mesmo estaria enterrado no Cemitério da cidade.

O Relatório do Ministério da Marinha diz que Daniel “Participou de destacamento de subversivos em Esperancinha, Gameleira, Pau Preto, tendo se dispersado do grupo foi preso em Araguaiana… Morto em 28 de junho de 1974”.

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Dirigente do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB).

Filho de José Capistrano da Costa e Cristina Cirila de Araújo, nascido em 16 de novembro de 1913, em Boa Viagem, Ceará.

Desapareceu desde 1974 com 61 anos de idade.

Casado com Maria Augusta de Oliveira, tinha três filhos.

Participou do Levante de 1935, como sargento da Aeronáutica, sendo expulso das Forças Armadas e condenado, à revelia, pelo Estado Novo, a 19 anos de prisão.

Participou da Guerra Civil Espanhola como combatente das Brigadas Internacionais e da Resistência Francesa, durante a ocupação nazista. Preso em um campo de concentração alemão, foi libertado e regressou ao Brasil em 1941.

Em 1945 foi anistiado e, em 1947, eleito Deputado Estadual em Pernambuco.

Entre 1958 e 1964 atuou na política pernambucana e dirigiu os jornais “A Hora” e “Folha do Povo”. Com o golpe militar, entrou na clandestinidade e asilou-se na Checoslováquia, em 1971.

Retornou ao Brasil em 1974, atravessando a fronteira em Uruguaiana, Rio Grande do Sul, em um taxi de propriedade de Samuel Dib, que o hospedou em sua casa.

David Capistrano foi seqüestrado juntamente com José Roman no dia 16 de março de 1974, no percurso entre Uruguaiana e São Paulo. Sua bagagem foi vista por presos políticos no DOPS de São Paulo, o que indica a passagem de David por aquele departamento policial.

Em março de 1978, o Superior Tribunal Militar reconheceu sua prisão, afirmando entretanto sua libertação após uma semana, sem esclarecer as condições.

Julgado à revelia e absolvido pela Justiça Militar, em setembro de 1978, juntamente com 67 pessoas acusadas de reorganizar o PCB.

O documento n° 203/187 DOPS/RJ afirma: “Segundo anotações neste Departamento em 16 de setembro de 1974, David Capistrano da Costa, encontra-se preso há quatro meses, sendo motivo da Campanha da Comissão Nacional Pró-Anistia dos Presos Políticos”.

No Relatório da Marinha consta a seguinte informação sobre David: “… tendo sido preso na Unidade de Atendimento do Rocha, em SP”. Seria o Hospital Psiquiátrico de Franco da Rocha?

De Maria Augusta, sua companheira:

“David, em 1972, foi para a Europa, uma vez que a situação política do país não permitia sua permanêcencia no Brasil. Desde 1965 sofria perseguições políticas, mas a partir de 1972 não foi mais possível ficar no Brasil. Durante o tempo em que esteve fora do Brasil era difícil manter contato, mas a família sabia que pretendia voltar. Em março de 1974 fomos avisados de que voltaria ao Brasil. Certa manhã, no mês de março, minha filha, Maria Carolina, chegou em casa muito preocupada informando que a família de José Roman havia avisado que David e José Roman haviam saído do Rio Grande do Sul em direção a São Paulo e não se tinha mais notícias deles.

Imediatamente fui à imprensa para denunciar o fato. Somente agora soube pela esposa de José Roman que certo indivíduo que trabalhava em um posto de gasolina contou há pouco tempo que David e José Roman estiveram no posto de gasolina deixando escrito seus nomes em um papel porque desconfiavam que estavam sendo seguidos.

Na mesma ocasião desapareceram Hiran Pereira, Luis Maranhão Filho, João Massena e Jaime Miranda. Os familiares desses desaparecidos começaram a se reunir no escritório do advogado Modesto da Silveira, no Rio de Janeiro, e em seguida outros familiares de desaparecidos nos procuraram e começamos a agir coletivamente. Começamos a procurar movimentos organizados da sociedade, pedindo apoio, tendo conseguido na época que Tristão de Athaíde, furando o bloqueio da censura, publicasse um artigo sobre os desaparecidos. O título era: “Os esperantes”.

Estive em todos os órgãos de repressão em busca de David sendo sempre negada a prisão do mesmo. Em certa ocasião fui ao DOI-CODI da Barão de Mesquita acompanhada da irmã de David, pessoa com grande semelhança física com ele. O oficial que nos atendeu, embora negasse sua prisão e desconhecesse a identidade de sua irmã, traiu-se ao perguntar à mesma se era irmã de David. Tenho certeza pela reação do oficial que ele estava preso na Barão de Mesquita nessa ocaisão.

Naquela époc

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Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR).

Esteve na lista de desaparecidos até 13 de agosto de 1991, quando seus restos mortais foram identificados e trasladados para sua cidade natal.

Nascido em 9 de dezembro de 1942, na cidade de Votuporanga, SP, era filho de Antônio Casemiro e Maria Casemiro.

Trabalhador rural, desenvolvia trabalho político no sul do Pará, onde cuidava de um sítio próximo a Imperatriz, Maranhão. Localizado e preso pelo Delegado Sérgio Fleury, em fins de abril de 1971, foi trazido para o DOPS/SP, onde foi torturado por quase um mês. Durante esse período, era sempre transportado pelos corredores daquele órgão policial com um capuz cobrindo seu rosto, para impossibilitar sua identificação pelos demais presos. Um desses presos era Waldemar Andreu, conterrâneo de Dênis, que chegou a conversar com ele por alguns minutos. Ele estava confiante de que a retirada do capuz era um sinal de que as torturas acabariam e que o perigo de ser assassinado havia passado.

Mas foi fuzilado pelo próprio Delegado Fleury, em 18 de maio de 1971. Em relatório interno do DOPS, é narrada com sarcasmo a morte de Dênis. Segundo um dos torturadores, Dênis pediu para não ser morto, chegando a chorar. A seguir descreve a ten-tativa de fuga e os tiros pelas costas desferidos pelo policial. Este relatório, posteriormente, foi mostrado pelos policiais a alguns presos, como ameaça de que algo igual poderia acontecer com aqueles que não colaborassem. A requisição de exame feita pela polícia para que o IML procedesse à necrópsia, relata a tentativa de fuga seguida de morte. Segundo a polícia, Dênis teria tomado a arma de um policial e morreu ao travar um tiroteio com as forças de repressão. Seu corpo, no entanto, teria sido encontrado no pátio do IML, que procedeu à sua necrópsia. No laudo necroscópico, realizado pelos legistas Renato Cappelano e Paulo Augusto de Queiróz Rocha, apenas está descrita a trajetória das balas que o mataram, sem nada falar sobre o estado do corpo. Preocupados em legitimar a versão policial, ignoraram as torturas sofridas pelo preso.

Dênis foi enterrado secretamente com os dados pessoais alterados para dificultar sua identificação. No livro de registro de sepultamentos do cemitério ele teria 40 anos e demais dados ignorados. Na realidade tinha 28 anos e todos os seus dados constavam do atestado de óbito. Sua história passou a ser desvendada a partir da campanha pela Anistia, em 1979, quando foram tomados relatos de ex-presos políticos.

Seus restos mortais encontravam-se na Vala de Perus, juntamente com outras 1049 ossadas. Só foi possível a identificação de seus restos mortais porque a prefeita Luíza Erundina, a partir de 1990, determinou as investigações das ossadas encontradas.

No dia 13 de agosto de 1991, seus restos mortais, depois de identificados na UNICAMP, foram enterrados em Votuporanga, como herói, velado na Câmara Municipal da Cidade e com missa de corpo presente na Igreja Matriz.

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em Salvador/BA no dia 16 de fevereiro de 1945 e era filho de Carlos Gentil Pereira e Francisca das Chagas Pereira.

Desaparecido desde 1974 na Guerrilha do Araguaia aos 29 anos.

Concluiu o curso secundário no Colégio Estadual de Salvador.

Em 1965 ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia. Foi diretor do Centro Acadêmico da Faculdade. Em 1969 foi atingido pelo Decreto 477, sendo expulso. Foi, então, estudar na PUC/BA, onde concluiu o curso, chegando a trabalhar como advogado em Salvador.

Em 1971, foi processado e condenado à revelia pela Auditoria Militar de Salvador por sua atuação política. Foi viver clandestinamente na região do Araguaia, na localidade chamada Metade, pertencendo ao Destacamento A.

Conseguiu escapar da emboscada do dia 14 de outubro de 1973, quando foram feridos e presos André Grabois, Divino Ferreira de Souza, João Gualberto e Antônio Alfredo Campos, desaparecidos.

Em 1974 foi preso na casa de uma moradora da região do Araguaia de nome Nazaré Rodrigues de Sousa, segundo depoimento de José da Luz Filho, também morador da região.

O Relatório do Ministério da Marinha diz que “Dermeval foi morto em 28 de março de 1974.”

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em 22 de março de 1949 em Vitória da Conquista, Estado da Bahia, filha de Antônio Pereira de Santana e Junília Soares Santana.

Desaparecida desde 1973 na Guerrilha do Araguaia, aos 25 anos.

Concluiu o curso primário e secundário no Instituto Regis Pacheco, em Jequié e, em 1969, iniciou o curso de Geografia na Pontifícia Universidade Católica de Salvador. Participou do movimento estudantil e fazia parte da Comissão Executiva do Diretório Central dos Estudantes da sua Universidade.

Trabalhou na Sadia, hoje Transbrasil, até início de 1971. Estava decidida a lutar contra a ditadura e defender os ideais de justiça. Decidiu, então, participar do movimento guerrilheiro, indo para o Araguaia com seu marido Vandick Reidner Pereira Coqueiro (desaparecido).

O Relatório do Ministério do Exército diz que ela “utilizava os codinomes Dinorá e Maria Dina, tendo sua carteira de identidade n° 792454-SSP/BA apreendida em um ‘aparelho rural’ do PC do B. Atuava na área de Xambioá e Marabá.” O Relatório do Ministério da Marinha diz que ela foi “morta em 8 de abril de 1974”. Seus companheiros a viram viva e em liberdade pela última vez em 30 de dezembro de 1973. Segundo informações de moradores da região foi aprisionada por tropas do Exército.

A história do DA GEO

Estudante de Geografia da UCSal, fundadora do diretório acadêmico e membro da comissão executiva do DCE, filha de Antônio Pereira Santana e Junília Soares Santana, nasceu em 22 de março de 1949 em Vitória da Conquista, Bahia. Desapareceu em 1973, na Guerrilha do Araguaia, aos 25 anos de idade.

DINAELZA COQUEIRO, assim como centenas de outros jovens de sua época, estava decidida a lutar contra a ditadura militar e defender os ideais de justiça e liberdade. Foi assim que decidiu participar do movimento guerrilheiro, indo para o Araguaia com seu marido Vandick Reidner Pereira Coqueiro (também desaparecido).

Que os ideais de DINAELZA estejam sempre vivos entre nós. E que os mesmos nos motivem sempre a continuar lutando por um Brasil mais justo, igualitário, livre e democrático.

DA GEO DINAELZA COQUEIRO

Gestão GEOGRAFIA PARA GEOGRAFIA

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em Argoin, município de Castro Alves, Estado da Bahia, em 16 de maio de 1945, filha de Viriato Augusto Oliveira e Elza Conceição Bastos. Desaparecida desde 1973, na Guerrilha do Araguaia, aos 29 anos.

Estudou em Salvador, sendo formada em Geologia pela UFBa, em 1968. Participou do movimento estudantil em Salvador nos anos 67 e 68, tendo sido presa.

Conheceu Antônio Carlos Monteiro Teixeira (desaparecido), colega de turma, com quem se casou em 69, em Salvador. No mesmo ano mudaram-se para o Rio de Janeiro, indo trabalhar no Ministério das Minas e Energia e em maio de 1970 ambos foram para a região do Araguaia. Atuou como professora, parteira e foi a única mulher da guerrilha a ocupar o cargo de vice-comandante de Destacamento, o C.

Destacou-se na Guerrilha por sua habilidade militar, escapando várias vezes dos cercos do inimigo. Ex-guerrilheiros presos na época comentam que era temida pelos militares. Tornou-se uma figura lendária por ser exímia atiradora. A última vez que foi vista viva e em liberdade pelos seus companheiros foi no dia 25 de dezembro de 1973, desaparecendo após o tiroteio que houve no acampamento, onde estava gravemente enferma.

Em comentários de vários moradores da região, teria sido presa na Serra das Andorinhas. O ex-deputado federal e um dos comandantes das operações do Exército na região, Sebastião Curió, diz que ela foi a última guerrilheira morta após quatro meses de perseguição.

Depoimento do coronel da Aeronáutica Pedro Cabral à revista “Veja” de 13 de outubro de 1993 e à Comissão de Representação Externa da Câmara Federal, faz referência a uma guerrilheira grávida que teria sido morta. Há também comentários de moradores da região que fazem referência à gravidez em estado adiantado de Dina.

O Relatório do Ministério da Marinha diz que ela teria sido morta em julho de 1974.

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em 12 de setembro de 1942 em Caldas Novas e registrado em Mossâmedes, Estado de Goiás, filho de José Ferreira de Souza e Maria Gomes de Souza.

Desaparecido desde 1973, na Guerrilha do Araguaia, aos 30 anos.

De família pequena, tinha apenas uma irmã, Terezinha. Foi para Goiânia em 1947, com 5 anos. Ele era uma criança, aos 8 anos quando começou a trabalhar, vendendo jornal. Depois foi trabalhar no comércio.

Estudava no Colégio Comércio de Campinas. Participou de várias greves estudantis.

Em 1961, era membro da União Goiana dos Estudantes Secundaristas. Era um idealista: sonhava com um país mais justo e igual. Preocupava-se muito e defendia o homem do campo.

Saiu de Goiânia no dia 28 de janeiro de 1966, e nunca mais voltou. Em 1967 esteve na China e na Albânia, regressando clandestinamente ao Brasil, foi viver no interior de Goiás e posteriormente no Araguaia, trabalhando como comerciante e agricultor, na região de Brejo Grande e integrando o Destacamento A.

Foi ferido numa emboscada das Forças Armadas no dia 14 de outubro de 1973, juntamente com André Grabois, Antônio Alfredo Campos e João Gualberto, na roça de Antonio Alfredo, às margens do Rio Fortaleza.

Depoimentos de moradores da região dizem que seus corpos foram enterrados no mesmo local onde morreram e que, nesta roça, anos depois, havia sido encontrada uma arcada dentária.

O Relatório do Ministério da Marinha diz que Divino teria morrido em 14 de dezembro de 1973, ou seja, 2 meses após ser ferido na referida emboscada.

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Filho de José Porfírio de Souza, líder camponês que comandou a rebelião em Trombas do Formoso, na década de 60, em Goiás, também desaparecido.

Um de seus irmãos, Manoel Porfírio de Souza, foi preso político durante muitos anos em São Paulo, membro da CFMDP, atuou desde sua libertação na denúncia do desaparecimento do pai e irmão e dos crimes cometidos pela ditadura. Faleceu tra-gicamente num acidente de carro em 1994.

Durvalino foi preso em abril de 1964 e torturado a fim de que informasse onde estava escondido seu pai. Como conseqüência dessas torturas, Durvalino enlouqueceu, sendo internado em um manicômio, em Goiânia.

Desapareceu, inexplicavelmente, do manicômio, em 1973.

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Nasceu em 28 de fevereiro de 1941 em Bom Jardim, Estado de Pernambuco, filho de José Geraldo Duarte e Maria Francisca Duarte.

Desaparecido desde 1973, com 30 anos de idade.

Após terminar o 2° grau, Edgard ingressou na Marinha, tendo realizado vários cursos. Chegou a Cabo do Corpo de Fuzileiros Navais.

Participou, em 1964, da Associação de Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil, opondo-se ao golpe militar. Em conseqüência de sua destacada atuação na famosa revolta dos marinheiros, em 04 de junho de 1964, foi obrigado a se exilar no México. Mais tarde viajou para Cuba. Retornou ao Brasil em outubro de 1968 e viveu clandestino em São Paulo até sua prisão, em 03 de junho de 1971, realizada pelo DOI-CODI/SP.

No livro “Brasil Nunca Mais”, há a seguinte informação sobre Edgard: “Entrou em contato com seus pais em Recife, permaneceu dois meses em Bom Jardim (PE) e depois foi para São Paulo, onde montou uma imobiliária com um amigo. (…) Sempre trabalhando, não tinha contato com antigos companheiros. Certo dia, encontrou-se com o Cabo Anselmo que lhe disse ter chegado de Cuba, estando sem trabalho e moradia. Edgard o levou para morar em seu apartamento. No Natal de 1970, junto com o Cabo Anselmo e sua noiva foi ao Rio de Janeiro.

Em 1971 foi preso, na sua casa à Rua Martins Fontes, 268 – apto. 807, em São Paulo, sendo levado imediatamente para o DEOPS-SP, onde ficou à disposição da equipe do delegado Sérgio Fleury, sendo torturado.

Após a fase de torturas, ficou indefinidamente preso na cela de n° 4 do “fundão” (conjunto de celas individuais, isoladas).

Do dia de sua prisão até o mês de junho de 1973, Edgar esteve preso em vários órgãos de repressão política. Durante todo esse período, conviveu com diversos presos políticos, contando sua vida de prisão e torturas. Edgard dizia ter tido uma entrevista com um oficial do Exército que lhe dissera que seu caso estava à disposição do CIEx.

Edgar esteve preso no DEOPS-SP, DOI/CODI-SP, DOI-CODI/Brasília e Batalhão de Caçadores de Goiás.

Visto pela última vez em junho de 1973, no DEOPS-SP, estava barbudo, cabeludo, e muito debilitado fisicamente. Os carcereiros o retiravam da cela no Fundão do DOPS/SP e o levavam para um corredor. Lá diziam que ele deveria tomar sol porque, em breve, seria libertado. Mas era tudo uma farsa. O próprio Edgard rapidamente comentava com os outros presos: “Eles vão me matar e dizem que eu vou ser libertado.”

Numa dessas vezes, ele foi conduzido encapuçado para a carceragem, onde foi espancado e um de seus algozes gritou: “Você mexeu com segredo de Estado, você tem que morrer”.

Nos corredores do DOPS/SP, havia comentários de que ele teria descoberto “a dupla militância do Cabo Anselmo”, agente policial infiltrado nas organizações de esquerda e responsável por uma série de prisões e assassinatos de ativistas políticos. Isto ficou evidenciado com a queda de um grupo de militantes da VPR onde foram presos, torturados e assassinados seis integrantes da organização sob o comando do delegado paulista Sérgio Fleury. Tudo como conseqüência do trabalho do infiltrado ex-cabo Anselmo. Uma das testemunhas da delação deste alcagüete foi um dos sobreviventes, Jorge Barret Viedma, irmão de Soledad Viedma, que esteve no DOPS/SP, com quem Edgard confirmou essa informação.

Em julho de 1973, o advogado Virgílio Lopes Enei entrou com um pedido de Habeas Corpus em favor de Edgard. O Dr. Alcides Singilo, delegado do DOPS/SP informou que Edgard já havia sido libertado e, quando sua informação foi desmentida pois Edgard não entrou em contato com ninguém da família, ele retrucou: “Talvez ele tenha medo de represálias dos elementos de esquerda e por isso tenha evitado contatos com a família ou talvez já tenha sido morto por esse pessoal.”

A prisão e “desaparecimento” de Edgard foram testemunhados por todos os presos políticos que se encontravam recolhidos nos órgãos por onde passou. Entre as muitas testemunhas de sua prisão estão José Genoino Neto, Ivan Akselrud Seixas, Manuel Henrique Ferreira, Maria Amélia de Almeida Teles, Cesar Augusto Teles.

No Relatório do Mini

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Militante do MARX, MAO, MARIGHELLA, GUEVARA

(M3-G).

Nascido a 04 de novembro de 1914, em São Paulo, filho de Tomás Benedito Moura Camargo e Maria da Penha Amaral Vilaça. Desaparecido, desde 1973, aos 57 anos.

Jornalista, solteiro. Negro, forte, esteve envolvido nas lutas de Porecatu de 1951 a 1953.

Banido do Brasil, em janeiro de 1971, quando do seqüestro do embaixador suíço no Brasil, indo para o Chile juntamente com outros 69 presos políticos. Após o golpe que derrubou Salvador Allende, fugiu para a Argentina, desaparecendo em 11 de julho de 1974, quando tentava entrar clandestinamente no Brasil, juntamente com outros banidos.

No Relatório do Ministério da Marinha há a seguinte informação sobre Edmur: “Jun/75, preso por autoridades brasileiras e argentinas quando seu avião fez pouso em Buenos Aires, em viagem do Chile para o Uruguai.” Usava o nome falso de Henrique Vilaça.

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Militante da AÇÃO POPULAR MARXISTA-LENINISTA (APML).

Desaparecido desde 1974 quando contava 26 anos de idade.

Natural de Recife, Pernambuco, nasceu a 5 de dezembro de 1948, filho de Eduardo Collier e Rizoleta Meira.

Era estudante da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia, cassado pelo Decreto-lei 477.

Foi indiciado em inquérito policial pelo DOPS, em 12/10/68, por ter participado do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna

Preso no Rio de Janeiro, em 23 de fevereiro de 1974, juntamente com Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira, por agentes do DOI-CODI/RJ. Desde, então, está desaparecido.

No Arquivo do DOPS/PR , pesquisado em 1991 pela CFMDP, o nome de Eduardo aparece em uma gaveta identificada como: “falecidos”.

O Relatório do Ministério do Exército diz que, “conforme reportagem veiculada no Jornal de Brasília, em sua edição do dia 31 de outubro de 1975, o nominado teria sido preso em 23 de janeiro de 1974, no estado do Rio Grande do Sul, após permanecer por um longo período foragido da Justiça Militar. Em setembro de 1972 foi condenado a 2 anos de prisão pela Auditoria do Conselho de Justiça da Aeronaútica.” Já o Relatório do Ministério da Marinha diz que “desapareceu quando visitava parente na Guanabara. Na época respondia processo por atividades políticas na 2ª Auditoria Militar de São Paulo.”

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em 16 de abril de 1946, no Rio de Janeiro, filho de Edgar Corrêa e Irene Guedes Corrêa.

Desaparecido desde 1974 na Guerrilha do Araguaia aos 28 anos.

Estudante da Escola de Medicina e Cirurgia no Rio de Janeiro,, cursando até o 3° ano. Participou do movimento estudantil.

Casado com Telma Regina Cordeiro Correa, também desaparecida, e, juntos, foram para a região do Araguaia em fins de 1971. Sua irmã Maria Célia Corrêa também é desaparecida na guerrilha do Araguaia.

Foi visto pela última vez por seus companheiros no dia 25 de dezembro de 1973. Segundo o depoimento de um camponês da região, foi morto pelas forças da repressão na localidade de Carrapicho.

O Relatório do Ministério da Marinha diz que Elmo “foi morto em 14 de maio de 1974”, sem esclarecer outros detalhes de sua morte.

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Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB).

Nasceu em 26 de agosto de 1913, na cidade de Prata, Minas Gerais, filho de João Soares da Costa e Maria Novais Costa. Desaparecido em 1975, em São Paulo.

Casou-se com Aglaé de Souza Costa.

Era o responsável pelo setor de agitação e propaganda do PCB.

Na manhã do dia 15 de janeiro de 1975, Elson foi preso no bar ao lado de sua casa, onde havia ido tomar café. Alguns vizinhos tentaram protestar contra a ordem de prisão dada por seis homens, pois, para eles, quem estava sendo preso era o aposentado Manoel de Souza Gomes que vivia na Rua Timbiras,199, bairro de Santo Amaro, em São Paulo.

Segundo o depoimento do ex-sargento do Exército, Marival Dias Chaves do Canto, do DOI-CODI/SP, publicado na Revista “Veja” de 18 de novembro de 1992, Elson foi levado para uma casa em Itapevi, centro clandestino da repressão ligado ao DOI-CODI/SP, onde foi submetido a todo tipo de tortura. Seu corpo foi banhado em álcool, queimado e afogado no rio Avaré.

Sem notícias de Elson, desde seu desaparecimento em 1975, apesar das buscas, sua família conseguiu, na justiça, anos depois, um atestado de morte presumida. Sua irmã Zailde, exprime assim sua dor: “sempre tive um pouco de esperança de que ele poderia aparecer vivo, mas depois de tantos anos é triste parar de acreditar nisso”.

O Relatório do Ministério do Exército diz que “no dia 26 de fevereiro de 1975, seu irmão Oswaldo Costa esteve no QG do II Exército para informar que o mesmo usava o nome falso de Manoel de Sousa Gomes e que teria sido levado pelos ocupantes de dois veículos tipo ‘Veraneio’, no dia 16 de janeiro de 1975. Segundo ele, o fato teria sido testemunhado pelo proprietário de um bar e noticiado pelos jornais como sendo o seqüestro de um rico comerciante. A ocorrência teria sido registrada no 11° DP, conforme BO N° 315/75 e tendo ocorrido na rua Timbiras, 199, em Santo Amaro/SP”.

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Desaparecido aos 18 anos de idade.

Argentino, estudante de Veterinária na Faculdade de Agronomia de Buenos Aires.

Conheceu Joel José de Carvalho (desaparecido), em 1973, em Buenos Aires e com seu grupo entrou clandestinamente no Brasil, pela fronteira com a Argentina.

Enrique saiu de Buenos Aires em 11 de julho de 1974 e nunca mais foi visto.

Ver mais detalhes na nota de Edmur Péricles Camargo.

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Nasceu em João Pessoa, Paraíba, a 24 de dezembro de 1944, filho de Simplício Bezerra da Rocha e Antônia Bulhões Bezerra. Fez o curso secundário no antigo Colégio Estadual de Pernambuco.

Geólogo, formado pela UFPE, preparava-se para fazer pós-graduação em Geofísica, na Bahia, quando foi preso e desaparecido em 1972.

Preso junto com sua mulher, em 11 de março de 1972, Guilhermina Bezerra da Rocha, e juntos levados para local ignorado, onde passaram a ser torturados.

Guilhermina foi solta no dia seguinte.

Dois dias após o seu desaparecimento, saiu uma notícia no jornal, que no Município de Escada, na barragem do Bambú do Engenho Massauassu, havia sido encontrado um corpo totalmente mutilado, com inúmeros sinais de tortura. De acordo com as características físicas, identificava-se com as de Ezequias.

Tal notícia levou seus familiares quase ao enlouquecimento. A angústia tornava aqueles momentos mórbidos.

A família, quando procurou identificar aquele cadáver, foi impedida pela polícia, que dizia tratar-se de pessoa já identificada por outra família, embora nem essa família nem o local onde foi enterrado aquele corpo tenham sido encontrados.

Em março de 1991, foi instituída a Comissão de Pesquisa e Levantamento dos Mortos e Desaparecidos Políticos, pelo Governo Carlos Wilson, de Pernambuco.

Esta Comissão, analisou, entre centenas de prontuários do DOPS do Recife, os de Ezequias. Ao encontrar um ofício, encaminhando um corpo ao IML, procedente do Município de Escada/PE e no qual em seu verso havia as impressões digitais do cadáver e com traços físicos semelhantes aos de Ezequias, solicitou ao Secretário de Segurança Pública de Pernambuco, que fossem confrontadas, através de perícia, as impressões digitais (estudo dactiloscópico), existentes no Registro de Identificação de Ezequias, com as existentes no referido ofício que encaminhou o corpo encontrado no Município de Escada para o IML de Recife.

As impressões digitais do corpo encontrado em Escada/PE, no dia 12 de março de 1972, são ‘idênticas’ às da carteira de identificação de Ezequias.

No Relatório do Ministério da Aeronáutica consta que foi “preso pelo DOI/IV Ex., no dia 11 de março de 1972, tendo sido encontrado em seu poder farto material subversivo. Na noite do mesmo dia, foi conduzido para a região da Cidade Universitária (BR/232), a fim de cobrir um ‘ponto’, tendo sido nesta ocasião resgatado por seus companheiros de subversão, os quais o conduziram num VW1300, cor branca, placa não identificada, apesar de todas as tentativas dos agentes de segurança no sentido de detê-lo, o que ocasionou forte tiroteio de ambos os lados; entretanto não há dados que comprovem se o mesmo encontra-se morto ou desaparecido.”

Já o Relatório do Ministério da Exército diz que “foi preso em 11 de março de 1972, pelo DOI/CODI do IV Exército, no mesmo dia de sua prisão foi conduzido à Cidade Universitária de Recife a fim de cobrir um ponto, oportunidade em que foi resgatado por seus companheiros, após intenso tiroteio.Uma reportagem veiculada no Jornal do Brasil, em sua edição de 2 de outubro de 1991, afirma que uma perícia datiloscópica, realizada pelo Instituto de Polícia Técnica de Recife, comprovou que as impressões digitais de corpo com identidade desconhecida encaminhado ao Instituto Médico Legal, em 12 de março de 1972, “pertenciam ao nominado”.

Declarações de sua esposa Guilhermina (já falecida):

“Quando voltávamos para casa na sexta-feira, dia 11 de março de 1972, por volta de 1 hora da manhã, estavam nos esperando homens armados de metralhadora. Ficamos abismados. Sem armas, sem qualquer proteção e desprovidos de qualquer maldade, fomos presos. Invadiram nossa residência, vasculhando-a integralmente e deixando tudo na maior desordem. Levaram nossa máquina de escrever. Colocaram capuz em cada um de nós, em seguida nos puseram em carros diferentes (antes de sermos encapuzados, vimos tratar-se de carros tipo Rural Willys) e nos conduziram para local que nós ignoramos qual fosse. Quando chegamos ao local, Quias disse:

– Posso ver minha esposa?

– Não – respondeu alguém com

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Militante do MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO 8 DE OUTUBRO (MR-8).

Filho de José Escobar Sobrinho e Emília Gomes Escobar, nasceu no dia 23 de março de 1923 em Miracema/RJ.

Desaparecido desde 1971, quando contava 47 anos de idade.

Servente de pedreiro e ex-militante do PCB.

Preso em Nova Iguaçu/RJ, na casa de um companheiro, João Joaquim Santana, em Outubro de 1971.

O ex-preso político Cesar Queiroz Benjamim afirma que viu Félix chegar preso à Vila Militar no Rio de Janeiro.

Em matéria publicada no jornal “Folha de São Paulo”, em 28 de janeiro de 1979, um general, com responsabilidade dentro dos órgãos de repressão política, assumiu a morte de Félix e de mais 11 presos considerados desaparecidos.

O Relatório do Ministério do Exército diz que “os dados apenas confirmam que já foi preso por atividades terroristas e que freqüentava a pedreira de Xerém em Duque de Caxias/RJ, junto com outros.”

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Militante da AÇÃO POPULAR MARXISTA-LENINISTA (APML)

Nasceu a 20 de fevereiro de 1948, em Recife, Pernambuco, filho de Lincoln de Santa Cruz Oliveira e Elzita Santos de Santa Cruz Oliveira.

Desaparecido desde 1974, quando contava 26 anos de idade.

Era casado com Ana Lúcia e tinha um filho: Felipe.

Foi preso junto com Eduardo Collier Filho, em 23 de fevereiro de 1974, em Copacabana, no Rio de Janeiro, por agentes do DOI/CODI-RJ. Logo em seguida, seu apartamento foi invadido pelos órgãos da repressão.

Em 14 de março de 1974, buscando saber do paradeiro de Fernando e Eduardo, as duas famílias foram ao DOI-CODI/SP, cujo carcereiro de plantão, conhecido como “Marechal”, confirmou que os dois jovens estavam presos ali, só podendo receber visitas no domingo, dia 17. Foram deixados, então, para eles, objetos de uso pessoal.

Posteriormente, esses objetos foram devolvidos, com a justificativa de que se tratava de um engano, pois os dois não estavam presos ali.

A família e os advogados de Fernando apelaram a várias autoridades nacionais e internacionais e nada conseguiram.

No Arquivo do DOPS/SP, a ficha de Fernando consta: “Nascido em 1948, casado, funcionário público, estudante de Direito, preso no RJ em 23/03/74”.

