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- 25 de janeiro de 2019

Liga dos Camponeses Pobres (LCP) – Renato Nathan Gonçalves Pereira (in memoriam)

 

Renato Nathan Gonçalves Pereira era conhecido entre os camponeses de Rondônia como Professor Renato. Ele ganhou o apelido após ajudar a organizar várias escolas populares e alfabetizar dezenas de jovens e adultos no campo.
Renato dedicou sua vida à luta revolucionária, junto dos camponeses, operários, estudantes e professores. Fazia parte da Liga dos Camponeses Pobres (LCP). Trabalhou em Corumbiara, na Escola Popular e na luta das vítimas da Batalha de Santa Elina. Em Jacinópolis, participou ativamente das lutas camponesas que transformaram uma área devastada e de pastagens num local cheio de famílias, produção, casas, escola e comércios.
Ajudou a organizar os camponeses para construção da escola, estradas e pontes e para a defesa da produção contra as perseguições do Ibama. Participou da organização de Assembleias Populares, onde os moradores decidem sobre tudo o que lhes diz respeito. Era membro da Associação de Produtores do Capivari, área onde morava.
Renato Nathan foi covardemente assassinado em 2012, em Jacinópolis / Rondonia. Foi parado numa blitz e assassinado por policiais civis a paisana com três disparos a queima roupa, sendo dois na nuca e um no rosto. Renato tinha 28 anos, era casado, tinha uma filha de dois anos e trabalhava como topógrafo.
No dia 30 de abril, em Jaru, um ano depois de seu assassinato, foi o momento de recordá-lo como aquele que lutou em defesa dos camponeses pobres de Rondônia durante quase toda a vida. No salão paroquial da matriz da Igreja Católica de Jaru (RO), um número enorme de camponeses, operários e outros lutadores do povo se reuniu para prestar homenagem a Renato. O ato, além da família, contou com a participação de várias entidades: Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos, Movimento Estudantil Popular Revolucionário, Movimento Feminino Popular, Comitê de Defesa das Vítimas de Santa Elina, Comissão Pastoral da Terra de Jaru e de Rondônia e União dos Caminhoneiros de Rondônia, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Jarú, entre várias outras. Essas organizações estão preparando uma denúncia para a Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre a morte de Renato dentro da escalada de assassinatos de camponeses no Brasil.
O ato foi iniciado ao som do hino camponês Conquistar a terra. Apesar da emoção, a palavra de ordem “Justiça” não foi esquecida, já que os que ali estavam para relembrar Renato também estavam exigindo investigação e punição para seus assassinos. Mas, principalmente, reafirmar a disposição dos camponeses de seguir na luta com a palavra de ordem de “Tomar todas as terras do latifúndio”.
Segundo vários criminalistas, é evidente a execução de Renato. Foram tiros de armas diferentes, fato que ocorre quando se faz um pacto de silêncio entre os que cometem o crime. Esses fatos foram amplamente divulgados pela LCP – Liga dos Camponeses Pobres, pelo jornal A Nova Democracia, a IAPL – Associação Internacional de Advogados do Povo e por muitas entidades em nível nacional e internacional.
Em relação ao assassinato de Renato, a polícia afirma ainda “não ter pistas dos assassinos”. Para a polícia, o fato de ser chamado de professor pelos camponeses, possuir instrumentos de trabalho como trena e GPS, possuir livros e materiais de apoio à luta camponesa é usado para classificar Renato como “altamente perigoso”. Assim, como é costume no Brasil, a imprensa dos monopólios difama, acusa e condena as vítimas. Protege e esconde os mais bárbaros crimes.
O nome de Renato não foi mais citado. Rondônia, desde 2015, passou a assumir a posição de maior índice de assassinatos na luta pela terra. Segundo a CPT dos 50 assassinatos na luta pela terra no Brasil, 21 ocorreram em RO. Fato que se repetiu em 2016, com 23 assassinatos e segue ocorrendo já nos primeiros dias de 2017.
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