A Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência surgiu no ano de 2004 como fruto da luta mais organizada das comunidades e dos movimentos sociais contra a violência de Estado, a arbitrariedade policial e a impunidade.
Inspirada em mobilizações como as das comunidades do Borel, Acari, Caju e Manguinhos, bem como na resistência incansável de mães e outros familiares atingidos pela violência policial, a Rede (na época denominada Movimento Posso me Identificar) organizou em 16/04/2004 uma manifestação, ao completar-se um ano da chacina que tirou a vida de quatro jovens no Borel em 2003. Na ocasião, apresentou uma série de propostas e reivindicações ao poder público, que acabaram sendo respaldadas pelas Conferências Estadual e Nacional de Direitos Humanos, realizadas naquele ano. Entretanto, até o momento essas propostas não passaram de formalidade, porque as práticas e métodos da polícia face às comunidades e populações pobres em nada mudaram. Os policiais envolvidos em matanças e grupos de extermínio continuam sentindo-se muito seguros e certos da impunidade, como prova a chacina da Baixada de 31/03/2005, que tirou a vida de pelo menos 29 pessoas numa só noite.
A Rede também esteve presente com várias oficinas no Fórum Social Mundial em Porto Alegre, em janeiro de 2005, quando foi lançado o documentário "Entre Muros e Favelas" e apresentadas diversas denúncias sobre a violência policial, assim como propostas a setores da sociedade, no sentido da constituição de redes de apoio a comunidades atingidas pela violência estatal.
No mesmo ano de 2005, realizou manifestação em abril, em conjunto com o MST, lembrando os massacres cometidos pelas forças de repressão na cidade e no campo.
Desde 2006, junto com diversas outras organizações e movimentos sociais, vem desenvolvendo a campanha contra o blindado Caveirão e outros instrumentos similares, símbolos de uma política de segurança baseada no confronto, na resposta puramente militar ao problema da criminalidade e no desprezo aos direitos humanos das comunidades pobres e marginalizadas.
Ao longo desses anos de atividades, busca construir uma Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência como um movimento social independente do Estado, de empresas, de partidos políticos e de igrejas, que possa reunir moradores de favelas e comunidades pobres em geral, sobreviventes e familiares de atingidos pela violência policial ou militar e militantes populares e de direitos humanos. A Rede se constrói pela soma, com preservação da autonomia, de grupos de comunidades, movimentos sociais e indivíduos, que lutam contra a violência do Estado e as violações de direitos humanos praticadas por agentes estatais nas comunidades pobres.
Seus objetivos são:
1) Estimular e promover movimentos permanentes nas comunidades, de prevenção e denúncia da violência estatal, propiciando seu relacionamento e apoio mútuo;
2) Reduzir o número e a freqüência, até a total eliminação, dos casos de mortes e violações de direitos devidos à atividade policial/militar;
3) Exigir do Estado reparação às vítimas e sobreviventes de abusos e violações cometidos por agentes do Estado;
4) Construir na sociedade uma rede de apoio jurídico às comunidades contra a violência policial/militar;
5) Construir na sociedade uma rede de apoio médico, psicológico e social aos atingidos e sobreviventes da violência estatal;
6) Construir na sociedade uma rede de denúncias, em nível nacional e internacional, de casos de violência e violações de direitos pelo Estado nas comunidades;
7) Junto com outros setores da sociedade, lutar contra as causas econômicas, sociais, históricas e culturais da violência contra as comunidades, da criminalização e preconceitos contra os pobres e da desigualdade social.
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