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Medalha Chico Mendes | homenageados 2015

Com a Medalha Chico Mendes de Resistência, o Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro – GTNM/RJ homenageia pessoas físicas ou jurídicas, nacionais ou internacionais, por suas lutas na defesa dos direitos à vida e à liberdade e por uma sociedade plural, fraterna e sem torturas, reafirmando sua dignidade e sua memória. Essa homenagem, prevista em seu estatuto desde a sua fundação, em 1985, vem sendo cumprida desde 1989, anualmente, no dia 1º de abril ou em data próxima.

Maria Dolores Perez – a Lola recebendo a Medalha Chico Mendes de Resistência em 2007

 

> Homenageados 2015

Este ano, o golpe civil-militar de 1964 completou 51 anos. As barbáries da ditadura civil-militar no Brasil foram lembradas pela 27ª Medalha Chico Mendes de Resistência que, a cada 01 de abril, homenageia pessoas e entidades comprometidas com os direitos humanos.

Nasceu em Saumur, em 1935. É um sacerdote católico originário da França, bispo emérito da Diocese de Viana, no estado do Maranhão. Cursou o ensino básico em Nantes. Seus estudos de filosofia e teologia foram concluídos em Saint Suplice, Issy-les-Moulineaux. Concluiu a Licenciatura em Filosofia pela Universidade Federal do Piauí e Licenciatura em Direito pela Universidade Federal da Paraíba. Ele chegou ao Maranhão em 1963.

No interior, dedicou-se ao trabalho com as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Em 1971, foi preso pelo regime militar, juntamente com o Pe. Antonio de Magalhães Monteiro, acusados de comunismo. Foi Coordenador Estadual da Comissão Pastoral da Terra e das CEBs do Maranhão (1980-1982); Secretário Nacional do Comitê Episcopal França – América Latina entre 1982 e 1988; Reitor do Seminário Interdiocesano Santo Antônio em São Luís do Maranhão (1989-1994); Reitor e Pároco de São José de Ribamar-MA (1993-1995).

Em 1995, foi nomeado bispo auxiliar de São Luiz do Maranhão-MA, função na qual permaneceu em 1998. Neste cargo, foi Vigário Geral da Arquidiocese de São Luís do Maranhão e Moderador da Cúria. Em 1998 foi nomeado bispo da diocese de Viana. Sua atuação é destacada na luta pelos direitos humanos.

Em entrevista a “O Estado”, dom Xavier dá declarações sobre os principais problemas do campo, colocando-se sempre do lado dos oprimidos e contra as injustiças sociais. Confirma as denúncias de tortura sofridas pelo ex-padre José Antônio de Magalhães Monteiro: “Fomos nomeados, eu e o Monteiro, respectivamente, pároco e vigário paroquial, em Urbano Santos e São Benedito do Rio Preto. Chegamos juntos em maio de 1960. Começamos a fazer um trabalho de pregar a palavra de Deus, organizar as comunidades eclesiais. O trabalho era fazer a ligação entre o trabalho e a vida. E aí olhávamos para outros aspectos, como a situação agrária e a vida dos trabalhadores. Havia muita injustiça. Com as comunidades, denunciamos algumas injustiças. Refletíamos sob a luz do Evangelho essa realidade agrária.” “Estive preso com o padre Monteiro e pude ver as marcas e as escoriações deixadas pela Polícia Federal.” O bispo afirma que só não chegou a ser torturado na prisão porque o então arcebispo de São Luís, dom João Mota, fez sérias advertências ao delegado da PF.

Sobre a Reforma Agrária o bispo declarou: “A questão não está resolvida por causa do eterno problema de que as águas correm para o mar. Os ricos querem cada vez ficar mais ricos, deixando os pobres cada vez mais pobres. O latifúndio continua, com outros disfarces, sob o nome de agronegócio, hidronegócio e assim por diante.”