No Relatório do Ministério da Marinha, consta que “foi preso no RJ em 23/02/74, sendo dado como desaparecido a partir de então.”

Carta enviada pela mãe de Fernando ao Ministro da Justiça:

“Exmo. Sr. Ministro Armando Falcão

Ministério da Justiça – Brasília, Distrito Federal

Olinda, Pernambuco, 7 de fevereiro de 1975

Sou mãe de Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira e fui surpreendida com a Nota Oficial do Ministério da Justiça, divulgada em 6 de Fevereiro pela imprensa falada e escrita, em que são prestadas informações sobre 27 pessoas dadas como desaparecidas com os respectivos registros constantes dos órgãos de segurança.

Entre as pessoas desaparecidas encontra-se meu filho, fato ocorrido no dia 23 de fevereiro de 1974, na Guanabara, quando se encontrava com o seu amigo Eduardo Collier Filho conforme alegações apresentadas pelos seus advogados ao Superior Tribunal Militar.

Iniciou-se para nós a partir de sua prisão uma verdadeira maratona em busca de informações por este Brasil afora, desde os presídios civis e militares até os ministérios, no sentido de localizá-lo e ter a certeza da autoridade responsável pela sua custódia, a fim de que fosse permitido o acesso de advogado e familiares.

Apesar das negativas das autoridades responsáveis, as informações, fatos e indícios que obtivemos junto a pessoas e instituições indicam a sua prisão. Fatos estes, que foram já relatados minuciosamente a sua Excia. Sr. Ministro Golbery do Couto e Silva, em entrevista mantida em 7 de agosto de 1974, promovida pelo arcebispo de São Paulo, D. Paulo Evaristo Arns.

Quero informar-lhe Sr. Ministro que o teor da nota expedida por V. Excia no que se refere ao meu filho, perpetua a incerteza de seu destino, razão pela qual sinto-me na obrigação de assumir, na qualidade de mãe, sua defesa, já que ele não pode se manifestar. Mas faço também imbuída por princípios de justiça e de verdade que acredito serem postulados que devem nortear a conduta humana.

A afirmação ‘encontra-se na clandestinidade’ a ele atribuída nesta Nota Oficial é paradoxal e para contestá-la informo a V. Excia. que Fernando era funcionário do Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo, residia à rua Diana, 698, no Bairro de Perdizes – SP; tendo, portanto, residência e emprego fixos e sendo responsável pelo sustento material de sua esposa e filho.

Para maiores esclarecimentos do que afirmo, junto a esta recibo de aluguel em seu nome e contra-cheque do último pagamento referente ao mês de janeiro de 1974, e inclusive poderá ser verificado na repartição que trabalhava o seu cartão de ponto, marcando a sua presença sempre pontual até a véspera do seu desaparecimento.

Sr. Ministro da Justiça, diante de tais esclarecimentos pergunto: que clandestinidade seria esta que, repentinamente, transformaria um filho, respeitoso, carinhoso e digno em um ser

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em 11 de março de 1942, em Mirassol, no Estado de São Paulo, filho de Antônio Olímpio Maria e Rosa Cabello Maria.

Desaparecido desde 1973 na Guerrilha do Araguaia quando contava 31 anos.

Mudou-se para São Paulo onde estudou no Colégio Sarmiento. Pertenceu ao PCB e depois ao PCdoB.

Em 1961, viajou para a Checoslováquia a fim de fazer o curso de Engenharia. Dois anos depois retornou ao Brasil, juntamente com Osvaldo Orlando da Costa (desaparecido), de quem se tornara amigo. Trabalhou no jornal “A Classe Operária”, até o golpe militar em abril de 1964, quando passou a viver na clandestinidade.

Em 30 de dezembro de 1964, casou-se com Victória Grabois em Araraquara. Em seguida mudaram-se para Guaratinga (MT). Lá, juntamente com Paulo Rodrigues (desaparecido) e Osvaldão, tentaram organizar os camponeses na resistência à ditadura. Em 1965 foram obrigados a abandonar o trabalho por problemas de segurança. Em 1966, nasce seu filho Igor. Neste mesmo ano, ele foi para a China. Retornando ao Brasil, morou em diversos locais do interior, inclusive em Porto Franco, junto com João Carlos Haas (desaparecido) com quem mudou-se mais tarde para Caianos, localidade próxima ao Rio Araguaia. Na guerrilha atuava junto ao Comando e, posteriormente, foi comandante do Destacamento C junto com Dinalva – a Dina (desaparecida).

Com Paulo Rodrigues e outros companheiros fundaram o povoado de São João dos Perdidos, Distrito de Conceição do Araguaia.

Em 1980, os familiares dos mortos e desaparecidos estiveram neste local procurando informações, sendo recebidos com honrarias e carinho indescritíveis e profundamente comoventes, prova da estima que gozavam os guerrilheiros na região.

Em 25 de dezembro de 1973, foi desfechado violento ataque das Forças Armadas contra o acampamento guerrilheiro na Serra das Andorinhas, tendo Gilberto desaparecido desde então. Uma fonte militar que recusou-se a se identificar, afirmou que Gilberto teria sido metralhado.

O Relatório do Ministério da Marinha diz que Gilberto foi morto em 25 de dezembro de 1973, sem dar outros esclarecimentos.

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em 11 de julho de 1947, na cidade do Rio de Janeiro, filho de João Carlos Lund e Julia Gomes Lund.

Desaparecido, desde 1973, na Guerrilha do Araguaia com 26 anos.

Estudou no Colégio Militar do Rio de Janeiro e, posteriormente, no Colégio Santo Antônio Maria Zacaria, no Curso Vetor e na Faculdade de Arquitetura da UFRJ, cursando até o segundo ano.

Foi militante do movimento estudantil. Preso em 1968, acabou sendo condenado à revelia a 6 meses de prisão. Em 1969 foi residir em Porto Alegre, e em fevereiro de 1970, mudou-se para a localidade de Faveira na região do Araguaia.

Para Guilherme, a adaptação à vida no campo foi dura. Acostumado ao conforto, tudo era estranho e difícil. Devido à sua prática anterior em hipismo, dedicou-se com afinco ao ofício de ‘tropeiro’, sendo um dos melhores. Era também um excelente nadador. Ao iniciar-se a luta guerrilheira, Guilherme já era um excelente mateiro e caçador. Era um companheiro dedicado, sempre preocupado em ensinar aos menos experientes.

Era membro do Destacamento A das Forças Guerrilheiras e, posteriormente, foi deslocado para o destacamento C.

Em 25 de dezembro de 1973, encontrava-se no acampamento guerrilheiro, doente com malária, quando foi desfechado um violento ataque das Forças Armadas, e ele teria sido fuzilado.

O Relatório do Ministério da Marinha confirma a data de sua morte, sem outros esclarecimentos.

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Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR).

Nasceu em 13 de março de 1941 em Bebedouro, Estado de São Paulo, filha de Isaac Ferreira Caetano e Pascoalina Alves Ferreira.

Desaparecida desde 1971 aos 30 anos.

Professora universitária e diretora do “Grupo de Teatro da Cidade”, de Santo André, São Paulo.

Presa no Rio de Janeiro no dia 12 de julho de 1971, juntamente com Paulo de Tarso Celestino da Silva (desaparecido), por agentes do DOI-CODl/RJ.

Inês Etienne Romeu, em seu relatório sobre a “Casa da Morte”, em Petropólis, denuncia que Eleni esteve naquele aparelho clandestino da repressão no mês de julho de 1971, tendo sido torturada por três dias, inclusive com choques elétricos na vagina.

O Relatório do Ministério da Aeronáutica diz que Eleni foi “presa em 20 de outubro de 1970, em Poços de Caldas/MG, sendo libertada em 01 de abril de 1971…” Já o Relatório do Ministério do Exército afirma que “foi presa em 24 de abril de 1970 durante a Operação Bandeirantes e libertada a 1° de abril de 1971.”

De Ulisses Telles Guariba Netto:

“Casei-me com Eleni Ferreira Teles Guariba em 1962 e nos separaramos judicialmente em fins de 1969. Estudamos na Faculdade de Filosofia da USP-Departamento de Filosofia. Foi um longo namoro. Ambos militávamos na VPR. No final de 1969, após separar-me de Eleni, retirei-me do movimento.

Depois de separar-me vim morar na Rua Maria Antônia. Eleni foi morar nas Perdizes. Tínhamos, então, dois filhos, Francisco e João Vicente, que continuaram morando com a mãe. Eu sempre visitava meus filhos, semanalmente, mantendo, assim, também contatos com Eleni. No início de fevereiro de 1970, em um sábado à noite, Eleni me procurou para dizer que Olavo, seu namorado, tinha sido preso e me pedia auxílio, uma vez que meu pai era general reformado. Eleni pediu também que eu falasse com o Capitão Maurício da OBAN, uma vez que esse oficial havia, anos atrás, namorado com minha irmã, ainda mantendo relações de amizade comigo. Quando procurei Maurício, este confirmou que Olavo realmente estava preso e que era membro da VPR.

Meu pai foi à OBAN pedir que, ao menos, Olavo não fosse torturado, mostrando-se interessado na própria pessoa de Olavo. Com a prisão de Olavo, Eleni deixou a residência das Perdizes, deixando os filhos comigo. Nessa mesma época, mudei-me para a Rua José Antônio Coelho, na Vila Mariana, em São Paulo, em um anexo da casa de meus pais. No início de março daquele mesmo ano o pai de Olavo me procurou, desesperado e contou-me que os órgãos de segurança ameaçavam prendê-lo, bem como a sua esposa e os filhos, pois queriam que eles prestassem informações a respeito do paradeiro de Eleni.

Ela, por sua vez, estava escondida em Serra Negra. O pai de Olavo, contou-me também que, não resistindo às pressões, havia contado onde estava Eleni e que ela havia sido presa, naquele dia, no final da tarde. Diante disso eu e meu pai fomos à OBAN. Fomos, também, procurar o Capitão Maurício, que nessa época prestava serviços ao DOPS. Procuramos, também, delegados do DOPS e todos diziam que não podiam prestar informações a respeito de Eleni. Três dias após, eu e meu pai fomos ao DOPS, à noite, para encontrar Eleni, no Gabinete de Romeu Tuma, então um dos delegados do DOPS. Ela então contou que havia sido torturada pelo Capitão Albernaz. Tinha marcas roxas nas mãos e nos braços, provocadas por choques elétricos. Albernaz havia tido contato conosco antes de torturar Eleni. Fôra, em tal conversa, extremamente simpático. Eleni contou também que estava no início do período menstrual e que, com as torturas, havia tido uma hemorragia, que havia assustado os torturadores, que a haviam retirado da OBAN e enviado ao Hospital Militar, onde ficou 48 horas, tendo naquele dia, sido encaminhada para o DOPS.

Foi solta em fins de abril de 1971, por decisão da própria Justiça Militar.

Ao ser libertada, desejava viajar para o exterior. Ela tinha também a intenção de ajudar familiares de perseguidos e mortos. Ficou uns tempos na casa da mãe e na casa de amigos, enquanto se preparava para a tal viagem. Por volta do dia 25 de jul

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em Cerqueira Cesar, SP, no dia 19 de janeiro de 1944, filha de Adalberto de Assis Nazareth e Euthália Resende de Souza Nazareth.

Desaparecida, desde 1972, na Guerrilha do Araguaia, quando contava 28 anos. Integrante do Destacamento A das Forças Guerrilheiras. Este Destacamento passou a chamar-se Helenira Resende após sua morte.

Depoimento de Helenalda Rezende, sua irmã:

“Em que leito de rio correrá seu sangue?

Lenira , para uns … Preta para os colegas da USP … Nira entre os familiares, Fátima para os companheiros do Araguaia… Helenira foi, acima de tudo, uma cidadã brasileira consciente de seus atos, que empunhou a bandeira da justiça e da liberdade, lutando obstinadamente até a morte.

Nascida na pequena cidade de Cerqueira Cesar, próximo a Avaré, mudou-se para Assis aos 4 anos, onde cresceu, tendo concluído o Curso Clássico na EEPSG ‘Prof. Clibas Pinto Ferraz’. Participante da Seleção de basquete da cidade, sobressaiu-se como uma das melhores jogadoras da região da Alta Sorocabana, tendo também sido contemplada com várias medalhas no atletismo, na modalidade de salto à distância.

Dedicada ao estudo da teoria marxista, desde cedo sua presença se fez sentir como líder estudantil que, com posições avançadas defendia com firmeza suas propostas. Fundadora e lª presidente eleita do Grêmio Estudantil da Escola, já se pronunciava nos palanques e na Rádio Difusora de Assis, durante campanhas políticas dos candidatos que julgava dignos de seu apoio.

E desde então, ou talvez desde o berço, foi-se formando 1íder estudantil, grande oradora nos Congressos Estudantis e nas manifestações de rua dos anos 60. Foi vice-presidente da UNE, em 1968.

‘Estudante nota cem’ (depoimento de uma professora), ingressou na Faculdade de Filosofia da rua Maria Antônia, no Curso de Letras onde, através dos movimentos estudantis, passou a viver intensamente a vida política do país. Com seus alunos de Português de duas escolas estaduais, uma no Jardim Japão e outra em Guarulhos, preparava peças de teatro consideradas subversivas na época.

Helenira foi presa a primeira vez quando conclamava os colegas a participarem de uma passeata em maio de 1968, em São Paulo. E, no mesmo ano, mais uma vez foi presa, no 30° Congresso da UNE, em lbiúna com outros 800 estudantes. Nesta ocasião, quando o ônibus que os transportava passava pela Avenida Tiradentes, conseguiu entregar a um transeunte um bilhete que foi levado à sua residência à Rua Robertson, no Cambuci, avisando à familia de sua prisão. Procurada pelos policiais como Nazareth e apontada como sendo uma das líderes do movimento, foi transferida do Presídio Tiradentes para o DOPS onde caiu nas garras do famigerado Fleury, que a jurou de morte.

Uma outra mensagem foi entregue então, à sua familia avisando sua localização e a dos companheiros José Dirceu, Antônio Ribas, Luís Travassos e Vladimir Palmeira. A polícia continuava negando sua prisão, enquanto um policial não identificado atuava como mensageiro entre o DOPS e o Cambuci. Após alguns dias de ‘vai e vem’ ao DOPS, o contato direto com Helenira foi conseguido por intermédio da advogada Maria Aparecida Pacheco. Alguns dias depois a ‘estudante’, como era chamada pelo carcereiro, foi transferida para o Presídio de Mulheres do Carandiru, onde ficou detida por dois meses. Seu Habeas Corpus foi conseguido um dia antes da edição do AI-5. A partir de então passou a viver na clandestinidade, tendo residido em vários pontos da cidade e do país, antes de se dirigir ao Araguaia.”

Morta a golpes de baioneta, em 29 de setembro de 1972, depois de metralhada nas pernas e torturada. Enterrada na localidade de Oito Barracas.

No Relatório do Ministério da Marinha encontra-se a cínica “informação”de que se encontra foragida. No arquivo do DOPS/PR, o nome de Helenira consta em uma gaveta com a identificação: “falecidos”.

Declarações da ex-presa política Elza de Lima Monnerat, em Auditoria Militar, à época, afirmou que “… Helenira, ao ser atacada por dois soldados, matou um deles e feriu outro. Metra

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em 23 de novembro de 1949 no Rio de Janeiro, filho de Gerson Menezes Magalhães e Carmem Navarro de Magalhães.

Desaparecido, desde 1974, na Guerrilha do Araguaia quando contava 25 anos.

Estudante da Escola de Química e de Música, ambos os cursos na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Devido a dificuldades de continuar estudando após a decretação do AI-5, optou por abandonar a escola e foi viver no interior, próximo à Transamazônica.

Inicialmente, teve grandes dificuldades de adaptação, principalmente em cozinhar e calcular distâncias na mata. A primeira, superou com a prática e a segunda, contando passos e tempo. Isto valeu-lhe o apelido de ‘passômetro’ e a capacidade de calcular com grande precisão as distâncias. Edinho, como era conhecido no Araguaia, gostava muito de música, e na cidade tocava piano. Ao mudar-se para a mata, procurou adaptar seus conhecimentos musicais, tornando-se flautista.

Deslocou-se para a região do Araguaia em 3 de outubro de 1970. No dia 14 de janeiro de 1974, após combate entre seu grupo e as Forças Armadas, não foi mais visto. Provavelmente tenha sido preso.

O Relatório do Ministério da Marinha diz que “foi preso gravemente ferido, como terrorista, na região de Chega Com Jeito… Possibilidades de sobrevivência desconhecidas… Morto em 14/03/74.”

Atualmente, a família entrou com interpelação Judicial contra a União Federal e Ação de Reparação de Perdas e Danos.

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Dirigente do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB).

Nasceu em Caicó/RN em 3 de outubro de 1913, filho de Hilário Amâncio Pereira e Maria Marieta de Lima Pereira. Desaparecido, desde 1975, quando contava 61 anos.

Casado com Célia Pereira, tinha 4 filhas.

Preso, em 15 de janeiro de 1975, pelos órgãos de segurança está desaparecido desde então.

Em 20 de setembro de 1976 foi julgado à revelia pela 2ª Auditoria da Marinha.

No Relatório do Ministério do Exército consta que “em março de 1991, reportagem veiculada pelo Jornal do Brasil relata que, na abertura dos arquivos do DOPS/PE, os pesquisadores descobriram no prontuário do nominado um extrato bancário do dia 28/01/75, concluindo que esta provavelmente foi a data em que ocorreu sua morte.” No Relatório do Ministério da Marinha consta que em “abril/75, foi preso por agentes de segurança.”

Num documento encontrado no DOPS/RJ em 1992, identificado como DI/DGIE do RJ de 07/12/79 há a seguinte nota sobre Hiran: “Teve seus direitos políticos cassados por 10 anos em 20/02/67. Segundo documento aqui existente, teria sido preso em 15/01/75 e, em 26/06/75, estaria desaparecido conforme Manifesto publicado pelo M.D.B.”

No Arquivo do DOPS/PR, foi encontrado o nome de Hiran numa gaveta com a identificação: “falecidos”.

De sua filha Zodja Pereira:

“Tomei conhecimento por relatos de familiares e conhecidos que meu pai já tinha atividades políticas bem antes de meu nascimento. Sei que, em meados da década de 30, foi detido no Rio de Janeiro, onde prestava serviços ao Exército Nacional, servindo na P.E., tendo ficado preso nessa ocasião cerca de um ano. Em 1946, Hiram foi eleito Deputado Federal pelo Estado do Rio Grande do Norte, onde conseguiu uma das maiores votações na legenda do PCB. Logo a seguir foi cassado, junto com a legenda partidária, por ato do Governo Federal.

No ano de 1949, transferiu sua residência para Recife onde passou a ser um dos redatores do Jornal “Folha do Povo”, Órgão Oficial do Partido Comunista Brasileiro, de âmbito estadual. Concomitantemente passou a trabalhar como vogal numa das Juntas de Conciliação da Justiça do Trabalho sediada em Recife.

Participou ativamente de todas as campanhas eleitorais, tanto de caráter nacional, estadual como municipal. Por volta de 1958, Miguel Arraes foi eleito Prefeito do Recife, tendo convidado meu pai para exercer as funções de Secretário de Administração da Capital Pernambucana, permanecendo nesse cargo por mais duas administrações sucessivas dos Prefeitos Pelópidas e Liberato.

Em agosto de 1961, foi seqüestrado por agentes do IV Exército, ficando desaparecido por 10 dias, sendo que inicialmente, em local desconhecido e, posteriormente na Ilha de Fernando de Noronha. Após essa prisão retornou às suas funções de Secretário do Executivo Municipal de Recife e atuou como ator de Teatro no Grupo Profissional denominado ‘Teatro Popular do Nordeste’, estreando na peça de autoria de Ariano Suasuna ‘A pena e a lei’, com direção artística de Ermilo Borba Filho.

Após o golpe militar de 1° de abril de 1964, minha mãe Célia Pereira e minha irmã Sacha Lídice Pereira foram detidas, em Recife, em nossa residência como reféns por agentes do IV Exército, ficando presas no R.O., em Olinda. Os noivos de minhas irmãs, Ardigan e Nathanias, foram igualmente detidos. Meu pai estava clandestino na própria cidade de Recife, onde ficou até o ano de 1966, quando se transferiu para o Rio de Janeiro e, posteriormente, para a cidade de São Paulo.

Dessa data até o ano de 1975, meu pai teve intensa participação nos movimentos políticos contra a ditadura e em favor da liberdade e da justiça social, sendo que essas atividades foram exercidas no PCB e na qualidade de jornalista. Durante esse período, a par de suas atividades políticas partidárias, meu pai esteve sempre presente na vida familiar mantendo contato comigo, com minha mãe e as outras três irmãs,

Na passagem de ano de 1974 para 1975 mantive meu último contato com meu pai na residência de Sacha em São Paulo, no bairro de Campo Belo. Sei que minha mãe, com quem residia nesse período, manteve

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Militante da AÇÃO POPULAR MARXISTA-LENINISTA (APML).

Nasceu em 28 de março de 1947, em Itaberaí, Estado de Goiás, filho de Benedito Monteiro Guimarães e Maria Rosa Leite Monteiro Guimarães. Casado e tinha uma filha, Juliana.

Desaparecido desde 1973, quando tinha 26 anos.

Estudante brilhante, passou em 1º lugar geral no vestibular de 1965 da Universidade de Brasília, para o curso de Geologia. Foi presidente da extinta Federação dos Estudantes da Universidade de Brasília (FEUB) e, posteriormente, eleito presidente da UNE. Por ocasião do AI-5 foi desligado da universidade, como informa a nota à imprensa divulgada pelo Conselho Diretor da Fundação Universidade de Brasilia, presidido pelo reitor Caio Benjamin Dias, no dia 26 de setembro de 1968. A punição deveu-se à participação de Honestino no episodio da expulsão do professor Román Blanco pelos estudantes. Foi viver na clandestinidade. Época em que, os acontecimentos vieram também vitimar seu pai, falecido num acidente de trânsito (após ficar noites insone, dormiu no volante de uma Kombi…)

Foi preso no Rio de Janeiro, em 10 de outubro de 1973, tendo estado detido também no Pelotão de Investigações Criminais de Brasília e no CENIMAR – Centro de Informações da Marinha.

Sua prisão e desaparecimento foi denunciada pelos presos políticos de São Paulo em documento datado de 1976.

Antes de sua última prisão, Honestino escreveu aos companheiros: “a minha situação é de uma vida na clandestinidade forçada… sofri vários processos, alguns já julgados. (Eles mostram) com clareza o particular ódio e a tenaz perseguição da qual sou objeto… Por diversas vezes fui ameaçado de morte.”

Os Relatórios dos Ministérios Militares em nada esclarecem sobre sua prisão e desaparecimento.

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em Rubim, Minas Gerais, no dia 27 de Agosto de 1947, filho de Idalísio Soares Aranha e de Aminthas Rodrigues Pereira.

Desaparecido desde 1972 na Guerrilha do Araguaia quando tinha 25 anos.

Afetivo, carinhoso, observador e de pouca conversa – assim era o Idalísio cantador, seresteiro e tocador de violão.

Era o penúltimo de nove irmãos. Fez o curso primário em Rubim e o ginasial em Teófilo Otoni/MG, no Colégio São José. Em 1962, foi para Belo Horizonte, onde estudou até o 2° ano no Colégio Estadual e o 3° ano no ex-Colégio Universitário da UFMG. Em 1968 participou da “luta dos excedentes” por mais vagas na Universidade. Neste mesmo ano iniciou o Curso de Psicologia na UFMG.

Em 1970 casou-se com Walkíria Afonso Costa (desaparecida).

Foi eleito presidente do Centro de Estudos de Psicologia de Minas Gerais e do Diretório Acadêmico da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas em 1971. Numa homenagem póstuma, foi dado o nome de Idalísio Aranha ao Diretório Acadêmico da Faculdade

Em janeiro de 1971, Idalísio e Walkíria, decidiram mudar-se para o Araguaia, região do Gameleira. Como violeiro e cantador, conquistou rapidamente a simpatia daqueles com quem ele convivia. Pouco tempo viveu no Araguaia.

Em julho de 1972, seu grupo entrou em combate com uma patrulha do Exército, perto da Grota Vermelha, em decorrência do qual Idalísio perdeu-se do grupo. Em 12 de julho de 1972, em Perdidos, a 9 léguas a Oeste de Caianos, Idalísio foi emboscado e morto, segundo documento dos Fuzileiros Navais entregue à Comissão de Representação Externa da Câmara Federal, em 1992.

O Relatório do Ministério da Marinha diz que Idalísio foi morto em uma localidade de nome Peri, “por ter resistido ferozmente”.

Na mesma época em que Idalísio foi morto no Araguaia, a casa de seus pais em Belo Horizonte foi invadida por policiais que acusavam a ele e Walquíria de pertencerem ao PC do B.

Em julho de 1973, depois de morto, foi condenado à revelia à pena de prisão pela Justiça Militar.

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Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN).

Nasceu em 23 de novembro de 1945 em Cravinhos, Estado de São Paulo, filho de Hideo Okano e Sadae Nakamura.

Desaparecido desde 1974 quando tinha 29 anos.

Assistente de Laboratório no Departamento de Engenharia Química da Universidade de São Paulo.

Foi preso em 1969 e cumpriu 2 anos de condenação.

Foi preso novamente em 14 de maio de 1974, por agentes do DOI-CODI/SP, e desaparecido desde então.

O Relatório do Ministério da Marinha diz que Issami teria “desaparecido em 14/5/74 quando se dirigia de casa para o trabalho.”

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Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB).

Nasceu no dia 10 de junho de 1930, em Minas Gerais, filho de Sebastião Veloso e Zulmira Veloso.

Desaparecido, desde 1975, quando tinha 45 anos.

Militante sindical desde 1953, quando entrou para a Juventude do PCB.

Foi operário, apontador de obras, montador de calçados, e líder sindical da construção civil, no Rio de Janeiro.

Foi dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Niterói e Nova Iguaçu, em 1961. Em seguida tornou-se secretário-geral da Federação dos Trabalhadores da Construção Civil do Estado do Rio de Janeiro e Niterói. Mas nem por isso abandonou sua função de apontador de obras.

Desenvolvendo uma atividade sindical intensa, no início da década de 60, alcançou uma posição destacada dentro do movimento operário.

Durante o Governo João Gourlart, Itair Veloso chefiou uma delegação sindical a um encontro internacional de sindicalistas, em Moscou.

Era casado com Ivanilda da Silva Veloso, com quem teve quatro filhas. Sua dedicação à família era como sua dedicação ao trabalho, pois seu envolvimento com a mulher e as filhas era desmedido.

Logo após o golpe militar de 64, sua casa foi invadida por policiais do DOPS de Niterói, que não o encontraram.

Arrolado em processo sob a acusação de pertencer ao PCB, passou a viver na clandestinidade.

Itair não costumava informar à família sobre suas atividades políticas fora de casa, enquanto clandestino, para não envolver as filhas. De alguma forma elas já sabiam, antes de seu desaparecimento, que ele se dedicava ao PCB.

Saiu de casa no dia 25 de maio de 1975, às 7:30 para um encontro às 8:00 horas, dizendo que voltaria ao meio-dia para ir ao médico. Desde então, nunca mais sua família recebeu notícias.

Acreditando que poderia encontrá-lo de alguma forma, Ivanilda começou sua peregrinação: CNBB, Palácio São Joaquim, D. Eugênio Sales (à época capelão do Hospital do Exército), os advogados Heleno Fragoso e Modesto da Silveira, reuniões da Anistia, CBA, Imprensa, todas essas pessoas e instituições foram procuradas por ela.

Segundo denúncias do ex-sargento Marival Chaves, do DOI-CODI/SP, publicadas na revista “Veja”, de 18 de novembro de 1992, Itair José Veloso, aos 45 anos de idade, foi preso por agentes daquele órgão no Rio de Janeiro, durante a Operação Radar e morreu sob tortura, numa casa de Itapevi, São Paulo. Seu corpo teria sido jogado da ponte, nas imediações de Avaré, a 260 quilômetros de São Paulo.

O Relatório do Ministério da Marinha diz que em “set/75 – está preso e sendo processado por atividades subversivas do PCB.”

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Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLU-CIONÁRIA (VPR).

Nasceu no dia 29 de outubro de 1942, em Passa Quatro, sul de Minas, filho de Lucas de Souza Dias e de Nair Mota Dias. Tinha apenas um irmão.

Era um menino estudioso, comunicativo, carinhoso, gostava de música e tocava violino.

Estudante de História, na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, foi professor do cursinho pré-vestibular da própria Universidade e militante do movimento estudantil. Ivan não conseguiu concluir o seu curso de História na UFF. Em dezembro de 1968, por sua participação no Congresso da UNE em Ibiúna/São Paulo, teve sua prisão preventiva decretada, passando a viver na clandestinidade.

No período em que ficou clandestino no Rio de Janeiro, fazia traduções e morava num quarto alugado, numa rua perto da Central do Brasil. De 1968 a 1971, dava notícias, regularmente, para a família, através de cartas ou telefonemas, sem nunca deixar o endereço.

Sua prisão ocorreu no dia 15 de maio de 1971, provavelmente no bairro carioca de Laranjeiras, por agentes do CISA e, apesar de levado imediatamente para as câmaras de tortura do Aeroporto do Galeão, foi dado como foragido pelas forças da repressão.

O ex-preso político Alex Polari de Alverga testemunhou ter ouvido pelo serviço de alto-falantes do CISA que o “Comandante Cabanos”, nome de guerra de Ivan, havia sido preso.

A única notícia que a família recebeu sobre Ivan foi um telefonema anônimo que denunciava sua prisão. Inúmeros contatos foram feitos, buscando alguma notícia ou informações sobre seu paradeiro. Diversos habeas corpus foram impetrados e negados sob a alegação de que Ivan não se encontrava preso em nenhuma dependência militar.

Inês Etienne Romeu, em seu Relatório sobre sua prisão na “Casa da Morte”, em Petrópolis, afirma que um dos torturadores daquele aparelho clandestino (Dr. Guilherme) lhe disse, antes de 15 de maio de 1971, que iriam prender Ivan nessa data. Posteriormente, contou-lhe que Ivan havia sido executado.

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Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB).

Nasceu em 18 de julho de 1926 em Maceió,Alagoas, filho de Manoel Simplício de Miranda e Hermé Amorim de Miranda. Era casado e pai de 4 filhos.

Desaparecido desde 1975 quando contava 49 anos.

Jornalista, advogado e ex-diretor do jornal “Voz do Povo”, de Maceió.

Foi preso no dia 4 de fevereiro de 1975 no Catumbi, Rio de Janeiro, ao sair de casa.

O Relatório do Ministério do Exército diz que “esteve em Moscou e seu nome aparece numa lista de brasileiros que, em 1974, transitaram pelo aeroporto de Orly/França, com destino aos países socialistas, com o nome falso de Juarez Amorim da Rocha”. Já o Relatório do Ministério da Marinha diz que, com data de Ago/79, “figurou em uma relação do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio de Janeiro, cassados pelo AI 1, 2 e 5 e desaparecido depois de ter sido preso (Relação s/n de 20/08/79 – CAM-DEP).”

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em 18 de junho de 1945, em Iacanga, Estado de São Paulo, filho de José Bernardino da Silva Jr. e Julieta Petit da Silva e era casado.

Desaparecido desde 1973 na Guerritha do Araguaia aos 29 anos.

Estudou em Amparo e Duartina. Muito cedo perdeu o pai, sendo obrigado a trabalhar. Morou e estudou, também, no Rio de Janeiro. Em 1962, foi para Itajubá morar com seu irmão Lúcio. Em 1965, ingressou no Instituto Eletrotécnico de Engenharia da Faculdade Federal de Itajubá, e trabalhava como professor de Matemática e Física nos colégios de Itajubá e Brasópolis (MG). Participava ativamente do movimento estudantil sendo, em 1968, eleito presidente do Diretório Acadêmico. Participou também, do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, onde foi preso.

Condenado à revelia em 1969, foi obrigando a abandonar o curso de Engenharia e ir viver no interior como eletricista. Posteriormente mudou-se para a localidade de Caianos, no Araguaia, onde já residiam seus irmãos Lúcio e Maria Lúcia (também desaparecidos), integrando-se ao Destacamento B das Forças Guerrilheiras.

