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Medalha Chico Mendes |

 
- 2 de agosto de 2013

Frei Betto

Em geral, fugimos dos paradoxos e, comodamente, evitamos as contradições. Frei Beto, ao contrário, não desmedra frente aos impasses. Permanentemente lúcido, vive o paradoxo abissal do mundo, que é a existência do Bem e do Mal, entranhados dos homens e entrançados na História desde a noite dos tempos.

Foi a percepção desse paradoxo que levou Carlos Alberto Libanio Christo, o Frei Beto, a optar pelo caminho cristão da fé ? Ou, acaso, um gesto divino que abriu seu generoso coração a esse mistério do Homem ? Teria sido fabulosa esfinge que o cercou ainda garoto, em esconsa estrada mineira, e o instigou a decifrá-lo, sob pena de devorar-nos ?

A opressão, a exploração do trabalho, o genocídio e a tortura nos atormentam tanto quanto afligiram aos assírios no passado. De fato, no mundo em que se tortura em nome de Marx e se joga napalm em nome de Cristo, não se pode falar de progresso. Mas as palavras e ações de Frei Beto nos confortam e não só nos confortam como nos dão entendimento e nos convidam a vislumbrar, à distância ou no fundo do ser, a luz eterna do Bem.

Nascido em Belo Horizonte, aos 13 anos ingressou na militância estudantil e aos quinze foi eleito 1° Vice Presidente da União Municipal de Estudantes Secundários da capital mineira. Dois anos depois, passou a integrar a direção nacional da Juventude Estudantil Católica. Em junho de 1964, sofreu sua primeira prisão política, acusado de conspirar contra o regime militar. Em 1965, entrou como noviço na Ordem Dominicana, na qual é Irmão Cooperador. Em 1969, foi novamente preso por favorecer a fuga, do Brasil, de militantes políticos perseguidos pelos militares. Condenado a 4 anos de prisão, cumpriu metade da pena entre prisioneiros políticos e o restante entre prisioneiros comuns, onde escreveu seu primeiro livro: “Cartas da Prisão”, texto que, nas palavras de Alceu Amoroso Lima, é testemunho integral de pensamento e ação, lição de valor insuperável para as gerações futuras.

Libertado em 1973, morou durante cinco anos numa favela de Vitória, no Espírito Santo, entregue ao trabalho de organização das Comunidades Eclesiais de Base.

Teólogo, jornalista, escritor premiado, filósofo, pensador e homem de ação, Frei Beto tem o que muitos gostariam mas lhes falta: a coragem de responder ao ódio com amor. Obrigado, Frei Beto, por tua presença fraterna.

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