Sobre o Trabalho Escravo: “A grande maioria dos trabalhadores escravos está nas grandes fazendas de cana-de-açúcar. Retirar o direito de propriedade das fazendas onde se encontra escravos? Nunca! A lista negra para a venda de álcool para as distribuidoras? Nunca! Por causa do Congresso, não há vontade de se fazer uma reforma agrária. Os povos tradicionais – índios, quilombolas – não são respeitados. É o caso da Reserva Raposa Serra do Sol (em Roraima). Já estava decidido, combinado. Agora, mandam Polícia Federal e tudo mais. Os ricos pedem e o Supremo Tribunal Federal suspende. Cá entre nós, sejamos honestos: a Justiça é muito mais rápida para os ricos do que para os pobres.”

Sobra a Transposição do Rio São Francisco: “Sem dúvida nenhuma, vai prejudicar muita gente. É um projeto faraônico que não vai solucionar os problemas. O próprio governo reconhece. A maioria das águas vai para o agronegócio. Sou solidário à luta de dom Luiz Cappio. Mas o episcopado está dividido. A maioria dos bispos da região – Pernambuco, Paraíba e Ceará, os Estados que serão beneficiados – é a favor.

Sobre Assassinatos no Campo: “Muitas vezes os ‘fazendeiros’ fazem justiça com as próprias mãos, por meio de jagunços e muitas vezes com a ajuda da Polícia Militar. Não tenho a menor dúvida que há uma aliança corporativista em torno dessa questão. Uma aliança de classe: juízes, ruralistas, políticos, eles vêm da mesma classe.

O Grupo Tortura Nunca Mais/RJ se solidariza com a luta do Bispo Xavier pelos povos do campo!

Sérgio de Souza Verani é Desembargador aposentado desde fevereiro de 2015, do Tribunal de Justiça do estado do Rio de Janeiro. Ele iniciou sua carreira em 1970 como Promotor de Justiça e Defensor Público e, desde março de 1975, é Juiz de Direito, tendo desempenhando muitas funções como magistrado em nosso judiciário e como professor na área do Direito.

Sérgio Verani se destaca pelo fato de, aliando competência profissional e uma sólida formação, orientar sua prática jurídica pela preocupação com as garantias e liberdades individuais que, embora formalmente resguardadas por nossas leis, são regularmente deixadas de lado no funcionamento cotidiano do Estado. Esta preocupação o levou a coordenar um Curso de Extensão em Direito Social, na UERJ, destinado aos Movimentos Populares além de, em sua prática como magistrado, ter dedicado atenção especial aos autos-de-resistência, por meio dos quais muitos dos assassinatos cometidos pela polícia são “legalizados”.

Sendo parte de uma geração que lutou contra o arbítrio e o terrorismo de estado durante nossa triste ditadura, Sérgio Verani mostra, em sua vida e em sua prática profissional, que é possível não deixar de lado valores humanistas e de justiça social mesmo que trabalhando em um Estado que institucionaliza a violência e a barbárie.

Ainda que tenha enfrentado resistências e oposições diversas em seu meio, Sérgio Verani enfrentou a naturalização e a impunidade de crimes de Estado e, em seu livro “Assassinatos em Nome da Lei”, mostrou que é possível praticar a justiça sem se tornar um “Guardião da Ordem” do capital. É um dos poucos nomes que, tendo chegado ao topo de sua carreira profissional, não deixou de lado valores que enfrentaram a institucionalização da violência e da barbárie em nosso estado.

Em 1996, lançou o livro “Assassinatos em Nome da Lei”, pela editora Aldebarã. sobre a utilização ideológica do “Auto de Resistência” no sistema judicial, prática ilegítima para justificar homicídios realizados pela polícia.

Como juiz e jurista, Verani sempre foi incansável na análise de processos que tinham o Estado como réu. Com sentenças que apontam para o controle da ação policial, com iniciativas que colocam o tema dos direitos humanos na ordem-do-dia, como o seu pioneirismo em analisar a fundo os autos de resistência durante sua atuação em varas criminais.

Na função de Professor e Juiz, durante 40 anos, sempre teve como referência a formação de um pensamento crítico-dialético sobre o Direito, para a efetiva concretização dos Direitos Humanos e das Garantias Constitucionais.