Está desaparecido desde o dia 29 de novembro de 1973, quando seu grupo travou um tiroteio com as Forças Armadas. Provavelmente tenha sido preso.

O Relatório do Ministério do Exército diz que “existe registro de sua morte em 22 de dezembro de 1973”, sem especificar as circunstâncias e o local de sepultamento” e segundo o Relatório do Ministério da Marinha, foi “morto em 22 de dezembro de 1973.”

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Militante do PARTIDO COMUNISTA Do BRASIL (PC do B).

Desaparecida desde 1974, na Guerrilha do Araguaia, quando tinha 26 anos.

Nasceu em 10 de junho de 1948, em Fortaleza, Estado do Ceará, filha de Benigno Girão Barroso e Cyrene Moroni Barroso.

Cursou a Faculdade de Biologia da UFRJ e aí ingressou na vida política. Trabalhou com outros companheiros, como responsável pela imprensa clandestina do PCdoB, no Rio de Janeiro.

Em abril de 1971, tendo em vista a continuidade de seu trabalho político, mudou-se para a localidade de Metade, no sul do Pará.

Nessa região, além do trabalho da roça e da caça, foi professora primária. Casou-se com Nelson Lima Piauhy Dourado (desaparecido). Era combatente do descamento A – Helenira Resende.

Sua mãe, D. Cyrene, não poupou esforços à sua procura, indo várias vezes à região do Araguaia ou recorrendo aos órgãos governamentais à procura de informações sobre o seu paradeiro.

Desaparecida desde 2 de janeiro de 1974, após ataque das Forças Armadas, quando estava em companhia de Maria Célia Corrêa e Nelson Piauhy Dourado.

Segundo depoimentos colhidos por sua mãe, Jana foi presa e levada para Bacaba, localidade às margens da Transamazônica onde foi construído um centro de torturas das Forças Armadas. Segundo os moradores da região, aí também se encontra um cemitério clandestino. Estava quase nua e com muitas arranhaduras pelo corpo. Foi amarrada, colocada em um saco e içada por um helicóptero. Isto teria se dado nas proximidades de São Domingos do Araguaia.

O Relatório do Ministério da Marinha diz que foi morta em 8/02/74.

- Citada no Manifesto dos familiares dos mortos e dasaparecidos na guerrilha do Araguaia, no II Congresso Nacional Pela Anistia, novembro/79 – Salvador/BA, publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro de 11/04/80, ano VI, nº 69, parte II.

- Citada na Relação de pessoas dadas como mortas e/ou desaparecidas devido às suas atividades políticas, da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da Ordem dos Advogados do Brasil – seção do Estado do Rio de Janeiro – outubro de 1982.

- Relatório Arroyo: “No dia 18, J., Zezim e Edinho encontraram Duda, do grupo do Nelito. Ele contou que os tiros do dia 2 tinham sido sobre o grupo em que ele estava. Disse que, depois do almoço desse dia, Nelito e Duda estavam juntos e que Cristina [Jana Morone Barroso] e Rosa [Maria Célia Corrêa] haviam se afastado por um momento. Carretel estava na guarda. Na véspera, Duda e Carretel tinham ido à casa de um morador. A casa estava vazia. Quando se retiravam viram que vinham chegando os soldados. Avisaram Nelito. Imediatamente afastaram-se do local. Mas caminharam em trechos de estrada, deixando rastros. Dia 2, Nelito tinha ido a uma capoeira apanhar alguma coisa para comer. Trouxe pepinos e abóbora numa lata grande que lá encontrara. A lata fez muito barulho na marcha de volta. Às 13:30 hs ouviram-se rajadas. Os tiros foram dados sobre Carretel, que saiu correndo. Nelito não quis sair logo. Se entrincheirou, talvez pensando nas duas companheiras. Mas os soldados se aproximavam. Então ele correu junto com Duda, mas foi atingido. Assim mesmo, ainda se levantou e correu mais uns vinte metros. Foi novamente atingido e caiu morto. Duda conseguiu escapar. Não sabe o que houve com as duas companheiras, nem com Carretel.”

- Relatório do Ministério Exército: Filha de Benígno Girão e de Cirene Moroni Barroso, nascida em Jun. 48, em Fortaleza/CE. Militante do PC do B, foi para Marabá/PA em 1970. Participou ativamente da subversão na região do Araguaia/GO.

- Relatório do Ministério da Marinha:

Fev./74 – foi morta a terrorista Célia Sanches de Cristina, “Cristina” nome falso utilizado por Jana Moroni Barroso.

Nov. 74 – relacionado entre os que estiveram ligados á tentativa de implantação da guerrilha rural, levada a efeito pelo CC do PC do B, em Xambioá. Morta em 08/02/74.

- Relatório do Ministério da Aeronáutica: Militante do PC do B e guerrilheira do Araguaia. Segundo o noticiário da imprensa nos últimos 18 anos e documentos de entidades de defesa dos direitos humanos,

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Militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB).

Nasceu no dia 23 de junho de 1932, em Sapé Paraiba , filho de Alfredo Ulisses Gonçalo e Amélia Gonçalo Dias.

Sapateiro e camponês, organizador das Ligas Camponesas de Sapé, foi morto após o golpe militar de 1964. Várias vezes esteve preso, antes de 64, por seu trabalho de organização dos camponeses.

A história de João Pedro, Elizabeth Teixeira, Alfredo e outros camponeses é contada no filme “Cabra marcado para morrer”, dirigido por Eduardo Coutinho.

Logo após o golpe, João Alfredo foi preso no 15° Regimento de Infantaria do Exército, em João Pessoa. Foi torturado e ficou detido até setembro de 1964. Foi liberado e preso novamente pelo Exército.

Tempos depois, dois corpos carbonizados apareceram na estrada que vai para Caruaru e, de acordo com testemunhas, tratar-se-ia de João Alfredo e Pedro Inácio de Araújo (desaparecido).

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Militante do MARX, MAO, MARIGHELLA E GUEVARA (M3G),

Nasceu em 24 de junho de 1948, em Braço do Norte, Santa Catarina, filho de Graciliano Miguel Rita e Aracy Pereira Rita, foi para Criciúma aos 4 meses.

Desaparecido desde 1973, quando tinha 25 anos.

Estudou em Criciúma no Ginásio Madre Tereza Michel, onde completou o curso ginasial. Por suas atividades políticas foi preso em janeiro de 1970 em Porto Alegre e depois em 10 de abril de 1970, sendo torturado no DOI-CODI/RJ.

Foi banido do Brasil em janeiro de 1971, quando do seqüestro do Embaixador da Suíça no Brasil, viajando para o Chile com outros 69 presos políticos, e deslocando-se, a seguir, para a Argentina, onde se casou com uma exilada chilena.

Foi preso em 11 de dezembro de 1973, juntamente com o ex-major Joaquim Pires Cerveira. Segundo testemunhas do seqüestro, João Batista e o ex-Major Cerveira foram presos por um grupo de homens armados, falando português e liderados por um homem que, segundo as descrições, seria o delegado Sérgio Fleury.

A nota emitida pelo Ministro da Justiça Armando Falcão, em 6 de fevereiro de 1975, com respeito aos desaparecidos, dizia apenas que João Batista havia sido banido do país.

Houve a divulgação por uma rádio de Porto Alegre (RS) de que João Batista estaria entre quatro guerrilheiros mortos na Bolívia, em 12 de dezembro de 1973.

Jornal A Notícia/Joinville 02/07/03

Reportagem

Inteligência e coragem a serviço da luta armada

João Batista Rita foi um dos 70 presos políticos trocados por embaixador suíço e depois banidos para o Chile

Luis Fernando Assunção

Catorze de janeiro de 1971. O Boeing da Varig aterrissa no Aeroporto de Pudahuel, em Santiago, Chile. Traz 70 presos políticos brasileiros trocados em uma negociação durante o seqüestro do embaixador suíço no Brasil, Giovani Enrico Bucher. O Chile vivia uma plena democracia com reformas comandadas pelo presidente Salvador Allende e era porto seguro de exilados das ditaduras da América Latina. Os presos, agora oficialmente exilados, foram recebidos com festa por 250 pessoas, entre brasileiros e chilenos, que cantavam o hino nacional do Chile. O rapaz franzino, de passos firmes, impressionou-se com a cena. “Nossa causa, enfim, tem um significado. Chega de guerras, chega de armas”, pensou. João Batista Rita, filho emprestado de Criciúma, militante do M3G, grupo armado de Porto Alegre, estava bem perto do que sonhara. Longe da pátria, é verdade, mas muito próximo da liberdade.

João Batista era miúdo, abaixo da estatura média para um rapaz de vinte e poucos anos, o que lhe rendeu a alcunha de Ritinha (diminutivo do sobrenome) entre os conhecidos. Nascido em Braço do Norte em 1948, com seis meses de idade mudou-se com a família para Criciúma. Logo cedo demonstrou ser decidido, firme e independente. Depois de concluir o ginásio, arrumou a mala e seguiu para Porto Alegre, onde conseguiu trabalho em um escritório de advocacia e conheceu muitas pessoas. Entre elas o jornalista Edmur Péricles de Camargo. Viraram amigos e Edmur convidou João Batista a ingressar na M3G, da qual era líder. A inspiração do grupo era Carlos Marighella, fundador da Ação Libertadora Nacional (ALN) e assassinado em 1979 em uma emboscada comandada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, o maior “caçador de comunistas” da ditadura brasileira.

Em pouco tempo João Batista passou a ser um militante ativo. Decidiu morar em Cachoeirinha, região metropolitana de Porto Alegre, na casa de um tio. Inteligente e corajoso, tornou-se peça-chave nas ações da organização. A M3G defendia a luta armada e logo organizou um pequeno arsenal. As armas eram utilizadas em assaltos a bancos e seqüestros. “A tensão era muito grande. Companheiros do meu irmão eram presos e isso nos afligia”, recorda Aidê, que hoje vive nos Estados Unidos.

A irmã relembra com detalhes dos tempos difíceis da prisão de João Batista em uma ilha do Guaíba, em Porto Alegre, antes de ser banido para o Chile. “Durante a semana, sempre que aparecia uma lancha no meio do rio, era porque iam buscar alguém que seria torturado no Dops. Era hor

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em 24 de junho de 1941 em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, filho de Ildefonso Haas e Ilma Haas.

Desaparecido desde 1972, na Guerrilha do Araguaia, quando tinha 31 anos.

Sempre se destacou como aluno brilhante e atuante. Cursou o primário e o ginasial no Ginásio São Luiz, em São Leopoldo. O curso científico foi iniciado no Colégio São Jacó, em Novo Hamburgo, e completado no Colégio Anchieta, em Porto Alegre.

Em 1959 ingressou na Faculdade de Medicina da UFRGS, formando-se em dezembro de 1964. Participou de vários grêmios estudantis.

Presidente da UEE/RS e do Diretório Acadêmico da Faculdade de Medicina da UFRGS.

Com o golpe militar de 1964 passou a viver na clandestinidade. Esteve na China e, ao regressar, mudou-se para Porto Franco,interior de Goiás, onde montou um pequeno Hospital. Procurado pela repressão, mudou-se para São Geraldo, povoado às margens do Rio Araguaia.

Foi morto em combate em 30 de setembro de 1972, juntamente com Ciro Flávio de Salasar Oliveira e Manoel José Nurchis, numa localidade chamada Piçarra, próxima a Xambioá.

Seu corpo, crivado de balas, foi exposto à população de Porto Franco e também foi visto na Delegacia de Xambioá, com a perna direita quebrada e a barriga cortada e costurada com cipó. Foto semelhante ao descrito por moradores de Xambioá foi mostrada à ex-presa política Criméia Almeida, no PIC em Brasília pelo general Bandeira de Melo que, não só confirmou a morte de João Carlos, como disse que seu corpo foi exposto à população de Porto Franco com o objetivo de atemorizá-la. No entanto, a população passou o dia velando o corpo, apesar de proibida. Segundo informações dos moradores de Xambioá, foi enterrado no Cemitério da cidade.

Em 1991, uma Comissão constituída de familiares, representantes de entidades de direitos humanos, advogados e legistas estiveram neste cemitério, encontrando ossadas que foram levadas para a UNICAMP, São Paulo, e que até agora não foram identificadas.

Quanto aos Relatórios dos Ministérios militares, apenas o do da Marinha faz referência a sua morte como sendo “out/72”.

- Citado no Manifesto dos familiares dos mortos e dasaparecidos na guerrilha do Araguaia, no II Congresso Nacional Pela Anistia, novembro/79 – Salvador/BA, publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro de 11/04/80, ano VI, nº 69, parte II.

- Citado na Relação de pessoas dadas como mortas e/ou desaparecidas devido às suas atividades políticas, da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da Ordem dos Advogados do Brasil – seção do Estado do Rio de Janeiro – outubro de 1982.

- Relatório Arroyo: “Imediatamente ouviu-se uma rajada. Juca e Flávio caíram mortos. Raul foi ferido no braço, escapando juntamente com Walk. Gil ainda se aproximou de Juca tentando reanimá-lo. Ocorreram novos disparos. Depois não se soube mais de Gil. Deve ter morrido. Raul e Walk, que não conheciam bem a região, vagaram durante dois meses pela mata até que se encontraram novamente com os companheiros do destacamento B. [ 30/09/72]”

- Informações obtidas através de documentos das Forças Guerrilheiras do Araguaia:

Sua morte é citada no documento intitulado “Exemplo de coragem e de didicação ao povo”, das Forças Guerrilheiras do Araguaia.

- Relatório do Ministério Exército: Natural do Rio Grande do Sul, médico. Quando universitário, presidia o Centro Acadêmico de Medicina, passando a viver na clandestinidade após a Revolução de 31 de março de 1964.

Realizou curso de guerrilha na Escola Militar de Pequim/China.

Como militante do PC do B, participou ativamente da guerrilha do Araguaia, onde teria desaparecido em 1972.

Em abril/91, a imprensa noticiou que uma Comissão esteve em Xambioá/TO, com a finalidade de exumar os cadáveres de três guerrilheiros que teriam sido enterrados no cemitério daquela cidade em set./72. Recolheram duas ossadas e levaram para São Paulo/SP, uma das quais, foi identificada como sendo do nominado.

- Relatório do Ministério da Marinha: – Out./72 – consta como um dos terroristas mortos em Xambioá

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Desaparecido desde 1974 na Guerrilha do Araguaia.

Como estudante secundarista, teve grande atuação política no seu estado natal – Espírito Santo.

No ano de 1970, foi residir na região do Araguaia, na posse do Chega Com Jeito, próxima a Brejo Grande.

No campo, destacou-se como tropeiro e mateiro. Com seu jeito calado, ouvia mais do que falava, mas sempre tinha uma solução para os problemas difíceis que surgiam. Tinha grande capacidade para improvisações.

Foi combatente do Destacamento A – Helenira Resende – das Forças Guerrilheiras.

Foi morto em combate, em 14 de outubro de 1973, juntamente com André Grabois, Antônio Alfredo e Divino Ferreira de Souza, numa emboscada, na roça de Antônio Alfredo Campos, às margens do Rio Fortaleza.

Depoimentos de moradores da região dizem haver encontrado, anos depois, uma arcada dentária no local onde provavelmente teriam sido enterrados.

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Militante do MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO POPULAR (MOLIPO).

Nasceu em Salvador/BA, filho de Mario Rocha e Maria Natália da Silva Rocha.

Professor de português. Diretor da Casa do Estudante e advogado, formado pela USP.

Banido do Brasil, em setembro de 1969, quando do seqüestro do embaixador americano, juntamente com outros 14 presos políticos.

Retornando ao Brasil clandestinamente, foi morar em São Vicente, pequena localidade de Pernambuco, onde era conhecido por Zé Careca.

Devido a um conflito com a polícia local, foi identificado e passou a ser perseguido, sendo localizado e morto no município de Malhadinha, na Bahia, em 4 de novembro de 1974.

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Dirigente do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB).

Nasceu em 18 de agosto de 1919, em Palmares, Estado de Pernambuco, filho de Sebastião Massena Melo e Olímpia Melo Maciel.

Desaparecido desde 1974, quando tinha 55 anos.

Operário tecelão da Fábrica de Tecidos Nova América e, posteriormente, operário metalúrgico. Casado, tinha 3 filhos.

Em 1945, foi eleito vereador no antigo Distrito Federal. Seu mandato foi extinto em 1948, com o fechamento do Partido e sua cassação.

Em 1962 foi eleito Deputado Estadual pelo antigo Estado da Guanabara pela legenda do Partido Social Trabalhista (PST). Teve novamente seu mandato cassado de acordo com o art. 10 do AI n° 1 de 9 de abril de 1964.

Foi condenado pelo Conselho Permanente de Justiça Militar, em 7 de julho de 1966, a 5 anos de reclusão.

Preso em 1970 por agentes da 2ª Auditoria da Marinha, foi brutalmente torturado. Toda sua família foi presa e levada para a Ilha das Flores e sua casa foi saqueada. Posto em liberdade em fevereiro de 73. Foi novamente preso na cidade de São Paulo no dia 3 de abril de 1974.

Em documentos referentes a João Massena, arquivados no antigo DOPS/SP, foram encontradas as seguintes anotações: “Em 24/06/74, sua filha Alice Massena Melo, solicitou ao Exmo. Sr. Presidente da República, General Ernesto Geisel, providências no sentido de localizar seu pai.” E, mais adiante, “RPI n° 08/76 – 10/09/76 – Ministério do Exército nos cientificou que o marginado e outros, a partir de maio de 1974, o PCB passa a dar como desaparecidos.”

Trechos do livro “Desaparecidos Políticos”, de Reinaldo Cabral e Ronaldo Lapa:

“Massena permaneceu preso durante dois anos e sete meses apenas com a prisão preventiva decretada… mas nesse período não puderam desaparecê-lo, no dizer de sua mulher,… afinal ele fora preso com testemunhas… Massena foi solto em fevereiro de 1973, embora seu julgamento só tenha ocorrido cinco anos depois, em 20/09/78, quando foi absolvido, juntamente com outras pessoas submetidas às mesmas acusações e igualmente desaparecidas, como Jayme Amorim Miranda, Orlando Bonfim Jr., David Capistrano, Itair José Veloso, Hiram de Lima.

A libertação de Massena, para sua mulher, foi uma verdadeira armadilha. Eles – os organismos de repressão – ficaram à espreita e, na primeira oportunidade apanharam o ex-deputado. Massena escreveu sua última carta para a família… marcava um encontro com sua mulher, que seria realizado num fim de semana, entre os dias 5 e 6 de abril. Ela foi ao encontro, esperou todo o fim de semana, mas Massena não apareceu. Então julgou que alguma coisa acontecera, mas ainda não colocara a prisão dele como uma possibilidade… No dia 20/4, o homem na casa de quem Massena se hospedara em São Paulo, lhe informou que Massena saiu de casa dia 3 ou 4 de manhã, ‘apenas com a roupa do corpo, dizendo que voltaria para o almoço e não voltou.’

Depois disso, a família de Massena desenvolveu intensa busca, seguindo o mesmo ritual das outras famílias de desaparecidos: foi a São Paulo e procurou a Igreja, buscou os conhecidos órgãos de repressão, foi a hospitais de emergência, cemitérios, Instituto Médico Legal. Ninguém sabia do seu paradeiro… A família impetrou um habeas corpus no STM… foi negado sob a alegação de que Massena não se encontrava preso em nenhuma dependência militar…

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Militante da FRENTE DE LIBERTAÇÃO NACIONAL (FLN).

Nascido a 14 de dezembro de 1923, em Santa Maria, Estado do Rio Grande do Sul, filho de Marcelo Pires e Auricela Goulart Cerveira.

Desaparecido desde 1973, quando tinha 50 anos de idade.

Casado, tinha filhos. Major do Exército Brasileiro, passou à reserva pelo ato institucional n° 1, de 1964. Conforme documentos encontrados nos arquivos do antigo DOPS/SP foi preso no dia 21 de outubro de 1965 e encaminhado à 5ª Região Militar e entregue ao Coronel Fragomini. Em 29 de maio de 1967 foi absolvido pelo Conselho Especial de Justiça da 5ª Auditoria, da denúncia do processo 324, por crime de subversão.

Foi preso novamente, em 1970, com sua mulher e o filho, que foram torturados no DOI-CODI/RJ.

Foi banido do país em junho de 1970, quando do seqüestro do embaixador da Alemanha no Brasil, viajando para a Argélia com outros 39 presos políticos.

Preso em Buenos Aires em 11 de dezembro de 1973, juntamente com João Batista Rita, por policiais brasileiros, provavelmente comandados pelo delegado Sérgio Fleury.

Ambos foram vistos por alguns presos políticos no DOI-CODI-RJ quando chegavam trazidos por uma ambulância. Estavam amarrados juntos, em posição fetal, tendo os rostos inchados, esburacados e repletos de sangue na cabeça.

A nota do Ministro da Justiça Armando Falcão esclarecendo os casos de desaparecimentos no Brasil, dava conta que Cerveira estava banido do País, nada esclarecendo sobre seu paradeiro.

Em matéria publicada no jornal “Folha de São Paulo”, baseada em entrevista com um general de responsabilidade comprovada dentro dos órgãos de repressão política, a morte do Major Cerveira e outros 11 desaparecidos é confirmada.

No Arquivo do DOPS/PR, o nome do major Cerveira foi encontrado numa gaveta com a identificação “falecidos”.

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Camponês.

Morto em combate na Guerrilha do Araguaia. Teve a cabeça decepada e enviada para Xambioá.

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Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR).

Filho de Ely José de Carvalho e de Esther José de Carvalho, nasceu em Muriaé, Minas Gerais, no dia 13 de julho de 1948.

Desaparecido, desde 1974, quando tinha 26 anos.

Foi operário gráfico e militante do PCB, ingressando, posteriormente, na VPR.

Preso no dia 5 de outubro de 1970 pela Operação Bandeirantes/OBAN, foi torturado.

Banido em 13 de janeiro de 1971, para o Chile, junto com 69 companheiros, por ocasião do seqüestro do Embaixador Suíço, Giovanni Enrico Bucher, lá permaneceu até o Golpe que derrubou o presidente Salvador Allende, em 1973. Nessa ocasião, Joel fugiu para a Argentina.

Desapareceu, em dezembro de 1973, na fronteira da Argentina com o Brasil, tentando entrar, clandestinamente, no País, junto com outros banidos.

Era irmão de duas outras vítimas da Ditadura, Daniel José de Carvalho (desaparecido) e Devanir José de Carvalho (assassinado).

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Filho de João Vicente Vasconcelos Santos e Elza Joana dos Santos, nasceu em 09 de agosto de 1949, em Nazaré, Estado da Bahia.

Desaparecido desde 1973, quando tinha 21 anos.

Estudante de contabilidade na Escola Técnica de Comércio do Rio de Janeiro. Foi presidente da Associação Metropolitana de Estudantes Secundaristas (AMES/RJ), em 1970. Foi também diretor da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES) em 1970/71. Já em 1970, militava na União daJuventude Patriótica (UJP), do Partido Comunista do Brasil.

Joel Vasconcelos e Antônio Carlos de Oliveira da Silva (Makandall) foram presos nas imediações do Morro do Borel (esquina das ruas São Miguel e Marx Fleuiss), no Rio de Janeiro, no dia 15 de março de 1971.

Por mais de três meses Joel e “Makandall” ficaram detidos e incomunicáveis, nas dependências dos órgãos de repressão. Aos apelos da mãe de Joel, Elza Joana, os agentes da P.E. e os oficiais do Ministério do Exército com os quais conseguiu falar, responderam com evasivas. Primeiro confirmaram a prisão, mais tarde negaram, e pouco depois informaram que ele já havia sido liberado. Apesar disso os dois continuavam detidos.

Elza Joana escreveu cartas às autoridades da Igreja, parlamentares, jornalistas e até mesmo ao então presidente Médici. Após enviar a carta ao Presidente Médici, recebeu em sua casa uma visita de agentes do DOPS que a levaram até o gabinete do General Sizeno Sarmento. O comandante do I Exército prometeu esclarecer completamente o episódio e nada fez de concreto.

Makandall, trabalhador na construção civil e morador do Morro do Borel conta que ele e Joel conversavam na esquina quando passou o carro da polícia. Joel assustou-se e comentou que havia documentos comprometedores nos pacotes que carregava. Os policiais cercaram os dois com metralhadoras e revistaram os pacotes. Ali mesmo começaram as torturas. Foram algemados e levados ao 6° Batalhão do PM, mais torturas e, em seguida, encaminhados ao quartel da PM na Rua Evaristo da Veiga e de lá encaminhados à P.E., onde Joel permaneceu até o seu desaparecimento, sendo ininterruptamente torturado durante os 4 meses em que “Makandall” esteve preso.

No arquivo do DOPS/RJ, há documento da Polícia Militar do Estado da Guanabara(PMEG), de 17 de março de 1971, do Serviço de Informações do Estado Maior da PM/2, que confirma a prisão de Joel em 15 de março de 1971, descrevendo, inclusive, os materiais apreendidos com ele, em seu 1° depoimento, quando Joel em suas declarações dá o endereço de sua residência.

Documento do DOI-CODI/I Exército de 15 de março de 1971, interrogatório N° 63, traz declarações de Joel, sob a página N° 42.1808-3 (número manuscrito). Ainda, um outro documento do DOI- I Exército de 19/03/71, interrogátorio N° 65, traz também declarações de Joel, sob a página N° 42.1808-5 (número manuscrito). Essas informações, confirmam a prisão de Joel em 15/03/71 e que, em 19/03/71, ainda estava vivo, sendo interrogado no DOI-CODI/RJ.

O Relatório da Marinha diz que Joel, foi “preso em 15 de março de 1971 e transferido para local ignorado”.

O preso político Luiz Artur Toríbio, em Auditoria Militar, à época, denunciou que um dos torturadores no DOI-CODI/RJ, afirmava “que se não confessasse teria o mesmo fim que Joel, ‘Moreno’, que foi morto por policiais do DOI do RJ.”

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em 8 de setembro de 1934 em Porto Alegre/RS, filho de Huberto Atteo Bronca e Ermelinda Mazaferro Bronca.

Fez o primário na Escola do Rosário e o Curso de Mecânica de Máquinas na Escola Técnica Paropé.

Formou-se em Mecânica de Manutenção de Aeronaves e trabalhou na Varig durante vários anos e, mais tarde, na Indústria Micheleto.

Foi desportista, dedicando-se ao ciclismo, motociclismo, natação e remo, tendo neste último esporte conquistado várias medalhas.

Teve várias outras atividades profissionais, chegando, inclusive, a trabalhar em circo como equilibrista de monociclo.

Sua militância política é anterior ao golpe militar de 64. Logo após o golpe, foi para o exterior, ficando durante algum tempo na China. Em 1966, foi viver na clandestinidade no Rio de Janeiro.

Homem muito simples, vivia num pequeno quarto em São João do Meriti, onde seus únicos haveres eram uma troca de roupas, uma esteira, um pequeno fogareiro a querozene e uma gaita.

Foi dos primeiros a chegar na região do Araguaia. Foi vice-comandante do Destacamento B das Forças Guerrilheiras até ser deslocado para a Comissão Militar, onde fazia parte da Guarda.

Visto pela última vez por seus companheiros no dia 25 de dezembro de 1973, quando houve um ataque das Forças Armadas ao local onde estavam acampados.

O Relatório do Ministério da Marinha diz que foi “morto em 13 de março de 1974.”

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Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR).

Filho de Leo Lavechia e Felícia Mateus Lavechia, nascido no dia 25 de maio de 1919 em São Paulo.

Desaparecido desde 1974 quando tinha 55 anos.

Sapateiro.

Foi preso, em 7 de maio de 1970, e banido do território nacional em 15 de junho do mesmo ano, quando do seqüestro do Embaixador da Alemanha no Brasil, Von Holleben, viajando para a Argélia juntamente com outros presos políticos.

Tentando retornar ao Brasil clandestinamente, Lavechia desapareceu, em julho de 1973, na fronteira Argentina/Brasil, juntamente com outros banidos.

O Relatório do Ministério do Exército diz que “em 12 de outubro de 1973, constou de uma relação de brasileiros que se encontravam no Chile e solicitaram asilo na Embaixada da Argentina, viajando para aquele país onde passaram a residir.”

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em 24 de março de 1946 em Barreiras, Estado da Bahia, filho de Pedro Piauhy Dourado e Anita Lima Piauhy Dourado.

Desaparecido desde 1974 na Guerrilha do Araguaia, quando tinha 28 anos.

Estudou no Colégio Padre Vieira, em Barreiras e depois na Escola Técnica Federal da Bahia, em Salvador. Fotógrafo na Bahia até deslocar-se para a região do Araguaia. Inicialmente morou próximo à Transamazônica. Pertenceu à Guarda da Comissão Militar. Foi visto pela última vez com vida por seus companheiros no dia 30 de dezembro de 1973, em Caiano. Segundo depoimento de moradores da região, caiu em uma emboscada do Exército, levou um tiro na cabeça e foi enterrado na localidade de Formiga.

Era irmão de Nelson de Lima Piauhy Dourado, também desaparecido no Araguaia.

O Relatório do Ministério da Marinha diz que “foi morto em 24/01/74.”

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Constava no antigo Dossiê como Edson Cabral Sardinha.

Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR).

Nascido a 6 de junho de 1941, no Ceará, filho de José Alexandre de Araújo e Maria da Conceição Ferreira de Araújo.

Desaparecido desde 1970.

Foi condenado pela Justiça Militar a 5 anos e 1 mês de prisão pela 1ª Auditoria da Marinha, enquadrado na Lei de Segurança Nacional.

Preso no dia 23 de setembro de 1970 pelo DOI/CODI-SP, levado imediatamente às câmaras de tortura, morreu em conseqüência da violência das mesmas.

Vários presos políticos testemunharam as torturas e sua morte, podendo identificar como seus torturadores e assassinos: capitão Benone Arruda Albernaz, capitão da PM Tomás Paulino Rosa, investigador da Polícia Federal Maurício José de Freitas, delegado de polícia conhecido como “Dr. Raul”, soldado da PM-SP conhecido como “Pedro DKW” e sargento da PM-SP Paulo Bordim.

O paradeiro do preso político José Maria Ferreira de Araújo foi descoberto nos arquivos do IML/SP, onde constava ter sido enterrado com o nome falso de Edson Cabral Sardinha na quadra 11, sepultura 119 do Cemitério de Vila Formosa I.

No laudo necroscópico, o nome de Edson Cabral Sardinha é identificado por um “T” em vermelho (de Terrorista) para diferenciar dos demais corpos que por lá passavam. A solicitação de exame do DOPS dá como histórico, que Edson havia morrido de “mal-súbito”. O legista encarregado da perícia, Sérgio Belmiro Acquesta, concluiu que sua morte era por causa “indeterminada”, apesar dos vários exames feitos. As fotos do cadáver mostram claras marcas de torturas, que comprovam as denúncias de seus companheiros de prisão.

Casado com Soledad Barret Viedma, que foi morta em janeiro de 1973 em Pernambuco, junto com outros companheiros delatados pelo Cabo Anselmo, agente infiltrado nas organizações de esquerda.

Em pesquisas no arquivo do antigo DOPS/SP foi encontrada uma solicitação do Coronel Lima Rocha com o seguinte teor: “solicito remeter possível urgência foto, ficha datiloscópica, exame necrológico e atestado de óbito do terrorista morto em set/70, conhecido (grifo nosso) como Edson Cabral Sardinha (Aribóia).”

Neste mesmo arquivo foram encontradas fichas de Edson Cabral Sardinha e José Maria Ferreira de Araújo, com o mesmo apelido de “Aribóia” e fotos, o que mostra que era possível verificar a verdadeira identidade do morto.

Quanto às circunstâncias em que se deu sua morte, também nos arquivos do DOPS/SP encontram-se documentos contraditórios como a resposta do Delegado do DOPS Alcides Cintra Bueno Filho ao Coronel Lima Rocha, chefe da 2ª Secção do II Exército, onde se lê: “…falecido em conseqüência de violento tiroteio que travou com agentes dos órgãos de segurança”, e a requisição de exame necroscópico, assinada pelo mesmo delegado em que diz: “tendo sido preso por atividades terroristas faleceu ao dar entrada na Delegacia Distrital presumindo-se mal súbito.”

