Início dos anos 60. A sociedade engatinhava para um processo de amadurecimento. Pipocavam movimentos de construção: mobilizações através de sindicatos rurais e urbanos, Centros Populares de Cultura, método Paulo Freire de Educação, Cinema Novo. Respostas brasileiras. Mas o sonho foi trans-ferido. Atropelado. Veio a repressão, a dificuldade de se organizar, o pesadelo, as perseguições. O AI-5 e as torturas.
José Gomes Teixeira viveu tudo isso. Militante do movimento Sindical desde o início de 1960 era funcionário do Loyd Brasileiro e da Prefeitura de Duque de Caxias.
Morador da baixada fluminense após o golpe militar de 64, não consegue nem fundar a Associação de Moradores local, apesar de tanta ajuda que dera na melhoria do bairro. Ele passa a ser perseguido pelos militares.
Decidiu então entrar para o Var-Palmares para continuar a luta de resistência à ditadura. Foi preso em 11 de junho de 1971 ao receber no banco o seu INPS. Resistiu às torturas sem revelar o local de sua moradia, pois vivia num subúrbio da Leopoldina, clandestinamente, com outros companheiros, entre eles Carlos Lamarca e Iara Iavelberg. Permitiu assim, que eles continuassem por mais um tempo a sua luta. Deixou mulher e seis filhos menores.
Após as bárbaras torturas a que foi submetido, ocasionando-lhe a morte, seus algozes, não satisfeitos, tiraram-lhe o que lhe restava: seu nome, sua identidade, sua cidadania. Foi enterrado como indigente um homem desconhecido no Cemitério de Ricardo de Albuquerque. Só pesquisas recentes nos levaram a conhecer a forma utilizada pelo terror do Estado para desaparecer com as pessoas.
Ao premiarmos com a Medalha Chico Mendes de Resistência a José Gomes Teixeira, pós-mortem, simbolicamente estamos homenageando a tantos Josés e Marias, que continuam desaparecidos e resgatando a história que tantos querem esquecer.