São inúmeras as atividades que exerceu:

Foi promovido para o Tribunal de Alçada Criminal em 1996. Juiz titular da 37ª Vara Criminal; Juiz Titular da 2ª Vara Auxiliar do Júri; Juiz Substituto; Ingresso na Magistratura do antigo Estado da Guanabara, mediante concurso público de provas e títulos – 1975. No Ministério Público do antigo Estado da Guanabara foi Defensor Público e Promotor Substituto, mediante concurso público de provas e títulos, no período de 1972 a 1975; Promotor de Justiça do Ministério Público do antigo Estado do Rio de Janeiro, mediante concurso público de provas e títulos, no período de 1970 a 1972.

Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro; Presidente do Fórum Permanente de Direitos Humanos da EMERJ, do qual ele é o criador; Sergio Verani também é membro fundador do Movimento da Magistratura Fluminense pela Democracia – em 2003.

Como docente, Sergio Verani foi Coordenador do Curso de Extensão de Direito Social, do Programa Cidadania e Direitos Humanos – Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, destinado aos Movimentos Populares, no período de 1992 em diante, aposentado em 2015. Professor do Curso de Especialização em Psicologia Jurídica – Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, no período de 1989 a 1995. Professor de Prática Forense Penal (Professor Auxiliar), mediante aprovação em concurso público de provas e títulos – Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, no período de 1984 em diante. Professor de Direito Penal – Faculdade de Direito da Universidade Cândido Mendes, Ipanema – UCAM, no período de 1976 a 1984. Professor de Português, da Campanha Nacional de Escolas da Comunidade, Niterói – Ginásio Felisberto de Carvalho. Diretor Geral da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro – EMERJ (Biênio 2013/2014).

A luta política travada em seu espaço profissional e o engajamento em nome de uma justiça mais humana e justa é que fundamentam a homenagem a Sérgio de Souza Verani.

 É para que sua vida e sua atuação profissional nunca sejam esquecidas que nós entregamos a você, Sérgio de Souza Verani, a Medalha Chico Mendes de Resistência.

 
Carioca, nascida em 1939, de infância pobre em subúrbio carioca, Flora desde cedo “sabia o que queria”. Estudou em escolas públicas e, em 1960, entrou para o curso de História na famosa FNFi (Faculdade Nacional de Filosofia) da Universidade do Brasil, em um momento de grande efervescência em nosso país.

Desde o secundário participava de movimentos, greves e manifestações políticas. Vinculada, inicialmente, à Ação Católica, tornou-se militante comunista em 1962.

Participoum no início dos anos de 1960, do Programa Nacional de Alfabetização de Paulo Freire e quando veio o golpe de 1964, encontrava-se, naquele 1º de abril, no CACO junto com cerca de 200 estudantes para resistir. Estava grávida de 5 meses... Foi salva, como alguns dos que hoje estão presentes, pelo Capitão do Exército Ivan Cavalcante Proença. Foi enquadrada, junto com seu companheiro, Alcir Henrique da Costa, em vários Inquéritos Policiais Militares, que os levou à clandestinidade com dois filhos pequenos. Especialmente após o AI-5, quando não conseguiam mais emprego. Em 1970 e 1972, Alcir foi preso e violentamente torturado no DOI-CODI/RJ: procuram Flora.

Após a libertação de Alcir e pela impossibilidade de continuar no Brasil, em 1972 saíram do país e foram para o Peru; posteriormente, para a Argentina onde permaneceram até 1979. Lá, na Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais (FLACSO) fizeram seus estudos de pós-graduação.

Logo que voltou, participou ativamente do Comitê Brasileiro pela Anistia (CBA) e, em 1980, esteve na criação do Partido dos Trabalhadores no Rio de Janeiro.

Em 1985, fundou o Grupo Tortura Nunca Mais/RJ, tendo sido sua presidente por 7 anos e permanecendo na Diretoria do Grupo por 25 anos.

Nesses 30 anos de existência do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ muito se deve à tenacidade, aos princípios ético-políticos tão ardorosamente defendidos todos esses anos pela companheira-irmã Flora Abreu!

 

À você Flora, nossa admiração, respeito e carinho!