Coincidentemente a Delegacia Distrital onde José Maria deu entrada é a da Rua Tutóia, ou seja, a OBAN.

Documento datado de 7 de janeiro de 1971, também assinado pelo Delegado Alcides Cintra Bueno Filho e encontrado nos arquivos do DOPS/SP diz: “…não foi instaurado inquérito policial a respeito do óbito, dada a flagrante evidencia da naturalidade do óbito. Diante do exposto, determino o arquivamento do presente, protocolado no Arquivo Geral deste Departamento, para fins de prontuário.”

O Relatório do Ministério do Exército diz que ele “utilizava-se do nome falso Edson Cabral Sardinha. Existe registro de sua Certidão de óbito n° 31.153, livro 43-C-C-folha 124-V, expedida em 12 de julho de 1972, pelo Registro Civil do 9° Distrito Policial da Vila Mariana em São Paulo.”

Encaminhou-se uma petição para o reconhecimento de sua identidade. Mas a sentença do juiz negou a petição por falta do corpo. Seus restos mortais não foram encontrados porque houve alteração da quadra onde ele foi enterrado.

De seu irmão, Paulo Maria Ferreira de Araújo:

“Meu irmão era marinheiro e servia no Rio de Janeiro desde 1959. O restante da família na ocasião morava em Santa

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Militante do Partido Comunista do Brasil (PC do B).

Nasceu em Santa Tereza, Estado do Espírito Santo, filho de Joaquim Patrício e Isaura de Souza Patrício.

Desaparecido desde 1973 na Guerrilha do Araguaia quando tinha 30 anos.

Fez o 1° ano primário no Colégio Singular, em São João de Petrópolis, em 1954. No ano seguinte foi para o Grupo Escolar do Colégio Agrícola de Santa Tereza onde terminou o curso primário. Continuou na mesma Escola no Curso de Iniciação Agrícola, e em seguida o Curso de Técnico Agrícola, formando-se em 1966.

Em 1967, foi para o Rio de Janeiro, para a Universidade Rural, onde fazia o Curso de Educação Técnica.

Em 1968, foi preso no XXX Congresso da UNE, em Ibiúna. Com a edição do AI-5, devido à intensidade da repressão política foi para a clandestinidade.

Mais tarde mudou-se para o Araguaia, indo viver nas margens do Rio Gameleira e integrando-se ao Destacamento B das Forças Guerrilheiras.

Foi visto pela última vez por seus companheiros no início do ano de 1974.

O Relatório do Ministério da Marinha diz que “foi morto em out/74, na localidade de Saranzal.”

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Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB)

Nasceu em 1948, no Ceará.

Desaparecido desde 1975 quando contava 27anos.

Estudante e membro da diretoria da União Nacional dos Estudantes Técnicos Industriais (UNETI).

Foi preso em 29 de setembro de 1975. Consta que teria sido visto no DOI-CODI, conforme denúncia do deputado Laerte Vieira.

No livro “Brasil Nunca Mais”, à pág. 265, há a seguinte informação sobre José: “pesquisador de mercado, foi preso em 29 de setembro de 1975, em sua residência no bairro da Bela Vista (SP) por quatro agentes policiais e teve como testemunhas alguns de seus vizinhos (…) Posteriormente, Genivaldo Matias da Silva, em interrogatório judicial, assegurou ter visto José detido nas dependências do DOI-CODI/SP.”

O Relatório do Ministério da Marinha diz que “foi preso em 30 de setembro de 1975”.

Trechos do livro “Desaparecidos Políticos”:

“Desde cedo Montenegro teve contato com os problemas econômicos e sociais de sua terra e sua gente. Criado no interior, ao lado da seca e demais flagelos, foi mais tarde estudar em Fortaleza, pois queria ser um técnico de nível médio. Na escola secundária inicia os seus primeiros contatos com as idéias políticas de progresso e liberdade e começa a tomar consciência das mazelas políticas e da elitizante estrutura educacional.

Montenegro continuou tendo vida legal logo após 1964 , mas não deixou de ser perseguido. Foi indiciado no IPM da UNE, que envolveu mais de mil estudantes. As dificuldades de trabalho e estudo cedo começaram a se manifestar e, aos poucos, “Monte” foi obrigado a viver refugiado dentro de seu próprio país, pois considerava legítimo o direito de manifestar-se politicamente como qualquer cidadão.

Nos anos mais duros da ditadura, em especial a partir de 1969, Montenegro viveu clandestinamente, única forma encontrada de manifestar sua oposição ao regime de opressão. Viajou, morou em diversos estados, perambulou pelo Brasil afora.

Apesar das dificuldades nunca perdera a esportividade. Podia ser encontrado por velhos amigos nas ruas de São Paulo ou Rio de Janeiro, assim como pulava atrás do trio elétrico em pleno carnaval da Bahia em 1974.”

Ainda segundo este livro, Montenegro, ao ser preso, foi levado diretamente a um sítio clandestino da repressão, e daí para frente não se teve mais notícias dele.

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Militante do Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT).

Líder camponês da revolta na região de Trombas de Formoso.

Nasceu em 27 de junho de 1912, em Pedro Afonso, Estado de Goiás.

Casado duas vezes, teve 18 filhos dos dois matrimônios. Era pequeno proprietário.

Desaparecido desde 1973 quando tinha 61 anos.

Militou no PCB, AP e PRT. Ajudou a criar a Associação dos Trabalhadores Camponeses de Goiânia (1962) e foi um dos organizadores do Congresso dos Camponeses de Belo Horizonte (1963).

Foi cassado com o AI-1, de 9 de abril de 1964.

Deslocou-se para o sul do Maranhão, onde foi preso na Fazenda Rivelião Angelical, em 1972, e levado para Brasília. Foi solto no dia 7 de julho de 1973, tendo ido almoçar com sua advogada, Elizabeth Diniz. Esta levou-o até a rodoviária de Brasília, para embarcar no ônibus que o levaria até Goiânia, já tendo inclusive passagem comprada. Depois desse encontro, José Porfírio nunca mais foi visto.

Era pai de Durvalino de Souza, também desaparecido.

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Dirigente do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB).

Nasceu em 4 de outubro de 1926, em São Paulo.

Desaparecido aos 49 anos, em março de 1974.

Corretor de imóveis.

No dia 16 de março de 1974 foi a Uruguaiana encontrar-se com david capistrano da Costa, que chegava clandestinamente do exterior. De Uruguaiana rumaram para São Paulo sendo presos no percurso da viagem.

Mais informações ver no caso de David Capistrano.

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em Uberlândia, Estado de Minas Gerais, em 17 de julho de 1941, filho de José Sebastião de Oliveira e Adaíde Toledo de Oliveira.

Desaparecido desde 1972 na Guerrilha do Araguaia quando tinha 31 anos.

Advogado e bancário.

Não tinha ainda 20 anos quando se tornara funcionário do Banco de Crédito Real de Minas Gerais. Ingressou no Sindicato dos Bancários. Foi ativista incansável, editando o jornal ‘Elo’, juntamente com o deputado federal João Alberto.

Com o pseudônimo de Sobral Siqueira, tinha uma coluna fixa no periódico.

Foi eleito diretor da Associação dos Funcionários do Banco. Nessa época ingressou também no PCB.

Com o golpe de 64, veio a intervenção no sindicato, o jornal ‘Elo’ foi fechado. São numerosas as demissões no Banco de Crédito Real, mas Toledo permaneceu, porque escrevia com pseudônimo e não foi identificado.

Em 1° de agosto de 1969 foi preso pelo DOPS quando se encontrava trabalhando em sua seção. Outros bancários também foram presos.

Transferido para o CENIMAR, na Ilha das Flores, foi torturado com selvageria. No tribunal militar, denunciou corajosamente as torturas que sofreu. Foi absolvido, deixou o Banco e foi para a clandestinidade. Soube-se depois que foi juntar-se a outros companheiros na região do Araguaia.

Morto em combate em 21 de setembro de 1972, junto com Francisco Chaves, próximo do local onde no dia anterior morrera Miguel Pereira dos Santos.

O Relatório do Ministério do Exército diz que utilizava o nome falso de José Antônio de Oliveira. E, com este nome, foi encontrado nos arquivos do antigo DOPS/SP um único documento que diz “Informação do Min. Exército – II Ex./QG – 2ª Seção, datado de 21/05/70, onde consta que o epigrafado é um dos elementos procurados pelo CODI/I Exército.”

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Militante da AÇÃO POPULAR MARXISTA-LENINISTA (APML)

Militante da AÇÃO POPULAR MARXISTA-LENINISTA (APML). Nascido em 26.12.38, em Salvador-BA, filho de Enéas Gonçalves Pereira e Rosa Leal Gonçalves Pereira.

Desaparecido desde 1970, quando tinha 32 anos.

Engenheiro Eletricista, ex-empregado da Petrobrás, trabalhou na Refinaria do Mataripe.

Foi preso em abril de 64 e neste mesmo ano, demitido da Petrobrás. Teve sua prisão preventiva decrtada em 14 de outubro de 1984. Após ser libertado trabalhou na COELBA.

Em 13 de abril de 1964 foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional pela Justiça Militar do Rio de Janeiro.

Seqüestrado na Rua Conde do Bomfim, na Tijuca/RJ, no dia 20 de outubro de 1970, por agentes do DOI-CODI/RJ, e levadio por eles ao 10º Batalhão de Polícia do Exército, onde foi acareado com o estudante Marco Antonio de Melo, que prestou testemunho a pedido do advogado Dr. Alexandre Gabriel Gedey e da professora Cecília Maria Bouças Coimbra, (atual presidente do GTNM/RJ), presa no DOI-CODI/RJ que, em outubro de 1970 viu Jorge sendo levado para interrogatório.

No arquivo do DOPS/PR, o nome de Jorge figura numa gaveta com a identificação “falecidos”.

Em 08.04.87, a revista Isto É, na matéria “Longe do Ponto Final”, publicou revelações do médico Amilcar Lobo (médico torturador cassado pelo Conselho Federal de Medicina, em 1989), que afirmava ter visto Jorge no DOI-CIDI/RJ, sem precisar a data.

A morte de Jorge e mais outros 11 “desaparecidos” é também confirmada pelo general, cujo nome não foi publicado, entrevistado pela “Folha de São Paulo” no dia 28 DE JANEIRO DE 1979.

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Cidadão argentino, desaparecido no Brasil desde 1980.

Nasceu em Nogoya, provincia de Entrerrios, Argentina.

Preceptor de noviços na Congregação de Religiosos de Assumpción, Chile, em 1969.

Membro da Organização de Padres do 3° Mundo, na Argentina e conselheiro de grupos paroquiais da juventude e da Ação Missionária da Argentina, era padre Titular das Igrejas Paroquiais de San Isidro e Olivos, em Buenos Aires e responsável pela Pastoral das Vocações da Argentina.

Depois do golpe militar de 1976, na Argentina, mudou-se para a França, residindo junto à Congregação dos Religiosos Assumpcionistas, em Paris.

Em junho de 1980, veio ao Brasil, por ocasião da visita do Papa João Paulo II. Deveria reunir-se com diferentes grupos de vários países da América Latina, particularmente cristãos engajados na luta sindical e camponesa, familiares de desaparecidos e de presos políticos argentinos e outros movimentos religiosos ou leigos que apresentariam ao Papa seu testemunho das injustiças sociais e perseguições políticas da América Latina. Desapareceu no Brasil, durante os primeiros dias de julho de 1980, vítima, certamente, da coordenação das forças repressivas das ditaduras latino-americanas.

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em 21 de maio de 1942, no Rio de Janeiro, filho de Norival Euphrosino da Silva e Karitza Lemos da Silva.

Desaparecido na Guerrilha do Araguaia em junho de 1972.

Participou do movimento estudantil da década de 60 e em princípios de 70, já formado em Economia, foi residir na região do Araguaia, na localidade de Caiano, onde já residiam outros companheiros, incorporando-se ao Destacamento B da Guerrilha.

Em fins de julho de 1972, estava doente, com leishmaniose e impossibilitado de andar. Ficou deitado em sua sede, na mata, enquanto o companheiro com quem estava, foi pedir ajuda aos demais guerrilheiros, quando foi visto por um bate-pau (mercenário que servia de guia às Forças Armadas). Foi baleado no ombro e, ferido, amarrado no lombo de um burro para ser levado a Xambioá. Pelo caminho foi deixando um rastro de sangue e aos moradores que encontrava gritava: “Abaixo a ditadura! Viva a liberdade!”, segundo contam alguns moradores.

O Relatório do Ministério do Exército diz que Kleber era “militante do PCdoB, participou da Guerrilha do Araguaia, foi morto no dia 29/01/72 em confronto com uma patrulha, sendo sepultado na selva sem que se possa precisar o local exato”. Esta informação tem pelo menos um equívoco, pois os confrontos armados no Araguaia só tiveram início a partir do dia 12 de abril de 1972. Já Relatório do Ministério da Marinha diz que “foi preso quando se encontrava acampado na mata”.

Documento dos Fuzileiros Navais, diz que Kleber foi preso, no dia 26 de junho de 1972, pela Brigada Paraquedista e que, no dia 29 de junho de 1972, sem precisar o local, foi metralhado quando tentava fugir. É interessante notar que o mesmo documento, em outro trecho, quando trata das recomendações quanto aos prisioneiros de guerra diz: “a) os prisioneiros de guerra deverão ser encaminhados imediatamente ao S-2 e em seguida ao PC da Brigada; b) prisioneiros de guerra falecidos deverão ser sepultados em cemitério escolhido e comunicado. Deverão ser tomados os elementos de identificação (impressões digitais e fotografias)”.

Por que as autoridades militares ainda insistem em dizer que não têm essas informações?

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em San Lucido, Cozenza, na Itália, em 4 de julho de 1944, filho de Luigi Castiglia e de Elena Gibertini Castiglia.

Vindo para o Brasil, fez o curso de torneiro mecânico e trabalhava como operário metalúrgico no Rio de Janeiro.

Após o golpe militar de 1964 foi obrigado a viver na clandestinidade devido a sua militância política.

Chegou na região do Araguaia no Natal de 1967, estabelecendo-se como comerciante na localidade de Faveira. Tinha também um pequeno barco a motor.

Desaparecido desde o dia 25 de dezembro de 1973, quando estava no acampamento que foi bombardeado. Os relatórios militares não fazem referências à sua pessoa.

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Camponês da região do Araguaia, que residia no município de Conceição do Araguaia/PA.

Filho de Joaquim Moura Paulino e Jardilina Santos Moura, tinha aproximadamente 55 anos quando foi morto.

Foi preso em maio de 1972, pelo Exército, torturado e transportado para a base de Xambioá, onde continuou a ser torturado até ser encontrado morto, enforcado, no dia 21 de maio de 1972, na delegacia de polícia da cidade.

No processo, arquivado, na cidade de Xambioá, com o n° 105/90 de 17/9/90, encontrado pela Comissão de Familiares, representantes de entidades de direitos humanos e parlamentares, em abril de 1991, obteve-se as seguintes informações:

Lourival deu entrada na Delegacia de Xambioá no dia 18/05/72, aproximadamente às 15:30 horas, após ser detido pelo Exército, a fim de ser interrogado por suspeita de subversão e que, no dia 21/5/72, teria se suicidado com a corda da rede de dormir que o filho lhe trouxera. Era delegado em Xambioá, à época, Carlos Teixeira Marra, 2° Sargento da PM e carcereiro, Salomão Pereira de Souza. Assina o laudo necroscópico o médico Manoel Fabiano Cardoso da Costa – CRM 267/AM. “A corda usada ou seja que estava no pescoço do pai, não foi a que ele levou e sim uma corda diferente mais fina e lisa, quem tirou a corda do pescoço dele foi seu filho Raiderval Miranda Moura. O atestado encontrado em Xambioá, foi mediante mandato judicial, impretrado por sua esposa e filho”.

Datado do dia 22 de maio de 1972 e assinado pelo Delegado de Xambioá, há uma autorização de remoção do corpo para Marabá, a fim de ser entregue à família para sepultura. No entanto, seus familiares nunca receberam o corpo nem o atestado de óbito.

No depoimento do ex-preso político José Genoino Neto, em Auditoria Militar, à época, afirmou que “… quando estava na cadeia de Xambioá, na cela ao lado, foi enforcado um lavrador que se chamava Lourival Paulino…”

Até o momento é o único desaparecido político do Araguaia cujos documentos comprovantes da sua morte foram encontrados no cartório de Xambioá (Pará).

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em 22 de junho de 1944, em São Gonçalo/RJ, filha de José Augusto de Souza e Jovina Ferreira.

Desaparecida na Guerrilha do Araguaia em outubro de 1973.

Jovem de origem pobre, com grandes dificuldades conseguiu ingressar na Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro. Participava ativamente no movimento estudantil e era responsável, junto com Jana Moroni (desaparecida) pela impressão e distribuição do jornal “A Classe Operária”, nos anos de 1969 a 1970. Cursava o 4° ano de Medicina e era estagiária no Hospital Pedro Ernesto, quando abandonou a cidade indo viver na região do Araguaia, próximo à localidade de Brejo Grande. Destacou-se como parteira, sendo por isto muito estimada.

Muito carinhosa e dedicada, rapidamente conquistou a amizade dos companheiros e moradores. Esforçou-se bastante para se adaptar à região, chegando a superar muitos companheiros homens no trabalho pesado, da derrubada da mata, no uso do facão e na capacidade de transportar grandes pesos.

Sua vontade de aprender sempre mais, levava-a a estudar até tarde da noite, sob a luz de lampião, tanto os compêndios de medicina como os livros do marxismo. Era grande apreciadora de música clássica.

Era membro do Destacamento A – Helenira Resende.

Em combate, foi ferida e presa, sendo morta em 24 de outubro de 1973.

Segundo o Relatório do Ministério do Exército, Lúcia “foi morta no dia 24/10/73 em confronto com as forças de segurança ocorrido entre Xambioá/GO e Marabá/PA”.

Em entrevista à Revista “Isto ɔ de 4 de setembro de 1985, o major Curió diz que a mesma foi ferida, caiu e sacou de um revólver escondido na bota, ferindo-o no braço e a um capitão do CIE, no rosto, em seguida foi metralhada pelos outros militares.

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Desaparecido da Guerrilha do Araguaia aos 31 anos.

Nasceu em Piratininga/SP em 1 de dezembro de 1943, filho de José Bernardino da Silva Junior e Julieta Petit da Silva.

Cursou o primário em Amparo e o ginásio em Duartina, no Estado de São Paulo. Devido às dificuldades financeiras, começou a trabalhar muito cedo. Foi viver com um tio em Itajubá, Minas Gerais, onde terminou o curso colegial e o curso superior no Instituto Eletrotécnico de Engenharia. Fez parte do Diretório Acadêmico de sua escola, iniciando aí sua militância política. Participou das atividades do Centro Popular de Cultura (CPC) da UNE. Escrevia para o jornal “O Dínamo”, do D.A., poemas e crônicas sobre os problemas sociais brasileiros.

Em 1965, como engenheiro, trabalhou na Light, Engevix e mais tarde na Companhia Nativa em Campinas. Trabalhou na construção da Usina Boa Esperança.

Viajou para o Araguaia em 1970, juntamente com seus irmãos Maria Lúcia e Jaime Petit da Silva, também desaparecidos.

Fez vários poemas e literatura de cordel, que eram recitados pelos camponeses da região nas sessões de terecô (religião local). Pertencia ao Destacamento A – Helenira Resende – sendo promovido a vice-comandante com a morte do comandante André Grabois, em 14 de outubro de 1973. Visto vivo pela última vez por seus companheiros no dia 14 de janeiro de 1974, desaparecendo, juntamente com Antonio Alfaiate e Antonio de Pádua Costa, após intenso tiroteio com as forças da repressão.

O Relatório do Ministério do Exército diz que “é considerado desaparecido desde o dia 29/11/73, quando teria travado tiroteio com uma Patrulha do Exército”. Já o Relatório do Ministério da Marinha, afirma que foi “morto em Março/74.”

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Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN).

Nasceu em 27 de agosto de 1943

Mudou-se com a mãe, Maria José Mendes de Almeida e os 4 irmãos para São Paulo, em 1957. Os primeiros anos na cidade foram tempos difíceis. Aos 11 anos, Luiz já trabalhava como office-boy na loja de confecções Clipper e estudava a noite.

Começou a participar do movimento estudantil no curso Santa Inês. Por conta disso, foi preso e torturado pela primeira vez em 1964. Em 1966, iniciou o curso de Ciências Sociais na Pontificia Universidade Católica de São Paulo.

Segundo Maria José, a família soube de suas atividades políticas através dos registros de suas prisões. Luiz era da Ação Libertadora Nacional (ALN). Em 1967 foi preso novamente. Saindo da prisão voltou às suas atividades normais. Em 1968 viajou para Cuba, de onde voltou em 1970.

Na noite de ano novo em 1970, Maria José foi surpreendida com a visita do filho que não aparecia há bastante tempo (nesta época ele já estava na clandestinidade). Eles comemoraram a passagem de ano juntos. Este doi o último encontro dos dois.

No dia 16 de junho de 71 ele passou o dia com sua irmã, Maria do Amparo Almeida Araújo, que também estava na clandestinidade, e nesse dia completava 21 anos, foi a última vez que Amparo viu seu irmão, “desde então ficou muito difícil comemorar aniversário” declara.

Luiz foi seqüestrado no dia 24 de junho na Av. Angélica, em São Paulo, quando dirigiu o carro que levou Paulo de Tarso Celestino da Silva para encontrar um companheiro dirigente da VPR. Paulo de Tarso foi a última pessoa a ver Luiz vivo. Durante os meses junho e julho várias pessoas amigas de Luiz e da família foram presas, torturadas ou molestadas pela polícia. Sua companheira estava grávida nesta época e encontrava-se viajando, Luiz morreu sem saber da existência de sua filha, Alina de Paula que hoje mora com a mãe na Europa.

Três dias após a prisão a família foi avisada por um telefonema anônimo. Em seguida começou a longa busca de Maria José por seu filho. Acompanhada do filho Manoel, ela foi até a sede da Operação Bandeirantes (OBAN). Chegaram às 18h e só foram liberados as 02h da manhã. Manoel foi obrigado a prestar depoimentos a diferentes pessoas durante o tempo que esteve lá. Foi também obrigado a assinar uma declaração de que entregaria seus irmãos caso os encontrasse. Maria José teve que esperar em pé, até que Manoel fosse liberado. De lá eles foram até o DOPS, onde também não conseguiram descobrir nada. Na 2ª Auditoria Militar de São Paulo foram informados que seu filho estava foragido, vivendo na clandestinidade.

Após inúmeras tentativas individuais, a família procurou diversos advogados, mas nenhum esforço foi suficiente.

Quando foi seqüestrado Luiz tinha 28 anos.

Em 29 de novembro de 1973, foi absolvido pela 2ª Auditoria de Guerra, por insuficiência de provas.

O Relatório do Ministério da Marinha afirma que, em “AGO/71 – teria sido dado como morto.”

Nos arquivos do DOPS/PR, o nome de Luiz consta numa gaveta com a identificação: “falecidos”.

O Arquivo do DOPS/RJ, contém documento do Ministério do Exército, de n° 129 de 02 de agosto de 1971 (alguns dias após a prisão e desaparecimento enviado ao DOPS/RJ e assinado pelo General Frota que afirma: “Incumbiu-me o Sr. Ministro informar a V.Ex. que, pela análise, realizada no II Ex., de documentação apreendida no aparelho de Luiz Almeida Araújo, vulgo Ruy, terrorista da ALN que se encontra foragido…”

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Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN).

Nasceu em Porto União (SC), filho de Eurico Siqueira Lisbôa e Clélia Tejera Lisbôa, o mais velho dentre sete irmãos.

Cedo iniciou sua militância política na Juventude Estudantil Católica. Integrando-se ao PCB, alternava suas atividades entre Santa Maria, onde residia na JUC, e Porto Alegre. Pertenceu à Direção Estadual do PCB até o do VI Congresso, quando passou a integrar a Dissidência/RS.

Estudava, então, no Colégio Estadual Júlio de Castilhos, em Porto Alegre, centro da efervescência do movimento estudantil secundarista.

No Júlio de Castilhos, haviam fechado o Grêmio Estudantil, em meio à intensa agitação provocada pela tentativa da direção de cobrar uma taxa e, ao mesmo tempo, a proibição do uso de mini-saias e cabelos compridos. O Grêmio foi instalado em uma barraca, em frente à escola, concentrando os alunos em assembléias permanentes e de onde saiam freqüentes passeatas que se uniam aos universitários nos protestos contra o acordo MEC-USAID, pelo ensino gratuito, reunindo as forças que protestavam contra a ditadura militar. Luiz Eurico e os integrantes do Grêmio fechado acabaram sendo expulsos do Colégio.

Passou a ser membro da Diretoria da União Gaúcha dos Estudantes Secundários.

Ao mesmo tempo, a radicalização da ditadura passou a exigir novos posicionamentos. Luiz Eurico questiona a Dissidência para a concretização de ações armadas, ligando-se à VAR-PALMARES. Permanece na VAR como membro de sua Direção Regional até a realização do Congresso da Organização, em 1969, quando integra a ALN.

Nesse período, foi preso algumas vezes durante manifestações estudantis. Ao tentar, junto aos alunos do Júlio de Castilhos, como membro da UGES, a reabertura do Grêmio fechado, foi mais uma vez preso e indiciado em IPM.

Já casado, trabalhando como escriturário no Serviço Nacional de Indústrias – SENAI – parecia ter encontrado seu caminho. Fora, inclusive, absolvido por unanimidade no IPM, comparecendo à Auditoria Militar no dia do julgamento.

No final de outubro de 1969, foi surpreendido por uma notícia de jornal com sua condenação a seis meses de prisão no referido processo, após grosseira falsificação dos prazos de recurso. Não lhe restou outra alternativa: passou à clandestinidade.

Esteve algum tempo em Cuba, retornando ao País em 1971, estabelecendo-se em Porto Alegre, na tentativa de reorganizar a ALN no Estado.

Foi preso em circunstâncias desconhecidas em São Paulo, na primeira semana de setembro de 1972 e desaparecido desde então.

Somente em junho de 1979, a Comissão de Familiares do CBA, consegue reunir pistas para a elucidação dos desaparecimentos, localizando Luiz Eurico enterrado, sob o nome de Nelson Bueno, no Cemitério Dom Bosco, em Perus. Ao mesmo tempo em que a ditadura pretendia sepultar a luta pelos desaparecidos entregando aos familiares um atestado de morte presumida através da Anistia, apresentava-se à Nação um atestado de óbito de um dos desaparecidos, cuja prisão e assassinato tinham ocultado.

A versão oficial para sua morte era de suicídio e, para corroborá-la, foi inclusive montado Inquérito na 5ª DP de São Paulo, sob o número 582/72.

A farsa do suicídio é desmascarada pelos depoimentos contraditórios das testemunhas arroladas, bem como pela própria conclusão do inquérito: Luiz Eurico, deitado na cama do quarto da pensão em que morava, teria disparado alguns tiros a esmo antes de embrulhar uma de suas armas (as fotos mostram um revólver em cada mão) na colcha que o cobria e disparar um tiro em sua própria cabeça, no dia 3 de setembro de 1972. Pelo quarto havia marcas de disparos diversos, inclusive em direção ao próprio Luís Eurico.

Em processo aberto na 1ª Vara de Registros Públicos de São Paulo, em 25 de outubro de 1979, foi solicitada a reconstituição da identidade e retificação do registro de óbito, que recebeu o n° 1288/79.

Apesar do pedido inicial ter sido deferido em 7 de novembro de 1980, o inquérito policial de Luís Eurico foi reaberto por ordem do Juiz da 1ª Vara, pois o corpo exumado da sepultura de Nelson Bueno não correspondia a

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Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB)

Nasceu em 25 de janeiro de 1921, em Natal (RN), filho de Luís Inácio Maranhão e Maria Salmé Carvalho Maranhão.

Desaparecido aos 53 anos.

Em 1964 esteve em Cuba, juntamente com Francisco Julião a convite de Fidel Castro. Com o golpe militar foi cassado, em 1964, pelo AI-1.

Ex-deputado estadual, advogado, jornalista e professor universitário.

Em São Paulo, no dia 3 de abril de 1974, em uma praça, foi preso, fato testemunhado por diversas pessoas que tentaram socorrê-lo, pensando tratar-se de um assalto comum.

Algemado, foi conduzido em um veículo usado para transporte de presos.

Em maio de 1974, sua esposa denunciou que ele estava em São Paulo sendo torturado pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, através de carta encaminhada ao MDB e lida na Câmara Federal pelo então Secretário-Geral do Partido, Deputado Thales Ramalho.

No dia 15 de maio de 1974 o Jornal do Brasil dizia que o vice-líder da ARENA na Câmara, deputado Garcia Neto, reafirmara a disposição do governo em verificar a procedência de prisões denunciadas freqüentemente pelo MDB. Garcia Neto assegurava que, tanto o presidente da República, quanto o ministro da Justiça, “estão empenhados em constatar a veracidade dos fatos”. Chegou a dizer que “o Governo, de maneira alguma, pode ficar sem tomar providências”. Providências estas que jamais foram tomadas.

Em 8 de abril de 1987, a revista Isto É, na matéria “Longe do Ponto Final”, publica declarações do ex-médico e torturador Amílcar Lobo (cassado em 1989, pelo Conselho Federal de Medicina), que reconheceu Luís Inácio no DOI-CODI/RJ.

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Militante do Partido Comunista do Brasil (PC do B).

Desaparecida desde 1974 na Guerrilha do Araguaia quando tinha 33 anos.

Nasceu em Araraquara, Estado de São Paulo, em 16 de outubro de 1941, filha de Armando Garlippe e Durvalina Santomo Garlippe.

Fez o primário, o ginasial e o científico em Araraquara e mudou-se para a cidade de São Paulo onde fez o curso de Enfermagem na USP, formando-se em 1964. Em seguida, passou a trabalhar no Hospital das Clínicas, chegando a Enfermeira-Chefe do Departamento de Doenças Tropicais, assunto em que se especializou, fazendo inclusive algumas viagens pelo país como ao Amapá e Acre.

Participava da Associação dos Funcionários do Hospital das Clínicas, distribuindo panfletos e organizando seus colegas de trabalho.

Foi viver na região do Rio Gameleira, no Araguaia, onde desenvolveu intenso trabalho de saúde, destacando-se como parteira.

Pertenceu ao Destacamento B da guerrilha.

Foi vista viva pela última vez por seus companheiros no dia 25 de dezembro de 1973, num acampamento, próximo à Serra das Andorinhas, antes de haver intenso tiroteio contra os mesmos.

O Relatório do Ministério do Exército diz que é “considerada desaparecida desde 5/74” e, o do Ministério da Marinha, que teria sido “morta em junho/74.”

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nascido a 15 de julho de 1951, na cidade do Rio de Janeiro, filho de René de Oliveira e Silva e Lulita Silveira e Silva.

Desaparecido da Guerrilha do Araguaia aos 23 anos

Cursou o primário e o secundário no Instituto La Fayette. Em 1970, ingressou na Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, abandonando o curso no ano seguinte. Contava apenas 19 anos quando tomou a decisão de ir para o Araguaia. Com seu jeito calado, estava sempre atento aos relatos dos companheiros mais experientes. Reclamava sempre mais a sua participação nos trabalhos mais defíceis. Apesar de ter cursado apenas o 1° ano de medicina, dedicava-se bastante ao estudo, pois, como dizia”, se não me formei na cidade, serei médico formado na Universidade do Araguaia. “Compreendia que os conhecimentos de saúde ser-lhe-iam importantes. Mas sua dedicação ao estudo não se restringia apenas à medicina; gostava de estudar política e economia e não era raro vê-lo lendo jornais velhos que serviam de papel de embrulho ou que os companheiros traziam quando vinham da cidade.

