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Medalha Chico Mendes |

 
- 2 de agosto de 2013

Marina dos Santos

Lucia Marina dos Santos é filha de pequenos agricultores que perderam a terra na década de 1980. Seus pais, como a maioria dos sem-terra do sul do Brasil, tiveram de entregar a propriedade a um banco para saldar dívidas. Os pequenos proprietários pegavam empréstimos para desenvolver a plantação e, em caso de problemas climáticos, a única opção era entregar a terra para o banco, pois nesse país os pequenos agricultores nunca tiveram seguro agrícola – diferentemente dos grandes proprietários de terras.

Depois disso, ela e sua família foram para a cidade, continuaram trabalhando na agricultura, mas como bóias-frias e meeiros. Em 1989, decidiu ser freira, para poder trabalhar e estudar. Certo dia, ainda em 1989, aos quinze anos, foi com um padre a um acampamento. Quando viu a forma de organização das famílias no local, os laços de solidariedade ao qual se prendiam para garantirem sua sobrevivência, a forma da juventude trabalhar, se organizar e estudar, não teve dúvidas: disse adeus ao padre e ficou no MST.

Permaneceu no acampamento. E como toda a juventude daquele local, seguiu trabalhando no campo com esperança de conquistar sua própria terra, concluiu o primeiro grau na escola do próprio acampamento, que foi construída pelos trabalhadores com a madeira da sede da fazenda – que servia para guardar armamentos. Depois, fez seu segundo grau na primeira turma da Escola Josué de Castro, onde o MST tem seu Instituto Técnico de Capacitação e Pesquisa da Reforma Agrária, em Veranópolis RS. Hoje, funciona lá uma agroindústria de produção de doces e geléias para exportação.

Em 1996, Marina foi transferida pela direção nacional do MST para o Estado do Rio de Janeiro para contribuir na organização e consolidação do Movimento, vivendo então em Campos dos Goytacazes e posteriormente na cidade do Rio, enfrentando todos os males do latifúndio canavieiro, explorador e escravizador, onde permaneceu até início de 2006. Lá, ajudou nas ocupações de terras, na conquista dos assentamentos e na organização dos trabalhadores rurais sem-terra do Estado (em especial dos ex-cortadores de cana e excluídos do município de Campos), além da construção da unidade da classe trabalhadora, para que pudessem estar juntos trabalhadores do campo e da cidade.

Ao falar sobre si, destaca: “Eu não meço esforços na luta veemente contra o modelo econômico, contra as grandes empresas e transnacionais que estão concentrando nossas terras, destruindo o meio ambiente e a biodiversidade de nosso país”.

Atualmente, Marina é integrante da Direção Nacional do MST e responsável pelas articulações políticas do escritório nacional de Brasília.

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