Segundo filho de uma pequena família, da imensa classe média pobre do país, originária do subúrbio carioca de Sulacap, o estudante Igor Mendes da Silva nasceu em 27 de maio de 1988. Filho de Jandyra Guaracy de Lucena Mendes, do lar, e de Valderi Ribeiro da Silva, que desde cedo ajudava o próprio pai, feirante, enquanto frequentava Curso de Mecânico, do Senai, tornou-se sargento da Aeronáutica, aprovado em concurso, e seguiu carreira militar.

O Primeiro Grau, Igor cumpriu ali mesmo perto de casa, na Escola Municipal Campo dos Afonsos. Adolescente, foi cursar o Segundo Grau no Instituto de Educação, na Tijuca, onde despertou a consciência social e política pelos Direitos Humanos. Ali atuou no Grêmio Estudantil e participou das lutas pelo direito ao transporte público e gratuito para todos, à educação de qualidade, somando-se à militância estudantil através do Movimento Estudantil Popular, sua primeira militância política.

Estudioso e sonhador, na primeira tentativa, Igor foi aprovado no vestibular para duas Faculdades, os cursos de Museologia, na UniRio, e Geografia, na UFF. Escolheu o segundo, mas a distância de casa e dificuldades financeiras fizeram-no tentar novo vestibular, no ano seguinte, para o Curso de Geografia da UERJ, onde estuda e onde, não apenas é um aluno aplicado mas destacada liderança entre colegas e professores, sendo dirigente eleito do Diretório Acadêmico.

Preso político do Estado do Rio de Janeiro, a vida deste jovem lutador pode ser assim resumida: Igor Mendes é um jovem militante consciente e engajado na luta política e social de seu país, por dias melhores, por Direito a Liberdade, Trabalho, Igualdade e Justiça Social para todos. Valores que aprendeu e praticar desde a infância e, por praticá-los junto com milhares de pessoas nos protestos populares iniciados em junho de 2013, hoje o fazem prisioneiro.

Como preso, e já escandalosamente condenado!, encontra-se também o jovem Rafael Braga, morador de rua homenageado com a Medalha Chico Mendes, do Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro, no ano passado. Em plena Democracia e pelos mesmos motivos. Mais injustiça, impossível!

A cegueira política do Estado do Rio de Janeiro e, especialmente, do Judiciário, desde a ditadura militar nunca esteve tão insana qual nos dias atuais. O estado do Rio de Janeiro é recordista na prática dos assassinatos praticados por agentes policiais, sob a forma espúria de "autos de resistência". É recordista na falta de alternativas para afastar jovens pobres e negros da marginalidade; singularizando-se por liderar a luta pela redução da idade penal para jovens, através de campanhas da mídia comercial subalterna. E mantém fora dos olhos da sociedade uma das maiores somas da população jovem, negra e pobre encarcerada, do país.

A homenagem a Igor Mendes é, de fato, como ele próprio entende, a soma do Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro ao manifesto de indignação e repúdio da sociedade organizada a este verdadeiro Estado de Exceção mantido desde a ditadura civil/militar de 1964. E agravado pelos assassinatos diários (a farsa dos autos de resistência!), os desaparecimentos forçados (cadê o Amarildo?), a humilhação e a tortura praticados por agentes públicos impunes, abrigado pela omissão, senão a cumplicidade revoltante do aparato Judicial de um Estado Policial incompetentemente mas ativo. Com inúmeras demonstrações de sua capacidade de "justificar" e corromper a Lei para dar satisfações a uns, forçando o silenciamento de muitos.

Pela extinção e o fim imediato do processo criminal político contra os 23 jovens lutadores dos Direitos Humanos, manifestantes dos legítimos protestos nascidos em junho 2013!

 

Pela imediata liberdade de todos os presos políticos da Democracia!

 Pela Vida, Pela Paz! Tortura Nunca Mais!

 

João Gualberto Calatroni (“Zebão”), nascido no Espírito Santo, em 1951, teve grande atuação política no seu estado natal, como estudante secundarista. Era militante do Partido Comunista do Brasil – PC do B. No ano de 1970, foi residir na região do Araguaia, na posse do Chega Com Jeito, próxima a Brejo Grande. Está desaparecido desde 1974 na Guerrilha do Araguaia.