Em 1980 sua mãe foi à Escola de Medicina e Cirurgia para conseguir sua fotografia e encontrou sua ficha escolar com a foto arrancada sendo informada que a mesma havia sido retirada por agentes de segurança.

Segundo informações colhidas por Cirene Barroso, mãe de Jane Barroso (desaparecida) junto aos moradores da região do Araguaia, Luiz foi preso em casa de camponeses, com a perna quebrada por projétil de arma de fogo e levado para a base militar de Bacaba (PA), no início do ano de 1974.

Aos 19 anos, em maio de 1971, Luiz René deixou o estágio e os livros do segundo ano do curso de medicina, destruiu seus retratos recentes e partiu. Só 20 meses depois, René e Lulita, seus pais, souberam que ele estava na região do Araguaia e que o seu grupo estava cercado pelo exército.

Luiz René participou do movimento estudantil e integrou-se aos quadros do Partido Comunista do Brasil, optando pela estratégia da luta no campo. Em 1970, com a finalidade de melhor se instruir para a realização de seu trabalho de conscientização e assistência da população do interior do país, fez um curso de obstetrícia na Santa Casa e estagiou no Hospital Carlos Chagas, onde comprovou as precárias condições do atendimento médico prestado à população brasileira.

Entre 1971 e 1973, época em que esteve no Araguaia, mandou três cartas para casa, nas quais informava estar bem, trabalhando muito e satisfeito com sua escolha, em todas as cartas pedia à família que as rasgassem. A partir de 1973 as informações sobre seus passos são incertas e desconexas.

Em 1975, a família inicia a busca desesperada por informações sobre o seu paradeiro. Após a confirmação pelo PCdoB de que Luiz tinha ido para o Araguaia, foram contactados familiares de outros desaparecidos. Como ninguém sabia o que havia ocorrido, os familiares começaram a se organizar nos Comitês Brasileiros pela Anistia.

Em reportagem da Revista Manchete de outubro de 1988, Lulita, sua mãe, declarou que: “Eu não acredito que se vá realmente fazer justiça. Todas as pessoas que estavam envolvidas (militares) ainda estão por perto, no poder. Estes processos envolvem muitas pessoas graúdas. Mas nós brigamos hoje pelos direitos dos nossos filhos e netos. Brigamos para que eles tenham a liberdade de falar e poder filiar-se a qualquer partido ou entidade”. Sobre seu filho, afirmou que “ele era um idealista, um garoto de 19 anos que só pensava em consertar o mundo, quando abandonou a escola de medicina, no segundo ano e decidiu ir para o campo. (…) o que havia aprendido de medicina era o bastante, porque as doenças do campo são as verminoses. O objetivo dele era dar assistência às pessoas e mostrar-lhes os seus direitos.”

Seu pai morreu em 1986 e sua mãe, sete anos depois sem receberem nenhuma informação oficial sobre o que lhe aconteceu.

O reconhecimento oficial do desaparecimento de Luiz só veio em 1995, com a Lei 9.140/95, quando foi considerado morto, embora, até hoje, não tenham sido esclarecidas as circunstâ

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Camponês que se incorporou à guerrilha do Araguaia. Casado e tinha um filho. Morava e tinha roça na localidade de Bacaba, perto de São Domingos (PA).

Segundo depoimento de sua esposa, foi morto próximo da Fazenda Fortaleza. Seu corpo foi abandonado no local mas ela não o pôde resgatar porque os soldados proibiram a população de entrar na mata.

Seu filho foi preso e obrigado a fazer o serviço militar; para isto sua idade foi reduzida em 6 anos, pois à época já contava 24 anos.

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Desaparecido de Guerrilha de Araguaia aos 32 anos.

Nascido em 19 de dezembro de 1940, em São Paulo, filho de José Francisco Nurchis e Rosalina Carvalho Nurchis.

Desaparecido na Guerrilha do Araguaia aos 32 anos.

Era operário, mas devido à intensa perseguição ao movimento político após o golpe militar de 1964, abandonou o emprego, transferindo-se para o interior.

No Araguaia, residiu na região do Rio Gameleira e pertenceu ao Destacamento B da guerrilha.

Em 30 de setembro de 1972, desapareceu em combate, quando o grupo comandado por João Carlos Haas Sobrinho foi atacado na região de Caiano.

O Relatório do Ministério da Marinha diz que “Manuel foi preso em jun/63, quando distribuía panfletos subversivos em São Paulo. Em out./72… morto em combate em Xambioá.”

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Militante do MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO POPULAR (MOLIPO).

Nasceu em 14 de dezembro de 1945, em São Paulo. Filho de Otávio Meneses Machado e Edna Beck Machado.

Estudante de Economia da Universidade Mackenzie, em São Paulo.

Foi preso no XXX Congresso da UNE, em 1968 e, em 1° de abril de 1970, teve sua prisão preventiva decretada. Foi indiciado, também, nos Inquéritos Policiais de números 7/72 e 9/72. Em 23/10/72, teve sua prisão preventiva decretada pela 2ª Auditoria Militar, referente a um outro processo de n° 100/72.

Foi morto em combate, em maio de 1973, em um sítio entre as cidades de Rio Verde e Jataí, em Goiás, juntamente com Maria Augusta Thomaz, também desaparecida.

Os agentes do DOI/CODI-SP comentaram abertamente com os presos políticos que se encontravam naquele órgão policial que Márcio e Maria Augusta haviam sido mortos, apesar de jamais terem admitido tal fato oficialmente.

Conforme depoimentos colhidos por jornalistas, em 1980, o casal se encontrava na Fazenda Rio Doce, em Rio Verde, cerca de 240 quilômetros de Goiânia, por ocasião do assassinato. O fazendeiro Sebastião Cabral e seu empregado foram encarregados de enterrar os corpos de Márcio e Maria Augusta, esfacelados pelos tiros. Os policiais lhe recomendaram que o sepultamento fosse feito a “pelo menos 200 metros do asfalto”. Três homens foram à fazenda e exumaram seus restos mortais, ao saber das investigações sobre o caso, que iniciaram-se em 1980, deixando em covas abertas alguns dentes e pequenos ossos.

No Boletim Informativo do Ministério do Exército de janeiro de 76, os nomes de Márcio Beck e Maria Augusta foram retirados da lista de procurados por serem considerados mortos.

Em documento dos órgãos de repressão encaminhado ao Delegado Romeu Tuma, Diretor do Dops em 1978, foram assumidas as mortes de Beck e Maria Augusta. Mesmo assim, as autoridades policiais jamais informaram aos familiares a respeito dessas mortes.

O Relatório do Ministério do Exército diz que “teria sido morto em tiroteio juntamente com Maria Augusta Thomaz, numa fazenda em Rio Verde/GO, no dia 17/5/73.” O Relatório do Ministério da Marinha afirma que, “em maio/73, foi morto em Goiás, em tiroteio, durante ação de segurança.”

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Militante da VANGUARDA ARMADA REVOLUCIONÁRIA PALMARES (VAR-PALMARES).

Nascido a 7 de agosto de 1954 em Sorocaba, Estado de São Paulo, filho de Waldomiro Dias Batista e Maria de Campos Batista.

Desaparecido desde 1970, quando tinha 15 anos.

Estudante secundarista do Colégio Estadual de Goiânia, tendo participado do Congresso da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, em Salvador em 1968.

Era dirigente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas – UBES.

Foi visto pela última vez viajando no interior de Goiás, em Porto Nacional, em 1970.

O Relatório do Ministério da Marinha diz que era “líder secundarista goiano, preso e desaparecido em 1970.”

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B)

Desaparecido na guerrilha do Araguaia.

Operário e ferreiro. Natural do Espírito Santo.

Em 1970 foi viver na localidade de Chega Com Jeito, onde trabalhava como ferreiro, consertando armas.

Visto pela última vez por seus companheiros no dia 20 de dezembro de 1973, próximo a um depósito de mantimentos.

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Militante do MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO POPULAR (MOLIPO).

Nascida a 14 de novembro de 1947, em Leme, Estado de São Paulo, filha de Aniz Thomaz e Olga Michael Thomaz. Foi morta aos 26 anos de idade, juntamente com Márcio Beck Machado.

Estudante do Instituto Sedes Sapientae da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, foi indiciada no Inquérito Policial 15/68 por sua participação no XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, São Paulo, em 1968.

Em 14 de janeiro de 1970 teve mandado de prisão expedido pela 2ª Auditoria da 2ª RM.

Em 29 de setembro de 1972 foi condenada no Proc. 06/70, à revelia, à pena de 17 anos de prisão, e no proc. 100/72, à revelia, à pena de 5 anos de reclusão pela 2ª Auditoria da 2ª CJM.

Em 27 de agosto de 1976, depois de três anos de seu assassinato, foi absolvida pelo STM por falta de provas concretas em outro processo.

O Relatório do Ministério do Exército diz que “consta, segundo noticiário da imprensa, que teria sido morta em 17/5/73, durante confronto com as forças de segurança no interior da Fazenda “Rio Doce” em Rio Verde/GO, juntamente com Márcio Beck Machado… Segundo reportagens veiculadas pela imprensa, os proprietários da Fazenda enterraram os corpos no local em que foram mortos, por solicitação dos agentes que executaram a missão. Ainda, de acordo com o proprietário em 31/07/80, três elementos, dizendo-se do DPF, retiraram os restos mortais do local.”

O Relatório do Ministério da Marinha, na mesma época diz que em “maio de 73 foi morta em Goiás em tiroteio, durante ação de segurança.”

Mais informações ver a nota sobre Márcio Beck Machado.

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Desaparecida, na Guerrilha do Araguaia, aos 29 anos.

Nasceu em 30/4/45 na cidade do Rio de Janeiro, filha de Edgar Corrêa e Irene Corrêa.

Era bancária e estudante de Ciências Sociais na Faculdade Nacional de Filosofia, hoje UFRJ, no Rio de Janeiro.

Em 1971 foi viver na região do Araguaia, onde já se encontrava seu irmão Elmo e sua cunhada Telma, ambos também desaparecidos. Pertenceu ao Destacamento A – Helenira Resende, da guerrilha.

Foi vista pela última vez por seus companheiros no dia 2 de janeiro de 1974 e estava com Nelson Lima Piauhy Dourado, Jana Moroni e Carretel (todos guerrilheiros desaparecidos), quando houve um tiroteio contra os mesmos.

Os moradores de São Domingos viram quando Maria Célia era levada presa, com outros guerrilheiros.

Segundo o depoimento de Maria Raimundo Rocha Veloso, moradora na Região, Maria Célia foi presa por “Manezinho das Duas” que a amarrou e levou com a ajuda de outro homem para o acampamento do Exército em Bacaba (Transamazônica).

Este depoimento foi confirmado por Geraldo Martins de Souza, delegado de São Domingos na época dos acontecimentos, e que recebeu uma medalha do Comando do Exército na região por serviços prestados. Geraldo disse que “Rosinha”, nome com que era conhecida na região, foi presa no local chamado Açaizal.

Santinho, vereador pelo PSDB, em 1991, da Câmara de São Domingos e genro de Geraldo Martins de Souza, diz que eram duas as mulheres guerrilheiras levadas para Bacaba por seu sogro, uma delas era Maria Célia. Em todos estes depoimentos as pessoas são unânimes em afirmar que estava viva e sem ferimentos de arma de fogo, em meados de 1974.

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Desaparecida no Araguaia desde 1972.

Nasceu em Agudos, Estado de São Paulo, a 20 de Março de 1950, filha de José Bernardino da Silva Júnior e de Julieta Petit da Silva.

De Regilena Carvalho Leão de Aquino, uma das sobreviventes da guerrilha:

“Cursou o primário, o ginasial e os 2 primeiros anos do curso normal, em Duartina, vindo a conclui-lo em São Paulo, no Instituto de Educação Fernão Dias, bairro de Pinheiros, em 1968, quando participou do movimento estudantil secundarista. Em 1969, prestou concurso para o Magistério. Foi professora primária municipal, lecionando na EMPG Tte. Aviador Frederico Gustavo dos Santos, Vila Nova Cachoeirinha; entusiasmava-se com sua experiência com crianças da Zona Norte de São Paulo.

Em inícios de 1970, fez sua opção política: desenvolver seu trabalho no interior do Brasil. Militante do PC do B, foi para o interior de Goiás e logo após para o Sul do Pará. Maria Lúcia dedicou-se ao magistério e ao trabalho na roça, conquistando grande simpatia dos moradores da redondeza. A partir da sua vivência no Araguaia, ela adquiriu maior conhecimento da terrível situação de abandono e miséria na qual vegetam os trabalhadores rurais e a população camponesa.

Em 1972, o Exército Brasileiro cercou a região do Araguaia, onde se encontrava Maria Lucia, e aí reprimiu a guerrilha que se desenvolveu em conseqüência da forte repressão militar.

Segundo depoimentos de alguns sobreviventes, no dia 16 de Junho de l972, ao se aproximar da casa de um camponês, Maria Lucia foi fuzilada por tropas do Exército, sob o comando do Gal. Antônio Bandeira, da 3ª Brigada de Infantaria.

Maria Lucia foi morta em plena juventude por tentar manter vivos ideais de liberdade e justiça social no período da ditadura pós-64. Sua família não recebeu até hoje o comunicado oficial de sua morte, um atestado de óbito, por parte das Forças Armadas, nem sequer a informação do paradeiro de seus restos mortais.

Às primeiras horas do dia 16 de junho de 1972, a menos de 2 Km da casa do ‘João Coioió’, Jaime (Jaime Petit da Silva), Daniel (Daniel Ribeiro Callado) e eu, fomos acordados com o disparo de um tiro ao longe e um outro tiro em seguida. Da mesma direção dos sons dos disparos, metralhadoras foram acionadas, quando o ruído distante de um helicóptero em movimento, tornava-se próximo das imediações. Estávamos acampados na retaguarda para aguardar Maria (Maria Lúcia Petit da Silva), Cazuza (Miguel Pereira dos Santos) e Mundico (Rosalindo de Souza) para ajudá-los no transporte dos mantimentos encomendados ao ‘João Coioió’. Retiramo-nos imediatamente e, ao final da tarde, acampamos nas cabeceiras da chamada Grota da Cigana. Momentos mais tarde, enquanto preparávamos o jantar, milho maduro em água de sal, cozido em fogo brando para esperar os três companheiros ausentes, surgiram Cazuza e Mundico, ensopados de suor e aflição. Perguntei pela Maria e a resposta do Cazuza foi direta e crua: ‘a reação a matou’.

“No dia anterior, os três viajaram para apanhar as sacas de farinha e outros víveres, já pagos, a serem comprados em São Geraldo-PA por ‘João Coioió’, um dos tropeiros da estrada do Pará da Lama. A data combinada para a entrega das mercadorias estava marcada para o dia 16 de junho de 1972, pela manhã. Maria acordara febril e menstruada. Enquanto eu mudava o curativo de uma ferida de leishmaniose no dorso da sua mão esquerda, conversávamos sentadas na mesma rede. Ela não aceitou ser substituída naquela tarefa, pois acreditava ser a sua relação de amizade com a família ‘Coioió’ a mais forte do grupo. Era ela a prometida madrinha do terceiro filho que ‘Lazinha’ esperava do ‘João Coioió’.

Mundico contou, então, o ocorrido: na tarde de 15 de junho de 1972, os três transitavam por um trecho da estrada do Pará da Lama quando, casualmente, encontraram-se com um trabalhador da região conhecido por “China”, que os viu encaminharem-se à picada em direção à morada do ‘João Coioió’. Souberam através do ‘China’ que não havia tropas militares naquelas proximidades. Aos fundos da casa do ‘João Coioi

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Dirigente da VANGUARDA ARMADA REVOLUCIONÁRIA PALMARES (VAR-PALMARES).

Nascido em 2 de maio de 1930, em Timbaúba, Estado de Pernambuco, filho de Antônio Joaquim da Silva e Maria Joana Conceição e desaparecido aos 41 anos.

Lavrador e sapateiro, de origem camponesa, filho de família pobre, começou a trabalhar aos 12 anos como assalariado agrícola. E, em seguida, como operário da indústria de calçados. Desde 1951 era casado com Paulina e pai de 7 filhos.

Preso em Timbaúba em 28 de outubro de 1954, por “atividade subversiva” foi liberado no dia seguinte. Foi novamente preso em 5 de maio de 1956.

Foi eleito, em 1961, secretário do Sindicato Rural de Timbaúba, em Pernambuco e era membro das Ligas Camponesas, chegando a integrar o Secretariado Nacional desta organização. Em 1966 foi decretada sua prisão preventiva, desde então, passou a viver na clandestinidade. Em 1970, foi novamente indiciado em IPM instaurado em Brasília.

Em setembro de 1970, a família teve o último contato com Mariano em Brasília. Logo após, ainda em setembro, recebeu informações de que fora preso na Rodoviária de Recife.

O Relatório do Ministério do Exército diz que “foi processado e condenado à revelia pela 11ª CJM a 10 anos de reclusão.”

No livro “Brasil Nunca Mais” está registrado que o órgão que efetuou sua prisão foi o DOI-CODI/SP. Posteriormente, foi transferido para a “Casa da Morte” (em Petrópolis), onde foi visto por Inês Etienne Romeu. Em sua denúncia, Inês afirma ter visto e falado várias vezes com Mariano, que se identificou, tendo-lhe relatado que ali chegara em 02 de maio, proveniente de Recife, onde tenha sido preso.

Inês foi acareada com Mariano (…) e relata que teve contato com ele até o dia 31 de maio, quando, na madrugada, ouviu uma movimentação estranha e percebeu que estava sendo removido. No dia seguinte, indagou a seus carcereiros sobre Mariano, os quais lhe disseram que ele havia sido transferido para o quartel do Exército no Rio de Janeiro. Desde então, nada mais se soube de Mariano.

Inês afirma ainda que Mariano, quando preso em Recife, foi torturado, o que continuou ocorrendo na “Casa da Morte”, onde foi interrogado por quatro dias ininterruptamente, sem dormir, sem comer e sem beber. Permaneceu por quase um mês naquele aparelho clandestino da repressão, fazendo todo o serviço doméstico, inclusive cortando lenha para a lareira. Um dos carrascos da Casa da Morte (Dr. Teixeira) disse a Inês que Mariano fora executado, pois pertencia ao comando da VAR-Palmares e era considerado irrecuperável.

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Secretário-Geral do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO REVOLUCIONÁRIO (PCBR).

Nasceu em 14 de fevereiro de 1923 em Santa Sé, Estado da Bahia, filho de Romualdo Leal Vieira e Julieta Alves de Sousa Vieira.

Desaparecido aos 47 anos, no Rio de Janeiro.

Jornalista, tendo dirigido os jornais Novos Rumos e Voz Operária. Fez o curso secundário em Salvador e foi um dos fundadores da União dos Estudantes da Bahia. Participou da UNE. Ingressou no PCB e foi um dos líderes do movimento de massas de 1942 em Salvador, contra o nazi-fascismo.

Em 1945 passou a integrar o Comitê Estadual do PCB na Bahia e em 1957, foi eleito para o Comitê Central.

Com o golpe de 1964, tornou-se um dos líderes da corrente de esquerda dentro do PCB. Atuando nas difíceis condições de clandestinidade, foi preso, em julho de 1964, no Rio de Janeiro, sendo libertado somente um ano depois por concessão de habeas-corpus.

Por sua oposição à orientação predominante na direção do PCB, Mário Alves foi afastado da Comissão Executiva e deslocado para atuar em Belo Horizonte, onde permaneceu até 1967. Já, em 20 de maio de 1966, um ato do Presidente Castelo Branco cassa seus direitos políticos por 10 anos. Em 6 de junho do mesmo ano, foi julgado à revelia no chamado processo das “Cadernetas de Prestes” e condenado a 7 anos de prisão, pela 2ª Auditoria Militar de São Paulo.

A luta interna no PCB também se acirrava e, no VI Congresso, realizado em 1967, Mário Alves, juntamente com Carlos Marighella, Joaquim Câmara Ferreira, Jacob Gorender, Apolônio de Carvalho, Manuel Jover Telles e Miguel Batista dos Santos foram expulsos.

Em 1968, junto com Jacob Gorender, Apolônio de Carvalho e outros, Mário Alves fundou o PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário), continuando a militar clandestinamente.

Em 16 de janeiro de 1970, entre 19:30 e 20:00 horas, saiu de casa para voltar dentro de pouco tempo. Foi preso pelo DOI/CODI-RJ, para onde foi levado. Na madrugada do mesmo dia, Mário Alves morreu sob torturas.

Mário foi visto sangrando, abundantemente, na sala de tortura, por vários presos políticos que se encontravam no DOI/CODI, dentre os quais, René Carvalho, Antônio Carlos de Carvalho e o advogado Raimundo Teixeira Mendes .

Os soldados que serviam no PIC (Pelotão de lnvestigações Criminais), onde está situado o DOI-CODI, foram retirados do local, para que o corpo de Mário pudesse ser removido sem testemunhas.

Apesar das evidências, os órgãos de segurança negam a prisão de Mário.

Em 01 de dezembro de 1987 foi julgada a apelação civil n° 75.601 (RJ), registro 2678420, onde sua mulher e filha conseguiram da União a responsabilidade civil por sua prisão, morte e danos morais. Foi o 1° caso de desaparecido político em que a União reconheceu sua responsabilidade. Foram advogadas as Dras. Francisca Abigail Barreto Paranhos e Ana Maria Müller.

O Relatório do Ministério do Exército diz que “foi condenado em 06/06/66 a 7 anos de reclusão e em 17/11/73, a três anos, ambos a revelia.”

Dilma, companheira de Mário Alves, enviou uma carta à esposa do cônsul brasileiro, seqüestrado no Uruguai. Destacamos aqui alguns trechos:

“Todos conhecem seu sofrimento, sua angústia. A imprensa falada e escrita focaliza diariamente o seu drama. Mas do meu sofrimento, da minha angústia, ninguém fala. Choro sozinha. Não tenho os seus recursos para me fazer ouvir, para dizer também que “tenho o coração partido”, que quero meu marido de volta. O seu marido está vivo, bem tratado, vai voltar. O meu foi trucidado, morto sob tortura, pelo 1° Exército, foi executado sem processo, sem julgamento. Reclamo seu corpo. Nem a Comissão de Direitos da Pessoa Humana me atendeu. Não sei o que fizeram dele, onde o jogaram.

Ele era Mário Alves de Souza Vieira, jornalista. Foi preso no dia 16 de janeiro do corrente, na Guanabara, pela polícia do 1° Exército e levado para o quartel da P.E., sendo espancado barbaramente de noite, empalado com um cassetete dentado, o corpo todo esfolado por escova de arame, por se recusar a prestar informações exigidas pelos torturadores do 1° Exército e do DOPS. Alguns presos,

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Dirigente do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em Salvador, no dia 2 de outubro de 1912, filho do comerciante Agostim Grabois e de Dora Grabois, ambos judeus de nacionalidade russa.

Maurício teve um casal de filhos: André Grabois, também militante do PCdoB e morto no Araguaia, provavelmente em outubro de 1973, e Vitória Lavínia Grabois Olímpio.

Desaparecido aos 61 anos em 1973, no Araguaia.

Fez o curso primário em vários colégios devido às inúmeras viagens e mudanças de seu pai. Em 1920, quando sua família regressou a Salvador, concluiu a escola primária. Em 1925 ingressou no Ginásio da Bahia, passando a sentir interesse pela política por influência de seu diretor, Bernardino José de Sousa. Também nessa época conheceu e tornou-se amigo de Carlos Marighella (morto em 1969), que freqüentava o mesmo colégio. Formou-se em 1929. No início do ano seguinte foi para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, onde passou a freqüentar o curso preparatório para a Escola Militar de Realengo, nela ingressando em 1931, mas não concluiu o curso por ter sido expulso em 1933.

Foi então para a Escola de Agronomia, onde cursou até o 2° ano, abandonando definitivamente os estudos para dedicar-se à vida política.

No início da década de 30, Grabois foi um dos primeiros organizadores do PCB nas Forças Armadas, quando aluno da Escola Militar. Logo após sua entrada para o PCB, passou também a atuar na Juventude Comunista e, em 1934, foi encarregado do setor nacional de agitação e propaganda da Federação da Juventude Comunista do Brasil. Em 1935, Maurício Grabois integrou-se nas ações desenvolvidas pela Aliança Nacional Libertadora (ANL).

Durante o período do Estado Novo (1937-1945), foi condenado à revelia, em 1940, num processo em Minas Gerais. No início de 1941, Grabois foi preso no Rio de Janeiro. Libertado no início de 1942, formou no Rio, ao lado de Amarílio Vasconcelos, a Comissão Nacional de Organização Provisória (CNOP).

Trabalhou na empresa de aviação Panair do Brasil e participou da fundação e da direção da editora Horizonte, do PCB, com sede no Rio de Janeiro. Em maio de 1945 dirigiu o jornal “A Classe Operária”, função que manteria até 1949, quando o jornal foi fechado.

Nas eleições de 2 de dezembro de 1945 para a Assembléia Nacional Constituinte, o PCB elegeu um senador e 14 deputados, entre os quais Grabois, pelo antigo Distrito Federal. Assumindo seu mandato em fevereiro de 1946 foi designado líder da bancada comunista. O período da legalidade do PCB chegou ao fim, em 7 de maio de 1947, quando o TSE cancelou o seu registro e Grabois teve o seu mandato cassado.

Devido à repressão policial aos comunistas, a partir de 1948, Grabois passou a atuar na clandestinidade.

Em agosto de 1957 rejeitou a política soviética de coexistência pacífica, explicitando suas divergências com a orientação do PCB. Em fevereiro de 1962, juntamente com Pomar, Danielli e outros, organizou o Partido Comunista do Brasil, relançando o antigo nome e preservando o projeto político-partidário anterior ao XX Congresso do PCUS. Em março de 1962 foi relançado o jornal A Classe Operária, órgão central do PC do B, dirigido por Grabois e Pomar.

Após o golpe militar de 1° de abril de 1964, voltou a viver na clandestinidade. Por força do AI-2 (27/10/1965), teve seus direitos políticos cassados. Foi condenado pela 2ª Auditoria do Exército – 1ª CJM nos Processos n° 7512, a 2 anos de reclusão, e 7478, a 10 anos de reclusão. Também foi condenado pela 1ª Auditoria a 5 anos de reclusão e pela 2ª Auditoria a 2 anos de reclusão.

Em 1967, iniciou os preparativos de um movimento de guerrilha na região do Araguaia, no sul do Pará, onde passou a viver, estabelecendo-se na localidade de Faveira. Em 1972, o Exército descobriu o núcleo guerrilheiro no Araguaia. As tropas enviadas à região, estimadas em 20 mil homens, eliminaram 59 guerrilheiros do PCdoB, entre os quais Maurício Grabois.

O jornal “O Estado de São Paulo”, do dia 10/10/82, diz que Maurício morreu com um tiro de FAL na cabeça que arrancou-lhe o cérebro e outro na perna que provocou fratura exposta

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nascido a 12 de julho de 1943, em Recife/PE, filho de Pedro Francisco dos Santos e Helena Pereira dos Santos.

Desaparecido na Guerrilha do Araguaia aos 29 anos.

Muito cedo, quando contava apenas 13 anos, começou a trabalhar. Em 1964, mudou-se com a família para São Paulo e, neste mesmo ano concluiu o curso científico no Colégio de Aplicação da USP. Trabalhava no Banco Intercontinental do Brasil. No ano seguinte entrou na clandestinidade por perseguição política.

Em 1968, o DOPS, ao procurar Miguel, interrogou sua mãe, ocasião em que o Delegado Wanderico mostrou-lhe fotocópias de documentos de Miguel que teriam sido enviadas pela CIA, e dizendo que Miguel estivera na China. Várias vezes a casa de sua mãe foi invadida pela polícia política.

Indo para o campo, residiu inicialmente na Praia Chata, ao norte de Goiás às margens do Rio Tocantins e, posteriormente no sul do Pará, na localidade de Pau Preto, integrando o Destacamento C da guerrilha.

Segundo Regilena, ex-guerrilheira do Araguaia, Miguel foi morto no dia 20 de setembro de 1972, conforme informação do General Bandeira de Melo, responsável pelos interrogatórios no Pelotão de Investigações Criminais da Polícia do Exército, em Brasília, onde a mesma se encontrava presa.

O Relatório do Ministério do Exército afirma que Miguel “participou ativamente da Guerrilha do Araguaia, onde teria desaparecido em 1972.”

No movimento guerrilheiro Miguel era conhecido como Cazuza.

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu a 3 de maio de 1941 em Jacobina, Estado da Bahia, filho de Pedro Piauhy Dourado e Anita Lima Piauhy Dourado.

Desaparecido na Guerrilha do Araguaia, aos 33 anos.

Fez o curso primário e o ginasial em Barreiras, na Escola de Dona Jovinha e Colégio Padre Vieira, respectivamente. Indo para Salvador, fez o curso científico nos colégios Bahia e Ipiranga. Trabalhou na Refinaria Landulfo Alves, em Mataripe (BA). Filiou-se ao Sindipetro, desenvolvendo intensa atividade sindical.

Com o golpe militar de 1964, foi preso e demitido do emprego. Por algum tempo, trabalhou como motorista de táxi, passando a atuar no eixo Rio/São Paulo e sempre visitava seus pais em Barreiras.

Em 1967, entrou para a clandestinidade, viajando para o norte do país e, posteriormente indo residir na localidade de Metade, no sul do Pará. Aí conheceu Jana Moroni Barroso (desaparecida), com quem se casou em 1971.

Foi morto em 2 de janeiro de 1974, em combate. Com ele se encontravam os guerrilheiros Maria Célia Correa, Jana Moroni e Pedro Carretel, todos desaparecidos.

No mesmo ano, agentes do DOPS de Salvador invadiram a casa dos irmãos de Nelson, apoderando-se de uma carta onde os seus companheiros de guerrilha informavam sua morte, procurando assim não deixar qualquer prova da existência de combates na região do Araguaia.

Seu irmão José também é um dos guerrilheiros desaparecidos no Araguaia.

Sua mãe veio a falecer nesse mesmo ano de 1974, ao saber da morte de seus filhos

O Relatório do Ministério da Marinha diz que Nelson foi “morto em 2/1/74”.

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Dirigente do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB).

De origem camponesa, Nestor Veras nasceu no dia 19 de maio de 1915, em Ribeirão Preto, São Paulo. Era filho de Manoel Veras e Pilar Velasques. Gostava de tocar clarineta.

Segundo dados existentes no CIE, esteve fazendo curso em Moscou.

Foi integrante do Comitê Central do PCB, encarregado do setor camponês. Membro da direção da União dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas do Brasil e Tesoureiro da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura. Cassado pelo AI-1. Condenado a 5 anos de reclusão pela LSN, passou a viver na clandestinidade. Foi preso em frente a uma drogaria, em Belo Horizonte, em abril de 1975, conforme denúncia de Luís Carlos Prestes. Desde, então, Nestor está desaparecido.

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Cidadão argentino.

Secretário-Geral da Juventude Democrata-Cristã, na Argentina, em 1964. Jornalista.

Fundador do Partido Peronista Autêntico, braço político do movimento clandestino Montoneros.

A 30 de julho de 1978, usando passaporte em nome de Hector Esteban Cuello, embarcou na cidade do México, às 14 horas e, em vôo da PanAm, chegou ao Rio de Janeiro no dia seguinte.

Seu desembarque no Rio de Janeiro, em 31 de julho, foi confirmado por carta de Oswaldo Camchion, embaixador da Argentina no Brasil, afirmando estar registrada a entrada no País de uma pessoa com o nome de Hector Esteban Cuello.

Desde então Norberto não mais foi visto, tendo seu seqüestro ocorrido entre 31 de julho e 3 de agosto, no Brasil.

Gestões junto às autoridades brasileiras nada esclareceram sobre o paradeiro de Norberto, constando que teria sido “trocado” com o governo argentino por um brasileiro preso naquele País.

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Dirigente da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR).

Nasceu aos 26 de janeiro de 1937 em Jacupiranga, Estado de São Paulo, filho de Júlio Rosário e de Maria Pinto Rosário.

