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Equipe Clínica e Jurídica: Oficinas

Oficinas Clínica e Direitos Humanos: Construções de Uma Clínica-Política

A Equipe Clínico-Grupal Tortura Nunca Mais vem realizando, desde 2002, a atividade das Oficinas Clínica e Direitos Humanos, que tem ampliado os horizontes de seu trabalho clínico.

Até então, no trabalho com os atingidos pela violência atual, vínhamos nos defrontando com limitações de nossas estratégias de atendimento. Percebíamos que para uma parte da clientela, o trabalho clínico de consultório, mesmo grupal, apresentava limitações de várias ordens. A principal delas: a população mais pobre, alvo preferencial da violência policial e da tortura, não estabelecia facilmente um vínculo entre a busca de um psicólogo ou psiquiatra e a violência sofrida. O trabalho clínico de consultório estava bastante distante dessa clientela, e a questão não se resolveria se, simplesmente, mudássemos o consultório de lugar: seria necessário problematizar o próprio consultório e os modos de subjetivação intimistas implicados em sua produção.

Pensamos ser interessante aproveitar os equipamentos já existentes de saúde pública. Alguns membros da equipe já militavam na reforma psiquiátrica, outros, no campo da saúde em instituições penais ou ambulatoriais, em trabalhos direcionados a adolescentes.

Passamos, então, a desenvolver um trabalho clínico-político junto aos profissionais que trabalhavam diretamente com a população mais atingida por violações de direitos humanos de vários tipos – com aquela parcela da população que sofria de modo mais direto os efeitos das políticas perversas do neoliberalismo. Foram verificados os efeitos multiplicadores de uma intervenção de nossa equipe junto a esses profissionais.

Ao longo do tempo foi sendo aperfeiçoada uma estratégia de trabalho nas oficinas.
Partindo das percepções sobre a realidade local, dos problemas trazidos pelas equipes, buscamos estabelecer conexões com alguns temas, dentre eles a análise do capitalismo atual e das condições de produção da violência, os efeitos da produção de subjetividade na contemporaneidade. Um fenômeno que se tornou muito evidente em nossa experiência “a impotência das equipes de saúde” tem sido posto em análise. Impotência que precisa ser compreendida como um efeito dos aparelhos de captura que o próprio capitalismo contemporâneo põe em funcionamento. Intervir sobre a impotência é intervir sobre as próprias condições de resistência às redes frias do capitalismo atual, é também fomentar a criação de redes quentes.

Nossa equipe também tem aprendido com esta experiência junto aos profissionais que hoje estão inseridos na rede pública e enfrentando este desafio. A experiência de trabalho clínico com os atingidos pela violência do período da ditadura militar tem contribuído para instrumentar estratégias das equipes de saúde, em seus enfrentamentos com a violência relacionada ao tráfico de drogas, com a polícia nos bairros pobres das cidades brasileiras.

A experiência das oficinas vem se constituindo em fonte de problematização da própria equipe, ao mesmo tempo em que contribui, para problematizar estratégias de trabalho em saúde, desconstruindo estereótipos e restabelecendo conexões entre questões de direitos humanos e as questões clínico-políticas.




 
  Relatórios
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