Desaparecido aos 36 anos.

Ex-sargento do Exército Brasileiro.

Seu prontuário nos arquivos do antigo DOPS/SP registra que Onofre teve seus direitos políticos cassados pelo Ato Institucional n°1 e sua prisão preventiva decretada, em 8 de outubro de 1964, pela 2ª Auditoria de Guerra de São Paulo, por sua participação no “Movimento dos Sargentos”.

Foi indiciado em IPM instaurado pela 2ª Auditoria da 2ª RM em 2 de fevereiro de 1966.

Foi preso no dia 2 de março de 1969 por elementos do DOPS e da 2ª Cia-PE.

Foi banido do Brasil em setembro de 1969, quando do seqüestro do embaixador americano no País, e viajou para o México com outros 14 presos políticos.

Ainda dos registros policiais consta que, “Informação do II Exército de 29/01/70, esclarece que Onofre Pinto … teria a intenção de retornar ao Brasil… em princípios de fevereiro de 1970”. E completa os dados: “O Ministério do Exército nos cientificou que provavelmente o marginado encontrar-se-ia no Chile.” Mais adiante, outras informações ratificam o quanto se encontrava “cercado” pelos policiais: “A CIOP, em 2/7/73, nos cientificou o seguinte: ‘A carteira de identidade de Francisco Wilton Fernandes, emitida pelo Instituto Nacional de Identificação do Departamento de Polícia Federal, Brasília, em 17/05/73, RG n° 104.947, estaria de posse de um aparelho de subversivos brasileiros em Santiago do Chile. Segundo informante, a referida carteira deverá ter a fotografia substituída pela de Onofre Pinto.’”

“O Ministério da Aeronáutica, em 1/8/73 nos cientificou que o ex-sargento do Exército Onofre Pinto… reside em Santiago do Chile no seguinte endereço…”

“Relatório de Plantão de 29/6/74, nos cientifica que através do Rádio n° 3749, proveniente da DPF, fomos solicitados a observar os indivíduos Onofre Pinto e Daniel José de Carvalho, que se dirigem para São Paulo, procedentes do Uruguai…”

Desapareceu em julho de 1974, quando tentava entrar clandestinamente no Brasil com um grupo de banidos.

Jornal Foz do Iguaçú

07/07/05

Líder do grupo, Onofre foi envenenado em Foz Exército tentou persuadir remanescente da VPR, que não “colaborou com a repressão” e foi morto, diz fonte.

Após cumprir a primeira parte do extermínio, Albery Vieira dos Santos retornou com “Roberto” ao sítio no qual estava Onofre Pinto (foto). Serenos, os dois contaram ao remanescente da Vanguarda Popular Revolucionária sobre o “sucesso da expropriação do banco”. A próxima etapa do plano era encontrar os colegas, acampados na floresta, para recompor o grupo.Onofre Pinto percorreu o mesmo trajeto. Cruzou o Rio Iguaçu numa balsa, andou cinco quilômetros na Rural Willys, desceu do carro para encontrar os amigos e, assim como eles, caiu na armadilha, contou “Roberto”. O destino de Onofre, no entanto, foi um pouco diferente, conforme relato da fonte. Segundo ela, num primeiro momento, a vida dele foi poupada. Sem a máscara, o ex-sargento contou a verdade e alertou o sobrevivente: ele teria a vida poupada caso colaborasse com a repressão, passando informações sobre militantes e dedurando a estrutura da VPR, que àquela altura estava em completa desestruturação. A ditadura acreditava que ela tinha muito a informar, afinal Onofre Pinto pertencera ao agrupamento inicial da organização, em 1968.Mesmo a VPR tendo sofrido um baque com a morte de seis militantes em Pernambuco, em 1973, que levaria ao seu fim meses depois, era importante extrair ao máximo de Onofre Pinto para aniquilar outros revolucionários. Afinal a vanguarda fizera forte resistência aos militares, contara com adesão do capitão do Exército Carlos Lamarca e assumira a autoria dos seqüestros dos diplomatas japonês, suíço e alemão. A revelação do massacre feito por Albery soou para Onofre como um alerta para ele colaborar com a repressão, mas isso não iria ocorrer. Conforme “Roberto”, Onofre foi levado para Foz do Iguaçu e ficou numa casa de propriedade do Exército, próximo ao

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Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB).

Filho de Orlando da Silva Rosa Bonfim e de Maria Gasparini Bonfim, nasceu no dia 14 de janeiro de 1915, em Santa Tereza, Espírito Santo.

Fez seu primeiros estudos em Vitória.

Mudando-se para Belo Horizonte, fez o curso de Direito na UFMG e exercia as atividades de jornalista no “Estado de Minas”, jornal de grande circulação, do qual, ainda jovem, foi Secretário. Foi jornalista até 1964, quando o jornal que dirigia no Rio, “Novos Rumos”, foi fechado. Orlando foi eleito vereador em Belo Horizonte nas eleições de 1946, tendo sido líder do seu partido, o PCB.

Foi um dos signatários do Manifesto dos Mineiros e passou a dirigir jornais partidários e a advogar gratuitamente. Em 1958 mudou-se para o Rio de Janeiro, e começou a trabalhar na “Imprensa Popular”.

Uma das participações mais marcantes de Orlando foi na greve dos Operários do Morro da Mina, que durou 43 dias. Orlando atuou como advogado dos operários, morou com eles e foi lá que, procurado vivo ou morto, conseguiu cobertura de casa em casa, escondendo-se da polícia.

No dia 8 de outubro de 1975, sua família ficou sobressaltada por um telefonema anônimo, em que alguém, dizendo-se tratar de “um amigo de seu pai”, comunicava a um dos filhos a prisão de Orlando e pedia que a família contratasse um advogado e comunicasse o fato à ABI. Imediatamente, os filhos e o Comitê Central do PCB mobilizaram-se para localizá-lo.

No mesmo dia, foi feito contato com uma autoridade em Brasília, que prometeu elucidar o desaparecimento de Orlando em 72 horas. Passaram-se as horas, os dias, os anos e Orlando nunca foi encontrado, apesar dos esforços de partidos políticos e entidades como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Comitê Brasileiro pela Anistia, Comissão de Justiça e Paz e OAB. Todos os instrumentos legais foram acionados e, no dia 13 de outubro, seu advogado deu entrada a uma petição na 2ª Auditoria da Marinha, onde Orlando Bonfim tinha um mandado de prisão preventiva decretado. De acordo com a petição, qualquer dependência policial ou militar em que se encontrasse, deveria comunicar o fato imediatamente à Marinha.

Seu corpo nunca foi encontrado e paira a angústia de não saber seu paradeiro, como o de tantos outros companheiros dados como desaparecidos.

Orlando Bonfim Júnior era casado e pai de seis filhos: Regina, Orlando, Roberto, Olga, Sérgio e Beatriz. Segundo depoimento de amigos e familiares, era uma pessoa de caráter sincero e franco. Sua convivência era a mesma em qualquer nível social, tanto era liberal, respeitado, no meio operário, como entre políticos e intelectuais.

Era um espírito aberto e “sem verdades pré-fabricadas”. Era admirado por todos que tinham o privilégio de desfrutar do seu convívio. Um de seus filhos contou que uma de suas irmãs era religiosa “devotada” e o pai que era ateu jamais reprimiu a filha, pelo contrário, acordava-a sempre para que não perdesse o horário da missa.

Orlando era um ídolo para os filhos que não se conformaram em ter o pai arrolado na lista de presos políticos desaparecidos.

De acordo com declarações do ex-sargento do DOI-CODI/SP, Marival Dias Chaves do Canto, em declarações à revista “Veja” de 18/11 /92, Orlando Bonfim Júnior, como pertencente à cúpula do PCB, foi morto com injeção para matar cavalo. Foi capturado no Rio de Janeiro pelo Destacamento de Operações e de Informações de São Paulo e levado para o cárcere Castello Branco. Foi morto e jogado no Rio Avaré, no trecho entre a cidade de Avaré/SP e a rodovia Castelo Branco

Nos documentos encontrados no DOPS/SP lê-se:

- 14/7/64 – Cassado pelo AI-1 de 1964;

- 1/6/71 – foi condenado a 7 anos de prisão pela Auditoria da 4ª RM.

- 22/9/78 – O Conselho Permanente de Justiça da 2ª Auditoria da Marinha o absolveu por insuficiência de provas.

No livro “Desaparecidos Políticos”, sua filha, Beatriz Bonfim, diz:

“Preso no Rio de Janeiro, nas proximidades do bairro de Vila Isabel na tarde do dia 8, a favor dele foi impetrado um habeas corpus junto ao STM pelo advogado Humberto Jansen Machado da ABI… No dia 13, o advog

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nascido em 10 de outubro de 1933, em Rio Claro, Estado de São Paulo, filho de Alvaro Momente e Antônia Rivelino Momente.

Operário em São Paulo até transferir-se para o Araguaia, onde desapareceu aos 41 anos.

Em sua cidade natal, fez o curso primário e o de desenho mecânico, concluindo-o em 1950. Mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou como operário na Companhia Antarctica Paulista entre 1951 e 1959.

Ali conheceu sua esposa com quem se casou em abril de 1961 e tiveram uma filha, Rosana Momente.

Militou no PCB e posteriormente no PC do B. Com o golpe militar de 1964, foi viver com sua família em uma fazenda em Fernandópolis, onde ficou pouco tempo, indo para a clandestinidade.

Periodicamente visitava a sua família, sendo que, no ano de 1969, foi a última vez que esteve com seus familiares.

Devido às perseguições políticas, foi viver no norte de Goiás e posteriormente no sul do Pará, próximo à Transamazônica, na localidade de Paxiba.

Tinha um gênio alegre e muito criativo. Sabia sair-se com facilidade de situações difíceis. Muito habilidoso e prestativo, conquistava facilmente a simpatia de todos que o conheciam. Com seu espírito arrojado, em algumas ocasiões esteve frente a frente com agentes da repressão, passando por camponês e dando informações erradas sobre os guerrilheiros, contando para isto com a ajuda dos moradores que o apresentavam como compadre ou parente.

Pertencia ao Destacamento A – Helenira Resende – da Guerrilha.

Foi visto pela última vez por seus companheiros no dia 30 de dezembro de 1973. Em 1974, Joana de Almeida, moradora da região e esposa de Luiz Vieira de Almeida, camponês também desaparecido, esteve em seu antigo sítio na Paxiba, próximo a São Domingos, e encontrou restos de uma ossada humana, semi-enterrada. Visíveis estavam o crânio e um fêmur, com características de terem sido enterrados há pouco tempo, porque ainda tinham restos de carne. Ao lado da ossada estava um chapéu feito de couro de coati curtido, o que lhe deu certeza de que se tratava de seu compadre e amigo Orlando. Na época, Joana nada pôde fazer porque estava proibida pelo Exército de ir a seu sítio, ao qual fora às escondidas à procura de alimentos. Este depoimento foi dado à equipe de jornalistas da revista “Manchete” em 1993.

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em 27 de abril de 1938, em Passa Quatro, Minas Gerais.

Desaparecido desde abril de 1974.

Filho de José Orlando da Costa e Rita Orlando dos Santos.

Entre 1952 e 1954 morou na cidade de São Paulo, estudando na Escola Técnica, onde fez o Curso Industrial Básico de Cerâmica, o que lhe assegurou a condição de artífice em cerâmica.

Mudou-se para o Rio de Janeiro, matriculando-se na Escola Técnica Federal, onde diplomou-se em Técnico de Construção de Máquinas e Motores, em 1958.

Como atleta, vinculou-se ao Botafogo Futebol e Regatas, por ele competindo como lutador de box.

Tornou-se oficial da reserva do Exército, após servir no CPOR/RJ.

Viajou para a Checoslováquia, tendo, em Praga, estudado Engenharia de Minas.

Negro, forte, com quase dois metros de altura, era uma figura inconfundível.

No entanto, seu físico contrastava com sua meiguice e afetividade. Por sua militância política foi obrigado a viver na clandestinidade logo depois do golpe militar de 1964.

Foi dos primeiros a chegar à região do Araguaia-Tocantins, por volta de 66-67. Entrou na mata como garimpeiro e mariscador. Era o maior conhecedor da área, tanto da guerrilha como das circunvizinhanças. No ano de 1969, fixou sua residência numa posse que adquiriu às margens do Rio Gameleira, onde mais tarde a ele se juntaram outros companheiros. Era muito querido e respeitado tanto pela população como pelos companheiros.

Conta-se a seu respeito inúmeras histórias como a de que, estando de passagem em casa de uma família camponesa, encontrou a mulher desesperada porque não tinha dinheiro para comprar comida para seus filhos. Era uma casa pobre. Não tinham nada. Osvaldo perguntou-lhe se queria vender o cachorro. A mulher, sem outra alternativa, disse que sim. Tanto ela como Osvaldo sabiam o que significava a perda do cão: mais fome, pois na região, sem cachorro e arma é difícil conseguir caça. Osvaldão pagou-lhe o preço do cão e, a seguir, disse-lhe: guarde-o para mim que eu não poderei levá-lo para casa agora.

Sobre Osvaldão surgiram inúmeras lendas: sobre sua bondade, sua força, sua coragem e também sobre sua pontaria. Foi comandante do Destacamento B, onde participou com êxito de vários combates. Foi, ao lado de Dina, o mais conhecido combatente entre a população do Araguaia.

Estava entre os combatentes que foram atacados por grande contingente das Forças Armadas em 25 de dezembro de 1973, conseguindo escapar. Segundo depoimentos de moradores da região, ele foi morto em abril de 1974, perto da localidade de São Domingos, próximo à Semana Santa. Foi ferido com um tiro de espingarda 22 na barriga disparado por Piauí, um bate-pau que fez isto por dinheiro. Em seguida foi fuzilado pelos militares. Seu corpo foi dependurado por cordas em um helicóptero que o levou de Saranzal, local onde foi morto, até o acampamento militar de Bacaba e de lá para Xambioá. Quando seu corpo foi içado pelo helicóptero, caiu e quebrou o pé esquerdo. Posteriormente sua cabeça foi decepada e exposta em público. Na base militar de Xambioá, seu cadáver foi mutilado por chutes, pedradas e pauladas dadas pelos militares e, finalmente, queimado e jogado no buraco, também chamado de “Vietnam” – vala situada ao final da pista de aterrizagem da Base Militar de Xambioá onde eram jogados os mortos e os moribundos. Com o término das operações militares nesta área, foi feita uma grande terraplanagem, que descaracterizou o local.

Os depoimentos colhidos pelos familiares nas diversas vezes que estiveram na região e as informações de jornais são coincidentes e se complementam.

O Relatório do Ministério do Exército diz que “foi morto em 7/fev/74”.

Usava os nomes falsos de Armando Borges, Armando Pinto e Jorge Ferreira.

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Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN).

Nasceu a 05 de outubro de 1945, na cidade do Rio de Janeiro, filho do General Cristovan Sanches Massa e Laís Maria Botelho Massa.

Desaparecido aos 26 anos de idade, no Rio de Janeiro.

Cursou o 1° grau na escola Argentina e na Escola Marechal Trompovsky, no Rio. Fez o 2° grau no Ginásio Santo Antônio, em São João del Rei e no Colégio Mello e Sousa, no Rio.

Trabalhou no Banco do Brasil, onde entrou por concurso em 1965. Em 1968, iniciou o Curso de Ciências Econômicas, na antiga Universidade do Estado da Guanabara, hoje Universidade Estadual do Rio de Janeiro, passando a participar do Diretório Acadêmico e do movimento estudantil.

Depoimente de sua mãe:

“Em 20 de março de 1969, por participação no movimento estudantil, foi preso no DOPS/RJ para averiguações. Respondeu a vários processos, sendo absolvido em todos eles. Em 15 de novembro de 1971, desligou-se do Banco do Brasil, onde trabalhava e entrou na clandestinidade, pois já militava na ALN.”

Em 30 de janeiro de 1972 foi preso, juntamente com Ísis Dias de Oliveira, sendo levado para o DOI-CODI/ RJ. Em 02 de fevereiro de 1972, logo após a prisão de Paulo César, agentes do DOPS/RJ estiveram em casa de seus pais. Estes, só souberam de sua prisão através de Robson Grace, vizinho, que esteve preso no DOI-CODI/RJ, de fevereiro a abril de 72, e os informou que soube naquele local que Paulo César estava preso.

Em entrevista ao jornal “Folha de São Paulo”, um general de destacada posição dentro dos órgãos de repressão, confirma a morte de Paulo e outros 11 desaparecidos.

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Militante do MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO 8 DE OUTUBRO (MR-8).

Nasceu em 16 de fevereiro de 1945, em Juiz de Fora/MG, filho do General Othon Ribeiro Bastos e de Maria do Carmo Costa Bastos, cursou o 1° e 2° graus no Colégio Militar do Rio de Janeiro. Ingressou na Faculdade de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, terminando seu curso em 1970. Trabalhava como Engenheiro Hidráulico no Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS). Foi preso com Sérgio Landulfo Furtado, em 11 de julho de 1972, no bairro carioca da Urca, tendo morrido sob torturas três dias depois. Estava clandestino e respondeu a alguns processos por integrar o MR-8.

Há versões de que Sérgio e Paulo teriam percebido o cerco feito pelos órgãos de repressão na Urca e tentaram escapar como passageiros de um ônibus. Os policiais bloquearam a única saída do bairro, revistando todos os veículos. Num deles, prendendo os dois jovens.

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Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN).

Nasceu a 26 de maio de 1944 em Morrinhos, Estado de Goiás, filho de Pedro Celestino da Silva e Zuleika Borges Pereira Celestino.

Desaparecido aos 27 anos.

Presidente da Federação dos Estudantes Universitários de Brasília. Advogado em Goiânia.

Em 24 de março de 1971 foi julgado e condenado à revelia, à pena de 2 anos e 6 meses de reclusão. Foi preso no Rio de Janeiro em 12 de julho de 1971, juntamente com Eleni Guariba.

Inês Etienne Romeu, em seu relatório sobre sua prisão na “Casa da Morte”, em Petrópolis, afirma que ouviu Paulo de Tarso sendo torturado naquele aparelho clandestino da repressão, em julho de 1971. Foi interrogado durante 48 horas pelos torturadores conhecidos como Dr. Roberto, Lalcato, Dr. Guilherme, Dr. Teixeira, Zé Gomes e Camarão. Colocaram-no no pau-de-arara, deram-lhe choques elétricos e obrigaram-no a ingerir grande quantidade de sal. Durante muitas horas Inês ouviu-o suplicando por um pouco d’água.

Apesar da denúncia pública da OAB, sua prisão não foi reconhecida.

Em 8 de abril de 1987, a revista “Isto ɔ, na matéria “Longe do Ponto Final”, publicou declarações do ex-médico torturador Amílcar Lobo (cassado em 1989 pelo Conselho Federal de Medicina) que reconheceu que Paulo de Tarso esteve no DOI-CODI/RJ, sem precisar a data.

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Desaparecido na Guerrilha do Araguaia desde 25 de dezembro de 1973.

Militante desde o início da década de 60. Era economista, mas devido a perseguições políticas, abandonou a profissão sendo dos primeiros a chegar à região de Caianos, no Araguaia. Foi Comandante do Destacamento C da guerrilha, até integrar-se ao Destacamento da Guarda da Comissão Militar.

Morto juntamente com outros companheiros, entre eles Maurício Grabois, Gilberto Olímpio Maria e Guilherme Gomes Lund, numa ação comandada pelo Major Curió. Ver maiores detalhes na nota sobre Maurício Grabois.

Segundo o “Jornal do Brasil”, de 24 de março de 1992, seu corpo estava crivado de balas.

Usava o nome falso de Manoel Machado.

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu no dia 14 de maio de 1949, na cidade de Pains, Minas Gerais, filho de Maria Leonor Pereira Marques e Sílvio Marques Camilo.

Aos 15 anos transferiu-se para Acesita, indo morar na casa de uma tia onde estudou por algum tempo, retornando, depois, a Belo Horizonte onde concluiu o 2° grau no Colégio Lúcio dos Santos. Ingressou, em seguida, no curso pré-vestibular Pitágoras, preparando-se para o vestibular de Química. Era funcionário do Banco de Minas Gerais e participou ativamente da greve dos bancários de 1968, razão pela qual foi indiciado na Lei de Segurança Nacional.

Participava também do trabalho comunitário na Igreja de Santa Efigênia, em Belo Horizonte. Perseguido pela repressão, partiu para a clandestinidade, indo viver em Itapetininga, no interior da Bahia, e na cidade do Rio de Janeiro, onde sua irmã, casualmente, o encontrou.

Tocava violão, cantava e compunha canções, o que contribuiu para aumentar sua popularidade entre os companheiros.

Em 1969 foi viver no lugar denominado Palestina, na região do Araguaia, onde montou uma pequena farmácia, juntamente com o companheiro, Ciro Flávio Salasar Oliveira, tornando-se, em pouco tempo, conhecido pela região.

Em última carta enviada à família, em 1972, pedia que não se preocupassem com ele, pois não estava fazendo nada de errado, apenas lutava para mudar o país para que todos tivessem uma vida melhor. Sabendo que a mãe, D. Leonor, gostava muito das músicas de Chico Buarque, dizia, em suas cartas que ao ouvir “Apesar de Você”, lembrava-se dela. Filho amoroso e preocupado com os irmãos menores, pedia à irmã mais velha, Maria de Fátima que cuidasse bem dos irmãos, já que ele não poderia fazê-lo, pois estava ausente.

Paulo Roberto está desaparecido desde o ataque à Comissão Militar na região do Araguaia, no dia 25 de dezembro de 1973. A família, apesar das buscas, nunca mais teve notícias de Paulinho, como era chamado pelos familiares.

Sua irmã, Maria de Fátima Marques Macedo, assim fala de seu desaparecimento:

“Na ocasião da Anistia, nós familiares de Paulo Roberto, tivemos a oportunidade de conversar com José Genoino Neto que, ao ser anistiado, veio a Belo Horizonte para um encontro com políticos e familiares dos desaparecidos do Araguaia.

Sabendo que familiares de “Amauri” (codinome de meu irmão) estavam presentes, veio ao nosso encontro. Foi a única vez, depois de 25 anos, que estivemos próximos a ele, através das palavras de José Genoino, que nos dizia coisas tão familiares e conhecidas sobre sua pessoa. Foi nosso único elo, até então.

Espero chegarmos, um dia, a esclarecer sobre o paradeiro de todos os guerrilheiros que… tiveram a coragem de entrar em uma luta, movidos por um ideal… Tiveram muita coragem. Isto precisa ser reconhecido.”

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Dirigente da AÇÃO POPULAR MARXISTA-LENlNlSTA (APML).

Nasceu a 2 de junho de 1933 em Joaçaba, Estado de Santa Catarina, filho de Lathan Ephair Wright e Maggir Belle.

Desaparecido desde 1973.

No DOPS/PR, o nome de Paulo foi encontrado numa gaveta com a indicação “falecido”.

Do reverendo Jaime Wright, irmão de Paulo:

“O telefone tocou. ‘Alô?!’ Era a voz mansa e inconfundível de Paulo. ‘Podemos nos encontrar hoje às 14:00 horas na Praça da Sé?’ ‘Sim.’ No esquema combinado, nos encontramos às 15:00 horas na Praça da República. Eram tempos de ditadura. Clandestinidade. Conversávamos sobre família e, principalmente, teologia. Lembrei-lhe que João Calvino também viveu na clandestinidade, adotando nove codinomes diferentes.

Nas lembranças da nossa infância, em Santa Catarina, destacamos a ousadia dos nossos pais, ambos missionários norte-americanos. Tiveram a rara intuição de que seus filhos precisavam estudar na convivência diária com outros brasileiros e não numa escola segregada para americanos em São Paulo. Fundaram uma escola nos salões de madeira da Igreja Presbiteriana de Herval, na margem esquerda do Rio do Peixe. (Joaçaba está no outro lado do rio.) Sabiam eles os riscos que corríamos, estudando e convivendo com os amigos do dia-a-dia. Com descendentes de italianos, alemães e poloneses – além da gente cabocIa – aprenderíamos cada palavrão…

Lembrávamos também a coragem de ‘Dona Bela’, nossa mãe, que, contrariando a vontade de papai, pegou um trem e viajou até o Rio de Janeiro para buscar recursos para a instalação do primeiro posto de puericultura na região. Sentou-se na sala de espera de Dona Darcy Vargas, presidente da LBA, informando que dali não sairia até ser atendida. Voltou triunfante para casa. (O posto funciona até hoje.)

Exemplos missiológicos assim, fora do seu tempo, contribuíram para torná-lo um leigo cristão irrequieto e inconformado e, sobretudo, corajoso. Estava identificado com os sofrimentos e necessidades do seu povo.

Sua preocupação com a condição dos operários levou-o a trabalhar na construção civil em Los Angeles, nas férias dos seus estudos de pós-graduação. Fundou, nos Estados Unidos, um grupo contrário à discriminação racial. Estava fazendo doutorado em sociologia quando foi convocado para a guerra da Coréia. Fugiu dos Estados Unidos para não perder sua cidadania brasileira. Foi procurado pelo FBI.

De volta ao Brasil e casado com Edimar Rickli, engajaram-se num projeto da Igreja Presbiteriana do Brasil nas fábricas paulistas. Fez-se torneiro mecânico e atuou no bairro operário de Vila Anastácio. Foi golpeado pela morte do seu primeiro filho num hospital do antigo IAPC, quando a criança nasceu desassistida por médicos e enfermeiras. Jurou que iria lutar para que isso não se repetisse na vida de outros operários.

Paulo sempre fez dos seus dias a matéria prima de suas ações. Voltando a Santa Catarina, ajudou a criar os primeiros sindicatos de Joaçaba, inclusive o dos metalúrgicos. Foi o primeiro candidato protestante à prefeitura. Perdeu por 11 votos. Foi eleito para a Assembléia Legislativa. Denunciou o controle de grupos oligárquicos do Estado sobre a pesca. Organizou 27 cooperativas de pescadores em todo o litoral catarinense, reunindo-as, em seguida, numa Federação (FECOPESCA) para colocar o controle da pesca nas mãos dos pescadores (o que inspirou Dias Gomes, na primeira novela em cores da Globo: O Bem Amado).

Na véspera do Natal de 1963, sofreu atentado a mando do partido de Adhemar de Barros, mas convenceu o ex-sargento contratado para matá-lo de que tal crime seria contrário aos interesses da sua classe. Tornou-se ‘bode expiatório’ quando, em 1964, a Assembléia Legislativa foi pressionada pelo Regime Militar a cassar alguém ‘corrupto’ e/ou ‘subversivo’. Acabou sendo cassado por ‘falta de decoro parlamentar’ (não usava gravata e paletó quando subia à tribuna…).

Asilou-se no México e voltou um ano depois. Começavam seus dias de atividade subterrânea como líder do movimento Ação Popular, originário dos egressos dos movimentos estudantis cristãos banidos: Juventude Universitária

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Filho de Pedro Alexandrino de Oliveira e de Diana Piló Oliveira, nasceu em Belo Horizonte, no dia 19 de março de 1947. Tinha três irmãs: Ângela, Eliana Maria e Diana Maria.

Sempre foi um filho e um irmão muito amigo, amoroso e alegre. Perto ou longe, participava intensamente da vida da família e tratava as irmãs com um carinho incomum.

Fez o curso primário e o ginasial no Colégio Monte Calvário e o científico no Colégio Anchieta.

Gostava muito de cantar e o fazia muito bem, pois era dono de uma belíssima voz. Adorava fazer serenatas com os seus amigos, inclusive para as próprias irmãs. Duas eram as músicas de sua preferência, as que mais marcaram sua irmã Eliana: “Perfídia” e “Relógio”.

Era uma pessoa tranqüila e muito querida por seus inúmeros amigos: Fredinho Silésio, Leonardo Andrade, Didiu e muitos outros.

Pedro trabalhou no antigo Banco Hipotecário, hoje Banco do Estado de Minas Gerais e, quando foi transferido para São Paulo, em 1967, lá terminou seus estudos, fazendo também um curso de Inglês.

Retornou a Belo Horizonte em 1969, onde já era procurado e foi preso em dezembro do mesmo ano, dentro da casa de sua irmã Ângela, no bairro Gutierrez, para onde correu quando se sentiu seguido e ameaçado.

Na própria casa de Ângela, que se encontrava no trabalho, levou coronhadas na cabeça, pontapés, foi colocado nu e espancado na frente de suas duas sobrinhas, de 3 e 4 anos de idade.

Levado para o DOPS/MG, foi torturado com choques elétricos no intestino, “pau de arara”, palmatória, enforcamento e outras atrocidades.

Quando foi solto, estava surdo de um ouvido e o outro encontrava-se em estado lastimável.

Pedro Alexandrino passou o Natal de 1969 com a família, almoçando com todos na casa dos avós. Depois do almoço, foi à residência do casal Mário Silésio e D. Maria Eugênia, pais de seu amigo Fredinho. Saiu da casa dos amigos e nunca mais foi visto. Sem condições de viver como até então, optou pela clandestinidade.

Estudante universitário, Pedro já participava ativamente do movimento estudantil em São Paulo. A partir desse período, a família não teve mais paz: a casa onde moravam era freqüentemente invadida por policiais à procura de Pedro Alexandrino.

D. Diana, não suportando as constantes violências, resolveu mudar-se para o Rio de Janeiro, onde foi tentar encontrar o paradeiro de seu filho tão querido.

Bateu em todas as portas possíveis: Igreja, Comissão de Direitos Humanos, Comissão Justiça e Paz e outras tantas, até que encontrou um casal, Sr. Edgar e D. Cirene (hoje falecidos), que buscavam notícias de dois filhos e uma nora, também desaparecidos.

Nessa ocasião, a família soube que ele tinha uma namorada, Tuca (Maria Luiza Garlipe, também desaparecida), enfermeira do Hospital das Clínicas de São Paulo, e que havia ido com ele para o Araguaia.

Pedrinho – como era carinhosamente chamado pela família – ou Peri pelos companheiros, ao transferir-se para a região do Araguaia, foi residir na região do Gameleira, incorporando-se depois, como combatente, ao Destacamento B.

Desapareceu naquela região, em 1974, quando tinha 24 anos.

As cartas escritas por Pedro Alexandrino para a família eram extremamente afetivas e carinhosas. As saudades eram sempre imensas e a vontade de poder abraçar, beijar, sorrir e cantar com as irmãs era seu cuidado constante. Sempre se colocava como um grande amigo e companheiro delas, para o que viessem a precisar algum dia.

Perguntava pelos sobrinhos, queria notícias de todos. De seus projetos pessoais e de sua vida, pouco falava. Mas falava de sua caminhada, de seu compromisso com o povo brasileiro, do significado da luta política, da importância da honestidade, da seriedade, do crescimento interior, de atitudes decentes e até da vontade de ter um filho, um dia.

Dizia numa das cartas: “Tudo do amanhã está sempre no campo das possibilidades, é de hoje que temos a certeza, é hoje que criamos as condições objetivas para o amanhã.”

O Relatório do Ministério da Marinha diz que foi morto em 4 de agosto de 1974, em Xambioá. Já o Relatóri

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Camponês que se incorporou à guerrilha do Araguaia. Estava junto com Maria Célia Corrêa e Jana Morone no tiroteio com as Forças Armadas no qual Nelson Lima Piauhy Dourado teria sido morto, no dia 2 de janeiro de 1974.

Esteve preso com Joana Almeida e foi visto pela última vez quando lhe tiraram da cela dizendo que seria levado para Brasília, no início do ano de 1974.

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Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB)

Foi Vice-Presidente da Liga Camponesa de Sapé, na Paraíba e membro da Federação das Ligas Camponesas. Também conhecido como Pedro Fazendeiro. Morava em Miriri.

Era trabalhador rural e militou com João Pedro Teixeira, líder camponês assassinado em 1962. Antes de 1964, sofreu ameaças de morte por parte dos latifundiários da região, tendo, em 1962, levado um tiro na perna, numa “tocaia”.

No dia 8 de maio de 1964 foi preso pelos órgãos de repressão e levado para o 15° Regimento de Infantaria, do Exército, em João Pessoa, onde foi torturado, junto com João Alfredo. Desde setembro do mesmo ano estão desaparecidos, conforme denúncia de Márcio Moreira Alves em seu livro “Torturas e Torturados”.

Respondia a Inquérito sob a responsabilidade do General Ibiapina Lima.

Tempos depois, dois corpos carbonizados apareceram na estrada que vai para Caruaru e muitos afirmam tratar-se de Pedro Inácio e João Alfredo Dias.

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 1950, filho de Rodolfo Troiano e de Geny de Carvalho Troiano.

Desaparecido no início do ano de 1974, na Guerrilha do Araguaia.

Participou ativamente do movimento secundarista. Era louro, magro, usava uma barba cerrada e vasta e não era muito alto.

Foi preso, por sua militância no movimento estudantil, na cidade de Rubim e, mais tarde, transferido para o presídio de Linhares, em Juiz de Fora, de onde saiu no final de 1971.

Após ser posto em liberdade, optou por ir viver no interior do Pará, na posse do Chega Com Jeito, próximo ao Brejo Grande, no Araguaia.

Era conhecido por Mané ou Manoel do “A” por ser combatente do Destacamento A – Helenira Resende – do movimento guerrilheiro.

Por ser muito jovem, RodoIfo Troiano tinha pouca experiência: não sabia cozinhar, nem lavar suas roupas. No início, tudo era difícil, o que Ihe valeu o apelido de “desastrado”. Com perseverança, conseguiu superar as dificuldades e se destacou como combatente.

O Relatório do Ministério da Marinha diz que “foi morto em 12 de janeiro de 1974.” O do Ministério do Exército afirma que “foi preso em 69, em São Paulo. Condenado à pena de reclusão e recolhido à Penitenciária de Juiz de Fora, de onde foi libertado em 9/10/71.”

Tribuna de Minas

1 de maio de 2002

Corpo de Rodolfo Troiano jamais foi encontrado

Somente um caso de Juiz de Fora recebeu indenização, até agora, paga pelo Governo Federal. Em 1998, a Comissão Especial do Ministério da Justiça sobre os Mortos e Desaparecidos Políticos reconheceu, por unanimidade, a culpa do Estado na morte do estudante Rodolfo Troiano, 25 anos, ex-integrante da Ujes executado durante a guerrilha do Araguaia.

Pelo relatório do Ministério do Exército, ele teria sido morto em 12 de janeiro de 1974. Embora os parentes de Rodolfo tenham recebido o pagamento de R$ 130 mil, o corpo do combatente do Destacamento A nunca foi entregue à sua família.

Somente em 1996, os irmãos de Troiano receberam uma certidão de óbito simbólica, na qual a data e o motivo do falecimento permanecem em branco. Além de Rodolfo, 58 militantes foram assassinados na região, no maior genocídio oficial da ditadura.

Irreverência punida

A saga do estudante começou a ser escrita no QG quando o jovem que pichou o Morro do Cristo com frases de defesa ao socialismo respondeu ao seu primeiro termo de perguntas, permanecendo incomunicável por pelo menos nove dias.

Perseguido e humilhado, Rodolfo foi condenado a seis meses de prisão. O estudante secundarista foi visto na cidade, pela última vez, no final de 70, quando se preparava para integrar a guerrilha do Araguaia. A mãe do estudante, Geny Troiano, faleceu em 1992, sem saber se o filho estava vivo ou morto e passou 20 dos 76 anos de vida em busca de notícias.

Emoção

A família de Rodolfo Troiano ficou surpresa com a foto do estudante publicada hoje. A fotografia foi conseguida com exclusividade pela Tribuna, e os parentes do guerrileiro acreditam que este registro representa a última imagem dele em vida. O retrato foi tirado durante interrogatório no QG, em 1968. “Estou impressionado. Como vocês conseguiram isto?”, perguntou o irmão Jorge Troiano, comerciante, de 51 anos.

Para Jorge, seu irmão foi usado. “Ainda assim, sinto orgulho dele, porque teve coragem e ousadia de acreditar numa coisa impossível: a igualdade.”

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu a 2 de janeiro de 1940, em Caldeirão Grande, Estado da Bahia, filho de Rosalvo Cypriano Sousa e Lindaura Correia de Sousa

Desaparecido desde 1973 na Guerrilha do Araguaia, aos 33 anos.

Mudou-se com sua família, em 1945, para Itapetinga, onde concluiu o curso ginasial no Centro Educacional Alfredo Dutra.

Em 1961 trabalhou como diretor da secretaria da Câmara Municipal de Itapetinga, Bahia.

Indo para Salvador, iniciou o científico no Colégio Antônio Vieira, em 1957, interrompeu o curso no 3° ano para ingressar no serviço militar. No Exército, fez os cursos de Cabo e Sargento, dando baixa em 1960. Também em Salvador, fez o curso de contabilidade no Instituto Valença.

Em 1963 iniciou o curso de Direito na UFBa e nesta mesma época foi nomeado escriturário do IAPETEC (Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Comerciários).

Em 1968 foi eleito presidente do Diretório Acadêmico Rui Barbosa da Faculdade de Direito da UFBa, quanto teve início a perseguição política.

No ano seguinte, foi impedido de se matricular, indo para o Rio de Janeiro, onde terminou o curso na Faculdade Cândido Mendes. Inscreveu-se na OAB em 31 de março de 1970, sob o n° 3106. Voltou a Itapetinga, montando escritório de advocacia, em 1970. Também era poeta.

Foi indiciado na Justiça Militar com outros 10 estudantes e julgado à revelia no dia 13 de maio de 1971, sendo condenado a 2 anos e 2 meses de reclusão. Dias antes do julgamento, em 22 de abril de 1971, viajou para o Araguaia para a região de Caiano, integrando-se ao Destacamento C da Guerrilha.

O Relatório do Ministério do Exército diz que foi “morto em confronto com as forças de segurança em 16 de agosto de 1973.”

Poema de Rosalindo, publicado no “O Anuário do Colégio Antônio Vieira”, em 1958:

GRANDEZAS

Aos píncaros mais altos

Sonhei um dia subir,

Galgar em grandes saltos

A glória de um belo porvir.

Imaginava grandeza

Em tudo, não sei porque.

O futuro uma beleza,

Ser grande, queria ser.

Sonhei viver abastado,

Senti o amor nascer,

Sonhei na glória e honrado,

Sonhei meu nome crescer…

As dificuldades chegaram

Trazendo mil confusões,

Os sonhos elas levaram

Deixando desilusões.

Vivo hoje acabrunhado,

Cismando, só a pensar,

Me sentindo o culpado

Deixando o tempo passar.

Mas não morre a esperança

De uma glória eu alcançar,

Porque fica na lembrança

A vontade de lutar!!

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Nasceu em 26 de dezembro de 1929, em Santos, Estado de São Paulo, filho de Jaime de Almeida Paiva e Aracy Beirodt Paiva. Casou-se em 1952 com Maria Eunice Facciola Paiva. Diplomou-se Engenheiro Civil em 1954 na Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie, sendo orador de sua turma. Tinha o registro CREA n° 10.200-A – 6ª Região.

Participou de todos os grandes momentos da vida nacional. Quando universitário, foi Vice-Presidente da União Estadual de Estudantes e depois Engenheiro e Deputado Federal, sendo eleito Presidente da Comissão de Transportes, Comunicação e Obras da Câmara Federal. Foi vice-líder do PTB na Câmara. Foi vice-Presidente da CPI do IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), além de suas atividades jornalísticas.

Ativo deputado federal, defensor das bandeiras nacionalistas desde a luta pela criação da Petrobrás, Rubens Paiva foi cassado pelo Ato Institucional n° 1 em 1964, em decorrência de sua participação na Comissão Parlamentar de Inquérito do IBAD, que apurou o recebimento, pelos generais comprometidos com o golpe militar, de dólares provenientes dos Estados Unidos, em 1963.

No dia 20 de janeiro de 1971, depois de receber um telefonema de uma pessoa que queria lhe entregar correspondência do Chile, sua casa em Ipanema foi invadida, vasculhada e ele levado, em seu próprio carro, para o Quartel da 3ª Zona Aérea e depois para o DOI-CODI/RJ.

Sua casa ficou ocupada e, no dia seguinte, Eunice Paiva, sua mulher, e Eliane, sua filha de apenas 15 anos, foram também levadas ao DOI-CODI/RJ, onde ficaram sem conseguir avistar-se com ele, apesar da confirmação dos agentes do DOI de que ele se encontrava lá. Interrogadas várias vezes, sua filha foi libertada 24 horas depois e sua esposa somente 12 dias após. A acusação que pesava sobre Rubens Paiva era a de manter correspondência com brasileiros exilados no Chile.

O Exército, para justificar o desaparecimento de Rubens, divulgou nota à imprensa informando que ele teria sido resgatado por seus companheiros “terroristas” ao ser transportado pelos agentes do DOI/CODI, em 28 de janeiro de 1971.

Tal versão foi criada, evidentemente, para encobrir o assassinato sob torturas, já que havia testemunha da prisão de Rubens, não só sua mulher e a filha Eliana, mas de outra presa política,Cecília Viveiros de Castro, acareada com Rubens no quartel da 3ª Zona Aérea.

Em seu Relatório, Inês Etienne Romeu diz que um dos carrascos da “Casa da Morte”, em Petrópolis, onde esteve, conhecido como Dr. Pepe, contou-lhe que Rubens morreu lá.

Em 1986, em várias matérias da grande imprensa e, em 08 de abril de 1987, a revista “Isto ɔ, na matéria “Longe do Ponto Final”, há declarações do ex-médico torturador Amílcar Lobo que afirmava ter visto e atendido Rubens Paiva no DOI-CODI/RJ, quando lá esteve preso, em janeiro de 1971. Declara que Rubens “era uma equimose só” e que no dia seguinte – não sabe precisar o dia – soube que havia morrido.

O Relatório do Ministério da Aeronáutica diz que foi “preso em jan/71. Dias depois, segundo a imprensa, evadiu-se de um carro, quando estava sendo transportado, por agentes do DOI, para outro local, tendo sido instaurado um IPM para apurar o fato, tendo suas conclusões sido amplamente divulgadas pela imprensa. Neste órgão, não há dados que confirmem a versão de que estaria morto.” Já o do Ministério do Exército afirma que “consta que o nominado, quando conduzido para que indicasse a casa onde poderia estar um elemento que trazia correspondência de banidos que viviam no Chile, foi resgatado nas imediações do Alto da Boa Vista pelos ocupantes de dois carros que interceptaram a viatura em que viajava, após travarem tiroteio com a equipe que o escoltava… Em out/87, o Procurador Geral da Justiça Militar determinou o arquivamento do processo, por extinção da punibilidade do réu, com base na Lei da Anistia…. Após o episódio da interceptação e fuga, não existe registro sobre o seu paradeiro.” A versão do Relatório do Ministério da Marinha é: “Dez/70, preso por atividades subversivas da organização terrorista VPR. Quando foi mostrar a casa onde

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Militante do MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO POPULAR (MOLIPO).

Estudante universitário.

Nasceu em Regente Feijó (São Paulo), no dia 16 de dezembro de 1947, filho de Ruy Thales Jaccoud Berbert e Ottilia Vieira Berbert.

Desaparecido em 1972, aos 25 anos de idade, assim permanecendo até 30 de junho de 1992, quando a Justiça reconheceu sua morte em 2 de janeiro de 1972, na cidade de Natividade (Tocantins).

Poucas informações se tinha a respeito de Rui Carlos e de seu desaparecimento. Sua morte foi admitida por um general estreitamente ligado ao aparelho repressivo em entrevista fornecida ao jornal “Folha de São Paulo”, em 28 de janeiro de 1979.

Foi indiciado no inquérito 15/68, referente ao XXX Congresso da UNE, em Ibiúna/SP. Em 27 Julho/72 foi condenado pela 2ª Auditoria da Marinha à pena de 21 anos de reclusão.

Em meados de junho de 1991 foi entregue por Hamilton Pereira, membro da Comissão Pastoral da Terra, à Comissão 261/90 da Prefeitura de São Paulo, criada no governo da prefeita Luíza Erundina, para acompanhar a identificação das 1049 ossadas encontradas na vala clandestina de Perus, um atestado de óbito em nome de João Silvino Lopes, causa mortis: suicídio, datado de 02 de janeiro de 1972, em Natividade (na época, Estado de Goiás). Havia probabilidade de ser de um militante desaparecido político.

Na ocasião, não se tinha a possibilidade de identificar este provável militante. Este nome não constava na lista dos desaparecidos políticos. Caso fosse um nome falso, era necessário mais informações para identificá-lo.

Em Janeiro de 1992, quando se teve acesso aos arquivos do DOPS-SP, encontrou-se uma relação elaborada a pedido do Dr. Romeu Tuma intitulada: “Retorno de Exilados”. Na relação das pesssoas, estava o nome de Ruy Carlos Vieira Berbert com as seguintes observações: preso em Natividade, suicidou-se na Delegacia de Polícia, em 02 de janeiro de 1972. Concluiu-se que João Silvino Lopes era o nome falso de Ruy Carlos Vieira Berbert e buscaram-se meios para prosseguir nessas investigações. Solicitou-se à Comissão de Representação da Câmara Federal ajuda para investigar, naquela cidade, a verdadeira identidade do morto.

Organizou-se uma caravana integrada pelas seguintes pessoas: o Presidente da Comissão de Representação Externa do Congresso, deputado federal Nilmário Miranda (PT-MG), deputado federal Roberto Valadão (PMDB-ES), Idibal Piveta, advogado da família de Ruy Carlos Vieira Berbert e representante da OAB-SP, Hamilton Pereira, da Comissão Pastoral da Terra, de Goiás e Suzana Keniger Lisboa, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos.

Os integrantes da Caravana tomaram os depoimentos de populares que presenciaram os fatos da época. Foram entrevistados alguns moradores, funcionários públicos e membros da PM, que confirmaram que Ruy Carlos e João Silvino eram realmente a mesma pessoa.

Feito levantamento das sepulturas do Cemitério e localizado o possível local do sepultamento, foi encaminhado à Justiça pedido para reconstituição de identidade e posterior exumação e traslado dos restos mortais. Contatos com o Prefeito e o Governador do Estado foram feitos para providenciar as medidas necessárias para guarda da sepultura localizada.

No dia 30 de junho de 1992, a juíza de Direito da Comarca de Natividade, Dra. Sarita Von Roeder Michels, concluiu os termos de retificação da Certidão de Óbito, requerida pelo Sr. Ruy Jaccoud Berbert, pai de Ruy Carlos. O parecer da juíza diz o seguinte: “A documentação acostada aos autos não deixa quaisquer dúvidas de que Ruy Carlos Vieira Berbert seja a mesma pessoa que morreu na cadeia pública desta cidade de Natividade, foi sepultado no Cemitério local e cujo óbito lavrou-se em nome de João Silvino Lopes.”

Em seguida encaminhou o cancelamento do registro de óbito em nome de João Silvino Lopes e foi lavrado novo assento que registra o óbito de Ruy Carlos Vieira Berbert, falecido em 02 de janeiro de 1972, às 3:00 horas na cadeia pública da Praça Senador Leopoldo de Bulhões.

Seu corpo, entretanto, não pode ser localizado, apesar das tentativas realizadas pela Equ

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu a 4 de outubro de 1941, em São Luiz do Maranhão, filho de Mário da Silva Soares e de Alice Frazão Soares.

Desaparecido aos 33 anos de idade, em 27 de maio de 1974.

Biografia publicada quando da passagem dos 14 anos de seu desaparecimento:

“Com raízes que se estendem há mais de quatro gerações de famílias maranhenses, Ruy Frazão Soares nasceu no dia 4 de outubro de 1941, tendo sido o quinto dos sete filhos do casal, Mário da Silva Soares (professor e advogado) e Alice Frazão Soares.

Ainda recém-nascido, Ruy mudou-se com sua família para o Rio de Janeiro, onde permaneceu até os 5 anos, quando retornou ao Maranhão face à morte de seu pai.

Lá, estudou na escola pública – Colégio de Aplicação ‘Gilberto Costa’ e no Liceu Maranhense.

Ainda estudante, organizou uma banda com a qual viajou por algumas cidades interioranas do Maranhão e colaborou com jornais de S. Luis, publicando artigos onde abordava a problemática dos professores estaduais e outros tópicos sociais daquela atualidade.

Terminado o curso científico, Ruy confirmou o seu desejo de formar-se em Engenharia, curso que não era oferecido pela Universidade do Maranhão. Sua mãe decidiu enfrentar as dificuldades de um orçamento já limitado para apoiar o seu filho na busca de sua realização profissional.

Iniciando o seu curso na Universidade Federal de Pernambuco, em 1961, Ruy logo começou a participar da JUC e a ‘viver seu compromisso de cristão, desejoso de entender e concretizar com sua vida, o plano de Deus’.

As reivindicações estudantis remetiam Ruy à configuração dos desvios da sociedade brasileira.

Logo depois de abril de 1964, foi determinada a mudança da Faculdade de Engenharia para o Engenho do Meio, local sem restaurante, biblioteca e mal servido por transportes. Ruy, eleito representante discente junto à congregação, foi um dos líderes da resistência à mudança.

Preso, ao sair da Faculdade, Ruy foi mantido incomunicável e submetido ao horror da tortura, que ele, com tenacidade, soube desqualificar. O seu silêncio, o comando de sua fala, teceu o fracasso do intento dos seus torturadores, além de confirmar que até o impossível, dentro da perspectiva animal e instintiva, pode tornar-se espaço para o exercício e ampliação da liberdade humana.

Libertado e, ainda com a cabeça raspada, Ruy viajou para os Estados Unidos, onde como bolsista, na Harvard University, participou de um seminário ‘Economia do Desenvolvimento’, concluindo-o com a apresentação de um trabalho que mereceu uma ‘menção honrosa’.

Em Nova York, na Assembléia das Nações Unidas, pronunciou-se sobre as ‘Torturas no Brasil’ (julho 1965).

De volta, percebendo a impossibilidade de concluir o seu curso de Engenharia (estando já no 5° ano), Ruy voltou ao Maranhão e assumiu o cargo de Exator Federal, obtido em concurso público, quando terminou o segundo grau.

A sua nomeação para Viana o localizou no interior do Maranhão com os seus contrastes: de um lado os resíduos de uma aristocracia rural, de outro a opressão secular em que vivia a população rural maranhense.

Nessa época, Ruy estudava a obra de Teilhard de Chardin e se sentia esperançoso com o processo evolutivo da humanidade.

Em novembro de 1966, Ruy foi condenado a 2 anos de reclusão pela Justiça Militar acusado que fora, no processo 64/65, de “agitação da classe universitária.”

Acreditando que só através da organização consciente da maioria da população brasileira seríamos capazes, como sociedade, de satisfazer nossas necessidades e realizar nossos sonhos, Ruy confirmou o seu engajamento na Ação Popular.

Casou-se com Felícia Moraes em 1968 e, no Pindaré-Mirim-MA participou da vida, das lutas e das experiências de organização dos trabalhadores rurais, aproveitando o trabalho iniciado pelo MEB (Movimento de Educação de Base), numa área em que o conflito pela posse da terra, incluía o assassinato de lavradores e de seus líderes políticos.

Sem maiores oportunidades de escolha, passou a viver na clandestinidade, sob o nome de Luis Antônio Silva Soares, com todos os riscos, sofrimen

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Militante do MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO 8 DE OUTUBRO (MR-8).

Nasceu em 24 de maio de 1951, em Serrinha, Estado da Bahia, filho de George Furtado e Diva Furtado.

Desaparecido, desde julho de 1972, aos 21 anos de idade.

Estudante de Economia na Universidade Federal da Bahia.

Entrou na luta clandestina em 1969, ligando-se ao MR-8. Respondeu a alguns processos, sendo julgado à revelia.

Foi preso junto com Paulo Costa Ribeiro Bastos, em 10 de julho de 1972, no bairro da Urca por agentes do DOI/CODI-RJ, para onde foi levado e torturado, sendo transferido posteriormente para o CISA – Centro de Informação da Aeronáutica.

Seus pais souberam de sua prisão por telefonema anônimo, em 24 de julho de 1972, e iniciaram desesperada procura. Nada conseguiram.

Em depoimento do preso político Paulo Roberto Jabour, em 20 de fevereiro de 1979, quando ainda se encontrava no Presídio Milton Dias Moreira (RJ), há informações de que um escrivão, chamado Bioni, então lotado no DOPS/RJ, confirmou ao preso político Nelson Rodrigues Filho, que Sérgio morrera no DOPS/RJ em conseqüência das torturas sofridas. Também o preso político Zaqueu José Bento ? segundo o depoimento de Jabour ? afirmou que o torturador Ventura, no Rio de Janeiro, chegou a lhe dizer diversas vezes, mostrando a foto de Sérgio, que este estava morto, que “já era”.

Sua morte é assumida por um general estreitamente ligado ao aparelho repressivo em entrevista fornecida ao jornal “Folha de São Paulo” em 28 de janeiro de 1979.

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Militante do MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO 8 DE OUTUBRO (MR-8).

Nasceu a 11 de janeiro de 1946, na Bahia, filho de Norman Angel Jones e Zuleika Angel Jones.

Desaparecido desde 1971, aos 26 anos de idade.

Casado com Sônia Maria Morais Angel Jones (morta). Estudante de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Foi preso no Grajaú (próximo à Av. 28 de Setembro), no Rio de Janeiro, em 14 de junho de 1971, cerca das 9:00 horas, por agentes do Centro de Informações da Aeronáutica (CISA), para onde foi levado e torturado.

Ao cair da noite, após inúmeras sessões de tortura, já com o corpo esfolado, foi amarrado à traseira de um jipe da Aeronáutica e arrastado pelo pátio com a boca colada ao cano de descarga do veículo, o que ocasionou sua morte por asfixia e intoxicação por monóxido de carbono.

Em 08 de abril de 1987, a Revista “Isto ɔ, na matéria “Longe do Ponto Final”, publica declarações do ex-médico torturador Amílcar Lobo, que reconheceu ter visto Stuart no DOI-CODI/RJ, sem precisar a data.

O preso político Alex Polari de Alverga é testemunha da prisão e tortura até a morte de Stuart, tendo inclusive presenciado a cena em que ele era arrastado por um jipe, com a boca no cano de descarga do veículo, pelo pátio interno do quartel.

No Relatório do Ministério da Marinha consta que foi “morto em 5 de janeiro de 1971, no Hospital Central do Exército…”

O Relatório do Ministério da Aeronáutica faz referências às denúncias sobre a morte de Stuart feitas por Alex Polari. Ao invés de esclarecer sua morte, dados do relatório falam da vida pregressa de Alex e finaliza dizendo: “neste órgão não há dados a respeito da prisão e suposta morte de Stuart Edgar Angel Jones.”

Artigo da “Folha de São Paulo” de 2/9/79, assinado por Tamar de Castro, intitulado: “Seu filho está sendo morto, agora”:

“Zuzu Angel, figurinista morta em circunstâncias ainda não esclarecidas, em 1976, relata em depoimento inédito ao historiador Hélio Silva, agora divulgado, o desaparecimento de seu filho, Stuart Edgar Angel Jones, estudante e professor, que – segundo suas denúncias – foi seqüestrado no dia 14 de julho de 1971 por agentes ligados ao Centro de Informações da Aeronáutica (CISA), e – ainda segundo as denúncias – torturado e morto na Base Aérea do Galeão.

As torturas teriam sido presenciadas por outro preso político, Alex Polari de Alverga que, através de uma carta, informou Zuzu Angel das circunstâncias da morte de Stuart. Alex Polari cumpre atualmente pena de prisão no presídio da Frei Caneca, no Rio.

Baseada na carta de Alex e em outras evidências, Zuzu denunciou o assassinato de Stuart – de dupla cidadania, brasileira e norte-americana – ao senador Edward Kennedy, que levou o caso ao Congresso dos Estados Unidos. A mãe do estudante morto entregou também ao secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, – quando este esteve no Brasil, em 1976 – uma carta pessoal, a tradução da carta de Alex e um exemplar do vigésimo volume da série ‘História da República Brasileira’, de Hélio Silva, onde o autor relata a morte do estudante.

Segundo o historiador, o afastamento da 3ª Zona Aérea e posterior reforma do brigadeiro João Paulo Penido Burnier e a própria destituição do então ministro da Aeronáutica, Márcio Souza e Melo, estiveram relacionados com os protestos norte-americanos pela morte de Stuart.

O caso Stuart Angel mistura-se com o plano de utilizacão do PARASAR para eliminação de lideranças políticas, concebido pelo brigadeiro Burnier em 1968. O plano foi denunciado pelo capitão Sérgio Miranda Ribeiro de Carvalho que, por este motivo, foi punido com base no Ato Institucional n° 5.

O depoimento de Zuzu Angel foi prestado em 10 de fevereiro de l976, um mês antes de sua morte, ao historiador Hé1io Silva na qualidade de diretor do Centro de Memória Social Brasileira, da Faculdade Cândido Mendes, auxiliado por Maria Cecilia Ribas Carneiro, pesquisadora assistente. Nele, Zuzu Angel relata sua peregrinação junto a autoridades militares para ter alguma notícia sobre a prisão de seu filho, os desmentidos de que o estudante estivesse preso, feito

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em Coronel Macedo, Estado de São Paulo, em 25 de maio de 1948.

Desaparecida desde 1973 na Guerrilha do Araguaia, aos 25 anos.

Em 1967, concluiu o 2° grau no Colégio Albert Levy, ingressando em seguida na Universidade de São Paulo, sendo aprovada no vestibular para Licenciatura em Língua Portuguesa e Germânica. Durante os anos de 65 a 69 fez, como cadeira opcional, a Língua Japonesa.

Matriculou-se pela última vez na USP em 1970. Em fins de 1967 e nos anos que se seguiram, com as principais lideranças estudantis perseguidas, na clandestinidade ou no exterior, novas lideranças se faziam necessárias. Sueli foi uma delas.

Chegou à Região do Araguaia, em fins de 1971, sendo uma das últimas a se integrar ao Destacamento B da Guerrilha.

No início do ano de 1974, cercada por uma tropa do Exército, recusou-se à rendição, sendo metralhada. Seu corpo foi perfurado por mais de 100 balas de grosso calibre.

Morreu aos 25 anos, dos quais 3 dedicados à guerrilha, em defesa da causa que acreditava justa – a da Liberdade.

Segundo reportagem do “Diário Nippak”, foi morta com rajadas de metralhadoras disparadas por diversos militares, deixando seu corpo irreconhecível. Foi enterrada em Xambioá e seus restos mortais foram posteriormente exumados por estranhos.

O Relatório do Ministério da Aeronáutica diz que “cercada pelas forças de segurança, foi morta ao recusar sua rendição”. Já o Relatório do Ministério da Marinha afirma que foi “morta em setembro de 1974”.

Sobre a ocultação do cadáver de Suely, o Coronel da Aeronáutica Pedro Cabral diz, em entrevista à revista “Veja”, em outubro de 1993: “Suely havia sido morta no final de 1974. Seu corpo estava enterrado num local chamado Bacaba, onde, sob a coordenação do Centro de Informações do Exército – CIEx, foram construídas celas e se interrogavam os prisioneiros. Durante a operação limpeza, sua cova foi aberta e o corpo de Suely, desenterrado. Intacto, sem roupa, a pele muito branca não apresentava nenhum sinal de decomposição, apenas marcas de bala…

“Desenterrado, o corpo de Suely foi colocado num saco plástico e levado até meu helicóptero que o transportou para um ponto ao sul da Serra das Andorinhas, a 100 km de distância. Ali… fizeram uma pilha de cadáveres… também desenterrados de suas covas originais. Cobertos com pneus velhos e gasolina, foram incendiados.”

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu a 23 de julho de 1947 na cidade do Rio de Janeiro, filha de Luiz Durval Cordeiro e Celeste Durval Cordeiro.

Desaparecida desde 1974, na Guerrilha do Araguaia, aos 27 anos.

Universitária, estudante de Geografia da Universidade Federal Fluminense, de onde foi excluída em 1968 pelo Decreto-lei 477.

Deslocou-se para a região do Araguaia em 1971, juntamente com seu marido Elmo Corrêa indo morar às margens do Rio Gameleira e ingressando no Destacamento B da Guerrilha.

No início do ano de 1974 foi presa na casa do Sr. Macário em São Geraldo e entregue a José Olímpio, engenheiro do DNER que trabalhava para o Exército. Passou a noite amarrada no barco de José Olímpio antes de ser entregue às autoridades em Xambioá. (Depoimentos colhidos na região pelo advogado Paulo Fontelles, representante da OAB junto à Caravana de Familiares que estiveram no Araguaia à procura de informações em 1981.) Segundo o Relatório do Ministério da Marinha, “foi morta em janeiro de 1974”.

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Dirigente da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN).

Nasceu a 1° de julho de 1937 em Parintins, Estado do Amazonas, filho de Togo Meirelles e Maria Garcia Meirelles.

Desaparecido, desde 1974, aos 31 anos de idade.

Formou-se Sociólogo pela Universidade de Moscou.

Era casado e teve dois filhos, Larissa e Togo.

Foi preso no dia 7 de maio de 1974, no Leblon, Rio de Janeiro.

O nome de Thomaz consta da lista de pessoas consideradas desaparecidas e assumidas como mortas por um general responsável pelo aparato repressivo, em entrevista ao jornal “Folha de São Paulo”, em 28 de janeiro de 1979.

Preso em 14 de setembro de 1971, foi condenado a 3 anos e 6 meses de prisão. Liberado em 1973, retorna à luta, permanecendo clandestino até 07 de maio de 1974, quando foi preso e nunca mais visto.

Durante o período da clandestinidade, no ano de 1973 e parte do de 1974, sua família foi perseguida, culminando com a prisão de sua mulher Miriam Marreiros Meirelles, também torturada no DOI-CODI/RJ para dizer onde seu marido se encontrava.

Em 08 de abril de 1987, a Revista “Isto ɔ, na matéria “Longe do Ponto Final”, publica declarações do ex-médico-torturador Amílcar Lobo de que havia visto Thomaz no DOI-CODI/RJ, sem precisar a data.

No Arquivo do DOPS/SP, documento da Secretaria Estadual dos Negócios da Segurança Pública/Polícia Civil de São Paulo/Divisão de Informações-CPI-DOPS afirma que Thomaz foi “… novamente preso em 07 de maio de 1974, quando viajava do Rio de Janeiro para São Paulo”.

O Relatório do Ministério da Marinha confirma esta informação, quando diz que Thomaz foi “… preso novamente no dia 07/mai/74, entre Rio de Janeiro e São Paulo”.

No livro “Brasil Nunca Mais” a primeira prisão de Thomaz, em 1972, e o julgamento em que foi condenado a 3 anos e 6 meses, foi retratado como o caso n° 1, para ilustrar o funcionamento da Justiça Militar, no período da ditadura no Brasil. “Nove anos passados na União Soviética servem de prova da intenção de delinqüir”, mostrando o absurdo do processo que levou Thomaz para a clandestinidade.

Teve sua prisão preventiva pedida em 12 de agosto de 1974 e, posteriormente, condenado à pena de 2 anos de reclusão pelo proc. n° 45/74.

Notícia veiculada no “Correio da Manh㔠(RJ), de 03 de agosto de 1979, dá conta de que 14 desaparecidos políticos foram mortos pelos serviços secretos das Forças Armadas e dentre eles está o nome de Thomaz. A matéria diz que os repórteres, Ana Lagoa e Henrique Lago, da “Folha de São Paulo”, ouviram de 2 generais e um coronel esta informação.

Thomaz segundo Miriam, sua viúva, em 1987:

“Falar sobre Thomaz – mesmo pensar – é muito doloroso. Principalmente quando nossos dois filhos estão por perto. Mas, nosso problema é o mesmo de centenas de esposas, mães, filhas – sentimos nossos combatentes desaparecidos muito próximos e vivos. Atualmente, na atual arrancada de participação popular, por um Brasil político e economicamente independente e democrático, não estamos vendo fisicamente nossos amores, nossos filhinhos, nossos pais. Ouvimos, sim, seus nomes serem chamados, e o povo por eles respondendo: presente.

Thomaz Antônio Meirelles Netto foi morto neste combate, que se prolongou por quase 15 anos de estado de exceção. Mas covardemente, pois seu corpo não apareceu. Nem sua prisão foi reconhecida. Torna-se doloroso falar do desaparecimento de uma inteligência e sensibilidade empregadas na luta em prol das mais elementares necessidades do homem brasileiro: amar, estudar, trabalhar. E, das suas mais legítimas aspirações: pensar, construir, produzir. Foi em 7 de maio de 1974 que desapareceu este íntegro e querido revolucionário.

Nasceu em Parintins, Amazonas, em 1° de julho de 1937. Chegando ao Rio em 1958, participou pela UBES e UNE da direção e organização das manifestações culturais e políticas que os estudantes desenvolviam naquele período histórico. Paralelamente à sua atividade profissional de jornalista, participou e acompanhou, nos Estados, do trabalho do CPC (Centro Popular de Cultura) da UNE. Foi quando teve contato mais real com a pobreza e a miséria das partes

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 16 de novembro de 1949, filho de Tobias Pereira e Emília Barreto Pereira.

Desaparecido em 1974 na Guerrilha do Araguaia, aos 24 anos.

Estudante de Medicina na Universidade Federal Fluminense, foi viver na região do Araguaia. Lá foi preso em casa de camponeses próximo à localidade de São Geraldo.

O Relatório do Ministério da Marinha diz que “foi morto em 15 de fevereiro de 1974.”

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu a 05 de abril de 1952 em Itapicuru/BA, filho de Francisco de Assis Batista e Aidinalva Dantas Batista.

Desaparecido em 1974 na Guerrilha do Araguaia, aos 22 anos.

Estudante secundarista da Bahia, participou do movimento estudantil. Perseguido por sua atuação política, mudou-se para o interior, indo residir na localidade denominada Metade, incorporando-se ao Destacamento A – Helenira Resende – da Guerrilha.

Com seu gênio alegre, cativou todos que com ele conviveram. Freqüentava todas as festas das vizinhanças, onde dançava e participava de todas as brincadeiras.

O Relatório do Ministério da Marinha diz que “foi morto em abril/74”.

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Militante da AÇÃO POPULAR MARXISTA-LENINISTA (APML).

Nasceu em 28 de maio de 1947, em Campina Grande, Estado da Paraíba, filho de Roberto Alves Câmara e Marilene de Sá Leitão Câmara.

Desaparecido desde 1973, quando contava 26 anos.

Estudante de medicina da Universidade Federal de Pernambuco. Presidiu o Diretório Acadêmico de sua Faculdade e foi membro do DCE da UFPB. Foi preso em 1968, no XXX Congresso da UNE em Ibiúna, São Paulo.

Em 1969 foi eleito para a diretoria da UNE.

Foi preso no dia 8 de outubro de 1973 pelo DOI-CODI, no Rio de Janeiro.

O Relatório do Ministério do Exército, persistindo na desinformação, diz que Humberto “foi visto em Recife em Jul./74”; o Relatório do Ministério da Marinha, no entanto, confirma sua morte em outubro de 1973.

No Arquivo do DOPS/SP, “nascido em 1947, ex-estudante de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco, ex-membro da UNE, preso no dia 08/10/73, no Rio de Janeiro.”

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em Boa Nova, Estado da Bahia, aos 09 de dezembro de 1949, filho de Arnóbio Santos Coqueiro e Elza Pereira Coqueiro.

Desaparecido em 1974 na Guerrilha do Araguaia, aos 25 anos.

Fez o 1° e 2° graus no Instituto Regis Pacheco, em Jequié.

Cursou até o 3° ano de Economia, em Salvador, na UFBa. Membro do DCE e professor de História em cursinhos.

Casado com Dinaelza Coqueiro (desaparecida), foram para a região do Araguaia em fins de fevereiro de 1971 para a localidade de Gameleira. Pertencia ao Destacamento B da Guerrilha

O relatório do Ministério Marinha diz que foi “morto em 17/01/74”.

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Dirigente da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN).

Nasceu a 15 de agosto de 1933 em Sítio Novo – Santa Cruz, no Rio Grande do Norte, filho de Sebastião Gomes da Silva e Izabel Gomes da Silva.

Desaparecido desde 1969.

Casado, tinha 3 filhos.

Foi operário da indústria química e dirigente do Sindicato dos Químicos e Farmacêuticos de São Paulo. Preso durante 4 meses em 1964. Perseguido pela sua militância, não conseguia emprego nas fábricas e sobreviveu mantendo um pequeno bar em São Miguel Paulista.

Foi preso no dia 29 de setembro de 1969, na Av. Duque de Caxias, em São Paulo, por agentes da Operação Bandeirantes – OBAN (DOI-CODI/SP).

Morto sob torturas na sede da OBAN, nas mãos dos assassinos torturadores liderados pelo major Inocêncio F. de Matos Beltrão e pelo Major Valdir Coelho, chefes daquele centro de torturas, além dos capitães Benone Arruda Albernaz, Dalmo Lúcio Muniz Cirillo, Maurício Lopes Lima, Homero Cesar Machado, capitão conhecido como “Tomás”, da PM-SP, delegado Otávio Gonçalves Moreira Jr., sargento da PM Paulo Bordini, agentes policiais Maurício de Freitas, vulgo “Lungaretti”, Paulo Rosa, vulgo “Paulo Bexiga” e agente do Departamento da Polícia Federal conhecido como “Américo”.

Militantes presos na mesma época afirmam que a polícia torturou sua mulher e o filho mais novo, ainda bebê, para obrigá-lo a colaborar.

Em sua ficha encontrada nos arquivos do DOPS/SP ao lado do seu nome, entre parêntesis está escrito à máquina “morto”.

No encaminhamento n° 261 do Serviço Nacional de Informações de 31 de outubro de 1969, encontrado no DOPS/PR, lê-se “Virgílio Gomes da Silva – ‘Jonas’, falecido por resistir à prisão; que também usava a falsa identidade em nome de Joel Ferreira Lima.”

Ainda no DOPS/PR, consta o nome de Virgílio numa gaveta com a identificação: “falecidos”.

No DOPS/RJ, consta o nome de Virgílio no documento do CIE-S/103 – Terroristas da ALN com Cursos em Cuba (situação em 21 de junho de 1972), como estando morto.

O Relatório da Marinha afirma que “morreu em 29 de setembro de 1969, ao reagir à bala quando de sua prisão em um aparelho.”

Depoimentos dos ex-presos políticos Paulo de Tarso Venceslau, Manoel Cyrillo de Oliveira Neto, seu irmão Francisco Gomes da Silva e Celso Antunes Horta, feitos em Auditorias Militares na época, denunciam as torturas sofridas por Virgílio na OBAN.

De Francisco Gomes da Silva, irmão de Virgílio e que também foi preso político:

“Meu irmão Virgílio Gomes da Silva foi preso e morto no DOI-CODI da Operação Bandeirantes, em 29 de setembro de 1969. Virgílio era militante da ALN e estava sendo procurado pelos órgãos da repressão aparecendo inclusive em cartazes com fotografia onde se lia Procura-se. Eu fui preso no dia 28 do mesmo mês de setembro, tendo passado por várias sessões de tortura, quando no dia 29, Virgílio chegou no mesmo local, ou seja Operação Bandeirantes, algemado, tendo sido preso pela equipe do Capitão Albernaz (eu, pela equipe do Raul Careca). Eu estava sendo interrogado quando ouvi os gritos de Virgílio, que chegou algemado e estava sendo espancado, quando levou um chute no rosto, que se abriu e comecou a jorrar sangue.

Continuaram os gritos de Virgílio que estava sendo torturado para que entregasse os companheiros. Ele recusava-se a delatar e reagia xingando os torturadores. Acredito que Virgílio chegou ao DOI-CODI por volta de 11:00 h da manhã, tendo sido assassinado por volta das 21:00 h. O corpo foi mostrado ao Celso Horta, também preso político. Virgílio foi morto pendurado no pau de arara.

Mais ou menos meia hora depois que eu soube da morte de Virgílio, através de um outro preso, o Capitão Albernaz dirigiu-se a mim, informando que Virgílio havia fugido. Ouvi comentários na prisão que os torturadores haviam retirado os olhos de Virgílio, bem como seus testículos.

Mais tarde fui transferido para o DOPS e lá, um delegado cujo nome não me recordo, falou que Virgílio havia sido enterrado na quadra do DOPS no cemitério de V. Formosa.

Mais ou menos um ano depois, minha mãe e meu irmão Vicente foram ao cemitério de V. Formosa e souberam através de

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Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO REVOLUCIONÁRIO (PCBR).

Nasceu em 3 de janeiro de 1949, na Bahia, filho de Isaú Lopes Moitinho e Yolinda Alves Moitinho.

Desaparecido desde 1973, aos 24 anos de idade.

Estudante, trabalhou como bancário e operário. Respondeu a alguns processos de natureza política. Foi para a clandestinidade, vindo a morrer com Ramires Maranhão do Vale, Almir Custódio de Lima e Ranúsia Alves Rodrigues.

Era um dos quatro ocupantes do carro incendiado em Jacarepaguá, Rio de Janeiro, por agentes do DOI/CODI-RJ, conforme descrito na nota referente a morte de Ranúzia Alves.

O cadáver de Vitorino Alves Moitinho deu entrada no IML/RJ como desconhecido carbonizado, em 27 de outubro de 1973, vindo da Praça Sentinela, em Jacarepaguá, com a guia n° 19 do DOPS/RJ.

O Relatório do Ministério da Marinha diz que “teria morrido juntamente com outros subversivos, durante operação não definida.” Não há confirmação de sua morte no Relatório do Ministério do Exército, mas o da Aeronáutica, afirma que Vitorino foi “morto em 27 de outubro de 1973, num carro, em Jacarepaguá, juntamente com outros três militantes do PCBR.”

As mortes dos militantes Ramires Maranhão do Valle e Vitorino Alves Moitinho, até então desaparecidos, eram do conhecimento dos órgãos de repressão, embora eles tenham ocultado esses fatos para seus familiares e para a opinião pública.

Depoimento do Jornalista Maciel de Aguiar sobre Vitorino Alves – transcrito do livro Ofertas das Cabeças, série Os Anos de Chumbo, Memorial Editora e Livraria.

“Vitorino Alves Moitinho, o Tiba, também havia saído de São Mateus/ES para estudar e trabalhar no Rio de Janeiro, indo morar com os irmãos no Catete, e logo ingressou na luta armada. Participou de inúmeras ações pelo PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário), com o nome de “Paulo Sérgio”. Logo que Maciel de Aquiar chegou ao Rio de Janeiro, foi morar na rua Correia Dutra, no mesmo bairro, onde se encontraram, o que resultou no poema Vi Tiba na rua, além de outras criações em homenagem ao amigo de infância. Após sair Vitorino da prisão, em 1972, o convidou para ingressar na luta armada. Marcou-se um encontro em São João do Meriti, mas, a caminho , Maciel de Aguiar desistiu, justificando mais tarde: “A idéia da luta armada me fascinava, mas a literatura salvou a minha vida, pude registrar as lutas de muitos, homenagear os que foram banidos, torturados e mortos cujos corpos não tiveram direito à sepultura, e, sobretudo, estar em paz com a minha consci~encia, pois, naquela viagem havia descoberto que a poesia que me propunha fazer era, também, uma forma de luta, já que não acredito no poeta omisso diante de seu tempo”. A 27 de outubro de 1973, Vitorino foi metralhado pelo I Exército na Praça Sentinela, em jacarepaguá, e seu corpo foi incendiado junto com mais três companheiros dentro de um fusca.”

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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).

Nasceu em Uberaba, Triângulo Mineiro, no dia 2 de agosto de 1947, filha de Edwin Costa e de Odete Afonso Costa.

Desaparecida desde 1974 na Guerrilha do Araguaia quando tinha 27 anos.

Seu pai era funcionário do Banco Comércio e Indústria de Minas Gerais, hoje Banco Nacional, em Pirapora.

Depoimento de sua irmã:

“Walquíria fez o curso primário na Escola Normal de Patos de Minas/MG, e as duas primeiras séries do curso ginasial, no Ginásio Rio Branco, em Bom Jesus de Itapapoama, Rio de Janeiro.

Com a transferência de sua família para Pirapora, terminou o ginasial no Colégio Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, estabelecimento dirigido por freiras religiosas.

No período de 1963 a 1965, estudou no Colégio São João Batista, em Pirapora, onde terminou o Curso Normal de formação de professoras, e lecionou em alguns grupos escolares da cidade.

Wal – como era chamada – prestou concurso público para o Estado em 1966 e, nomeada na primeira chamada, transferiu-se para Belo Horizonte, onde passou a lecionar.

Aluna exemplar, ocupando sempre os primeiros lugares nas escolas por onde passou, Walquíria prestou o vestibular para o Curso de Pedagogia, na Universidade Federal de Minas Gerais, classificando-se em segundo lugar.

Freqüentou apenas os três primeiros anos do Curso, quando passou a tomar consciência dos problemas políticos e sociais do País e, em particular, da própria Universidade. Nessa época, Walquíria gostava muito de cantar e tocar violão.

Participou junto com outros colegas da fundação do Diretório Acadêmico da Faculdade de Educação, em 1968. Lutavam pela defesa de interesses estudantis e buscavam o caminho para soluções de questões mais concretas como: cortes de verbas, acordo MEC-USAID, fechamento de restaurantes universitários, Decreto-Lei 477 etc.

As perseguições políticas começaram a se intensificar. O cerco do prédio da Faculdade de Educação, demonstrou um claro desrespeito aos alunos e professores que estavam em seu interior. Intimações para depoimentos no DOPS, muitas prisões, já sob tortura, eram os sinais nítidos do agravamento da situação política.

Nesse período, Walquíria era Vice-Presidente do Diretório Acadêmico.

Walquíria, até então, não havia sido indiciada em nenhum inquérito, pelo DOPS ou por qualquer outro órgão de segurança.

Já prevendo dificuldades futuras e maiores riscos de atuação, decidiu em 1971 partir para outra frente de trabalho político: a luta junto aos camponeses pobres da região do Araguaia.

É importante destacar que nessa mesma época foi procurada por agentes da repressão (DOPS/MG) e teve sua casa invadida sob a alegação de envolvimento em reuniões estudantis.

Walquíria, Walk ou Wal, e seu marido, Idalísio Soares Aranha Filho, ambos filiados ao PC do B, foram viver na região do Gameleira, Sul do Pará.

Fez parte do Destacamento B, comandado por Osvaldo Orlando da Costa, na localidade de Gameleira.

Em julho de 1973, Walquíria foi julgada, à revelia, pela Auditoria da 4ª Região Militar, em Juiz de Fora, mas foi absolvida por absoluta falta de provas da sua atuação política.

Walquíria Afonso Costa foi dada como desaparecida na região do Araguaia, em 25 de dezembro de 1973, onde provavelmente foi aprisionada e morta sob torturas.

‘Os mortos inimigos serão sepultados na selva, após identíficação’: esta recomendação está escrita em farto material das Forças Armadas sobre a segunda fase da Guerrilha do Araguaia em 1972, denominada ‘Operação Papagaio’. Mas até hoje seus restos mortais não foram entregues à família.

Walquíria Afonso Costa – de muitas lembranças e tantas saudades, alta, clara, cabelos castanhos e lisos, rosto ovalado, inteligente e leal é nome da antiga rua 10, no bairro Nova Pirapora, em Pirapora, Minas Gerais, num projeto de lei do Vereador José Carlos Costa.”

No Relatório do Ministério da Marinha consta que “foi morta em 25/out/74”. Já no Relatório do Ministério do Exército “consta que teria morrido em 1972, em confronto com as forças de segurança.”

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Dirigente do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB).

Era filho de Benedito Ribeiro e Maria Natalícia de Souza Ribeiro. Nasceu em Teófilo Otoni, no dia 24 de setembro de 1924 numa família grande: Wanda, Walmira, Analice, Geraldo,Valdir e Conceição eram seus irmãos.

Desaparecido desde 1974.

Fez o curso primário numa escola pública de Teófilo Otoni e o ginásio em Conceição do Mato Dentro. Resolveu ser oficial do Exército, entrando para o Curso Preparatório de Cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras. Pessoas que com ele conviveram e que o conheceram de perto descrevem-no como encantador, inteligente, excelente amigo, fiel companheiro e muito bom pai.

Sua família morava em Governador Valadares, quando Walter saiu de casa em busca de formação profissional. Casou-se com Adalcy Byrro Ribeiro, filha de uma família de comerciantes em Governador Valadares e com ela teve três filhos: Marcos, Marina e Marcelo.

Foi reformado como oficial do Exército pela Lei n° 1.507-A, de 28 de janeiro de 1950, por incompatibilidade com o oficialato. Foi considerado como “incompatibilidade” o fato de Walter haver assinado documento pela paz mundial, contra o uso de armas atômicas e o envio de tropas brasileiras para a guerra da Coréia.

Walter desapareceu no dia 3 de abril de 1974, em São Paulo. Quando desapareceu, a primeira reação de D. Adalcy foi pensar em acidente; em seguida chegou à conclusão de que seu seqüestro e desaparecimento poderia ter sido mais uma arbitrariedade da polícia política implacável e violenta. A peregrinação da família começou, então, na tentativa de encontrar o esposo e pai. Marina, sua filha, procurou pelo pai, colocando anúncios nos jornais. Foram feitos contatos com a Ordem dos Advogados do Brasil e Conferência Nacional dos Bispos do Brasil que, através de D. Paulo Evaristo Arns, conseguiu uma audiência de dez famílias de presos políticos com o General Golbery do Couto e Silva. O General Golbery prometeu a Adalcy e aos outros familiares que, no prazo máximo de um mês, daria uma resposta sobre o paradeiro de Walter, o que não aconteceu no tal prazo, nem nunca. A única reação do governo viria um pouco depois, de forma fulminante, quando, em fevereiro de 1975, o Ministro da Justiça, Armando Falcão divulgou nota sobre os presos políticos, em que acusava Walter de subversivo e indigno para o oficialato, dizendo haver contra ele um mandado de prisão expedido pela 2ª Auditoria da 2ª Circunscrição da Justiça Militar em 1970, e que ele se encontrava foragido.

Indignada com a nota do Ministro, Aldacy manifestou-se protestando, veementemente, contra as calúnias e apresentando fatos documentais que desmentiam o Ministro, uma vez que havia sido expedida pela 2ª Auditoria do Exército de São Paulo certidão negativa que atestava a boa conduta de seu marido. Assim ela se manifestou:

“A nota é caluniosa também quando diz que meu marido foi expulso do Exército como indigno. Não existe, até agora, que seja do meu conhecimento e dos meus filhos, nenhuma expulsão e sim reforma pela lei n° 1507-A, de 28 de janeiro de 1950, por incompatibilidade para o oficialato… A reforma de um oficial por incompatibilidade não significa indignidade, conforme declarou o Ministro Falcão. Nossa dor já era demasiadamente grande pelo dramático desaparecimento do chefe da nossa família para suportar ainda o peso da difamação que o ministro nos impôs através de toda a imprensa nacional.”

Para a família de Walter, seu desaparecimento, além de revolta e angústia, significou grandes privações inclusive financeiras, uma vez que não podia, ao menos, receber o soldo a que tinha direito, pois não possuía atestado de óbito.

Anos após seu desaparecimento, a família de Walter continuou sua busca através de advogados e da Comissão de Justiça e Paz da CNBB.

De acordo com declarações do ex-sargento Marival Dias Chaves do Canto à revista “Veja” de 18 de novembro de 1992, Walter de Souza Ribeiro foi capturado pelo DOI/CODI em São Paulo e levado para o Rio de Janeiro, onde foi assassinado e esquartejado, sendo as partes de seu corpo enterradas em lugares diferentes,

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Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR).

Nasceu na Bahia, filho de Arlindo Ribeiro Moraes e Maria Rosalinda Ribeiro. Desaparecido desde 1971.

Casado, pai de 2 filhos. Salva-vidas do Salvamar no Rio de Janeiro.

Foi preso no bairro da Penha, Rio de Janeiro, em 12 de julho de 1971.

Depoimentos dos ex-presos políticos Alex Polari de Alverga e Lúcia Maurício Alverga, feitos, à época, em Auditorias Militares, falam que os torturadores do DOI-CODI/RJ disseram que Walter estava morto após ter sido torturado naquele órgão da repressão.

Inês Etienne Romeu, em seu Relatório sobre sua prisão na “Casa da Morte”, em Petrópolis, diz que Walter esteve naquele aparelho clandestino da repressão no mês de julho de 1971 e que, no período de 08 a 14 de julho, houve uma ruidosa comemoração em virtude de sua morte.

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Dirigente da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN).

Natural de São Paulo. Desaparecido em 1974, quando tinha 32 anos de idade, juntamente com sua mulher, Ana Rosa Kucinsky.

Físico formado pela USP, especializado em Processamento de Dados, trabalhava na SERVIX/SP.

Em 08 de abril de 1987, a revista “Isto ɔ, na matéria “Longe do Ponto Final”, publica declarações do ex-médico torturador Amílcar Lobo que afirma ter visto Wilson no DOI-CODI/RJ, sem precisar a data.

Seqüestrado no dia 22 de abril de 1974, juntamente com sua mulher, Ana Rosa Kucinsky, em São Paulo, capital, nunca mais foram vistos.

Em sua ficha encontrada no DOPS/SP diz “preso em 22 de abril de 1974, em São Paulo, junto com sua esposa Rosa Kucinsky”.

O Relatório do Ministério da Marinha diz que “foi preso em São Paulo a 22 de abril de 1974, e dado como desaparecido desde então.”

Ver mais informações na nota referente a Ana Rosa Kucinski.

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Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN).

Nasceu em 9 de julho de 1945, no Rio de Janeiro, filha de Odorico Arthur Delgado e Eunice Santos Delgado.

Desaparecida desde 1974 quando contava 29 anos.

Advogada e funcionária do Departamento Nacional de Produção Mineral do Ministério das Minas e Energia, no Rio de Janeiro, até sua prisão. Trabalhou também no jornal “Tribuna da Imprensa”.

Foi presa em São Paulo no dia 11 de abril de 1974, quando se preparava para viajar para o Rio de Janeiro.

No Relatório do Ministério da Marinha, há referência de que em matéria do “Jornal da Tarde”(SP) do dia 29/06/74, página 3, 1° caderno, Ieda teria sido detida no dia 18 de abril de 1974, não constando qual a autoridade ou órgão seria o responsável por sua prisão.

O Jornal “Carta O Berro” publicou no dia 07/02/2011

IEDA SANTOS DELGADO (1945 – 1974)

Filiação: Eunice Santos Delgado e Odorico Arthur Delgado

Data e local de nascimento:

09/07/1945, Rio de Janeiro (RJ)

Organização política ou atividade:

ALN

Data e local do desaparecimento:

11/04/1974, São Paulo (SP)

Carioca e afro-descendente, Ieda era advogada e funcionária do Ministério de Minas e Energia há cerca de quatro anos. Embora militante da

ALN, conseguiu manter a vida em completa legalidade até ser presa em São Paulo, em 11/04/1974, quando desapareceu. Seu nome consta

na lista de desaparecidos políticos anexa à Lei nº 9.140/95.

Sua atuação política teve início entre 1967 e 1968, em Brasília, quando estudava Direito na UnB e participava discretamente das mobilizações

estudantis que marcaram o período. Formou-se advogada em 1969 e falava francês, italiano, inglês e espanhol. Como funcionária

do Ministério de Minas e Energia, fez curso de especialização na PUC do Rio de Janeiro, de setembro de 1971 a março de 1972. No mesmo

ano, fez também outros cursos na Faculdade Cândido Mendes.

Tinha trabalhado como assistente da assessoria jurídica do Ministério da Educação e Cultura, no Plano Nacional de Educação, de 1967 a

1970. Foi estagiária e, depois, assistente jurídica do Departamento Nacional de Produção Mineral do Ministério de Minas e Energia e, em

1973, foi secretária jurídica do Centro de Pesquisas Experimentais. Ao ser presa, aguardava sua transferência para Brasília. Durante algum

tempo, trabalhou também no suplemento literário do jornal Tribuna da Imprensa.

Ieda viajou para São Paulo durante os feriados da Semana Santa de 1974, no dia 11 de abril, para buscar passaportes para um casal de

militantes da ALN que precisava deixar o país. Não retornou ao Rio de Janeiro. Por telefonema anônimo, sua família soube que ela tinha

sido presa em São Paulo.

Sua mãe, Eunice, imediatamente viajou para São Paulo e iniciou uma busca desesperada pelo paradeiro da filha. Chegou a obter a informação,

através de um general seu amigo, de que Ieda estivera presa em Campinas (SP), tendo sido hospitalizada em função das torturas, e

também em Piquete (SP), onde permanecera por pouco tempo. Tais informações, oficiosas, nunca foram confirmadas.

Os diversos habeas-corpus impetrados foram negados.Um mês depois da prisão da filha, Eunice passou a receber cartas de Ieda, o que a

deixou ainda mais aflita. Inicialmente, em cinco linhas, em carta postada em Belo Horizonte, Ieda dizia para que a família não se preocupasse,

que estava bem. Um mês depois outra carta, nos mesmos termos, postada do Uruguai. Nessa última, sua letra estava muito tremida.

Eunice fez exames grafológicos e constatou que a letra era de Ieda. Nesse período do regime militar em que o desaparecimento se tornou regra sistemática nos órgãos de segurança, repetiram-se várias vezes episódios como esse em que, além do violento trauma trazido pelo desaparecimento, os familiares passaram a ser submetidos a verdadeiras operações de contra-informação e, muitas vezes, foram alvo de chantagem para obtenção de dinheiro em troca de informações que, em nenhum dos casos, se comprovaram verdadeiras.

Ieda Santos Delgado foi homenageada, tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro, com a denominação de ru

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Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN).

Nasceu em 29 de agosto de 1941, filha de Edmundo Dias de Oliveira e Felícia Mardini de Oliveira.

Desaparecida desde 1972, quando tinha 31 anos.

Iniciou seus estudos no Grupo Estadual Pereira Barreto, onde concluiu o primário. O Ginasial e o Clássico cursou no Colégio Estadual Presidente Roosevelt e no Colégio Sta. Marcelina, respectivamente.

Em 1960 concluiu o seu curso de piano e, posteriormente, estudou inglês na União Cultural Brasil-Estados Unidos.

Além de inglês, falava francês e espanhol. Em 1965 iniciou o Curso de Ciências Socias na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP.

Em 1967, casou-se com José Luiz Del Royo, de quem se separou posteriormente.

Ainda em 67 trancou sua matrícula.

Em 1970 passou a morar na cidade do Rio de Janeiro, onde foi presa no dia 30 de janeiro de 1972.

De D. Felícia Mardini de Oliveira, sua mãe:

“Ísis, em sua infância, foi uma menina simples, tímida talvez. Estudava normalmente. Paralelamente fazia curso de inglês e piano, chegando a formar-se nestes dois cursos. Na adolescência interessou-se em aprofundar cada vez mais seus conhecimentos. Lia com entusiasmo tudo o que se relacionava com Psicologia, Filosofia e História Geral.

Decidida a conhecer melhor as relações do homem com a sociedade, ingressou na Faculdade de Ciências Sociais da USP, não chegando a concluir o curso. Ísis mostrava-se segura e coerente com suas definições de vida. Este pareceu-nos ser o traço mais marcante de sua personalidade. Verificamos uma total coerência na sua maneira de pensar e agir.

Em 16 de junho de 1970 Ísis foi morar no Rio de Janeiro. A princípio vinha, sempre, visitar-nos em São Paulo. Outras vezes nós a encontrávamos no Rio, em lugares pré-combinados. Um dia, ao despedir-se ela disse: ‘Mãe, se alguma coisa me acontecer, uma companheira dará notícias para vocês’. Eu fiquei muito nervosa com essa informação. No dia seguinte, conforme havíamos combinado, eu fui ao seu encontro. Esperei por várias horas, Ísis não apareceu. Nunca mais a vi.

Em 22 de novembro de 1971 Ísis fez um telefonema para a casa de um vizinho, chamando-me. Disse não ter sido possível ir ao meu encontro, conforme havíamos combinado, mas que tudo estava bem com ela. Foi a última vez que ouvi sua voz.

Em 23 de janeiro de 1972 Ísis encontrava-se em apuros. Chegou pela madrugada em casa de uns amigos em Niterói. Dormiu e passou o dia seguinte lá. Fez um curativo em um ferimento que tinha no pescoço, indo embora no final da tarde. O nosso amigo foi com ela até as barcas. Foi a última pessoa a ver Ísis.

Em 4 de fevereiro de 1972 meu marido recebeu, em seu escritório, um telefonema de uma moça dizendo: ‘Ísis foi presa, no Rio de Janeiro, pelo I Exército. Vocês devem tomar providências para localizá-la, porque ela corre perigo de vida.’ Mais tarde soubemos que a autora do telefonema era a companheira de Ísis, Aurora Maria do Nascimento Furtado, posteriormente assassinada pela repressão, que fora também colega da Ísis aqui na USP.

Em 10 de fevereiro de 1972, a Dra. Eny Raimundo Moreira, que fora contratada por meu marido, impetrou um habeas corpus em favor de Ísis. Negaram sua prisão. Ao todo foram cinco habeas corpus. A partir do terceiro a resposta era: Ísis Dias de Oliveira ‘encontra-se foragida’.

Trânsito de Ísis nos órgãos de repressão:

• Em meados de fevereiro de 1972, esteve presa no DOI-CODI/RJ.

• Março de 1972, quando era transferida do Rio para São Paulo, juntamente com outros presos, foi desligada desse grupo por apresentar problemas renais.

• No mesmo mês de março, pelos mesmos problemas renais, esteve hospitalizada aqui em São Paulo.

• Ainda no mês de março, foi transferida para a base Aérea de Cumbica/SP.

• Em 13 de abril de 1972, uma Assistente Social, Maria do Carmo de Oliveira, lotada no Hospital da Marinha (Ilha das Cobras) no Rio, informa a mim e a minha sobrinha Sônia: ‘Ísis Dias de Oliveira foi presa pelo I Exército, com duas identidades, encontra-se incomunicável na Ilha das Flores’. Esta informação Maria do Carmo recebeu por telefone de um primo

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Constava no antigo Dossiê do CBA/RS como José Francisco Chaves.

Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PCdoB).

Desaparecido na Guerrilha do Araguaia desde 1972.

Negro, de origem camponesa, muito jovem ainda, ingressou na Marinha de Guerra, onde sofreu os preconceitos raciais. Em 3 de abril de 1935, engrossou as fileiras da Aliança Nacional Libertadora, filiando-se em seguida ao Partido Comunista.

Preso em 1935, após a derrota da insurreição armada, foi torturado sob a chefia do Comandante Lúcio Meira, sendo mais tarde recolhido ao presídio da Ilha Grande. Graciliano Ramos, que com ele conviveu nessa época, narra em seu livro ‘Memórias do Cárcere’, os esforços de Chaves e outros companheiros para denunciar as condições desumanas em que viviam os presos naquele autêntico campo de concentração.

Foi expulso da Marinha em 1937, segundo informações encontradas no Arquivo do DEOPS/SP. Libertado no início da década de 40, participou da preparação da Conferência da Mantiqueira, em 1943, sendo eleito suplente do Comitê Central do Partido Comunista, cargo que exerceu até 1946.

Após o golpe de 1964, duramente perseguido, foi residir na região de Caianos e se incorporou às Forças Guerrilheiras do Araguaia, quando já contava mais de 60 anos de idade.

Foi morto em combate em 21 de setembro de 1972, junto com José Toledo de Oliveira, próximo ao local onde morrera Miguel Pereira dos Santos, no dia anterior.

Nas exumações feitas no Cemitério de Xambioá por uma Comissão de Familiares, parlamentares, legistas e Comissão de Justiça e Paz (CJP) de São Paulo, em 1991, foram encontrados ossos de um homem com mais de 60 anos e negro que, provavelmente, seriam de Francisco Manoel. Essa ossada ainda se encontra no Depto. de Medicina Legal da UNICAMP/SP, sem contudo, ter sido identificada.

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