No campo, destacou-se como tropeiro e mateiro. Com seu jeito calado, ouvia mais do que falava, mas sempre tinha uma solução para os problemas difíceis que surgiam. Tinha grande capacidade para improvisações. Foi combatente do Destacamento A – Helenira Resende, das Forças Guerrilheiras.

Foi morto em combate, em 14 de outubro de 1973, juntamente com André Grabois, Antônio Alfredo e Divino Ferreira de Souza, numa emboscada, na roça de Antônio Alfredo Campos, às margens do Rio Fortaleza. Depoimentos de moradores da região dizem haver encontrado, anos depois, uma arcada dentária no local onde provavelmente os três teriam sido enterrados.

No Procedimento Investigatório Criminal nº 1.23.001.000180/2009-14, na Procuradoria da República de Marabá, a fim de apurar a participação dos Coronéis SEBASTIÃO CURIÓ RODRIGUES DE MOURA e LÍCIO AUGUSTO RIBEIRO MACIEL em crimes cometidos durante o regime militar por ocasião do episódio denominado “Guerrilha do Araguaia, consta:

Lício Augusto Ribeiro Maciel, na região de Caçador, município de São Domingos do Araguaia, entre os dias 13/10 e 14/10/19731, deliberadamente e em comunhão de esforços com outros militares (ainda não identificados), em contexto de ataque estatal generalizado/sistemático, e com pleno conhecimento das circunstâncias deste ataque, MATOU, mediante emboscada e por motivo torpe, André Grabois, João Gualberto Calatroni e Antônio Alfredo de Lima. Logo após a execução das vítimas, Lício Augusto Ribeiro Maciel deu causa, por meio de suas ações e omissões, e com o auxílio de militares não identificados e civis/mateiros, à OCULTAÇÃO dos cadáveres das vítimas, não localizados até os dias atuais. O denunciado Sebastião Curió Rodrigues De Moura, após a Guerrilha, entre agosto de 1974 e 1976, em momento posterior e com o auxílio de outros militares (ainda não totalmente identificados), concorreu para a ocultação dos restos mortais das mencionadas vítimas, o que perdura até a presente data.

João Gualberto Calatroni, PRESENTE!

Jorge José Lopes Machado Ramos, mais conhecido como Jorgeh Ramos, nasceu no Rio de Janeiro. Consagrou-se como “a voz mais famosa do cinema”, área na qual se destaca não somente pela competência profissional, mas também pela militância sindical comunista.

Foi, ainda criança, morar em Garanhuns, Pernambuco. Antes de seu retorno ao Rio de Janeiro, passou parte da adolescência e juventude em Recife, onde iniciou sua carreira artística, atuando e dirigindo novelas de TV transmitidas ao vivo.

Jorgeh foi um artista de todas as artes. Atuava, dublava, dirigia, pintava, escrevia, mas a única coisa que não fazia bem era dançar conforme a música. Talvez pelo fato de ter sido filho de um integralista, Jorgeh se tornou um comunista. Iniciou sua militância política no ascenso do movimento operário e popular, pré 64. Após o golpe militar passou a dedicar-se à luta de resistência contra a ditadura.

Entre 1968 e 1980 participa da criação de entidades de trabalhadores como a Associação dos Artistas Plásticos e da Associação dos Atores. Além disso, como membro e diretor do Sindicado dos Radialistas, toma parte em movimentos grevistas contra a indústria de dublagem ao longo dos anos 70. Suas atividades fazem com que, por pressão do regime, tenha que se afastar em 1972 da direção do sindicato dos radialistas, sem, contudo, se distanciar do movimento sindical. Em 1980, fez parte do núcleo de fundadores do Partido dos Trabalhadores, do qual, vinte anos mais tarde, se distancia por meio de uma carta aberta em que expõe seus descontentamentos.

Após sua saída do PT, se aproxima do anarquismo e cria o jornal Patyfarias, em que combinava humor com denúncia social e política. Fundou ainda o Centro Popular de Conspiração Gargarullo, um centro cultural cujo objetivo era estimular o pensamento crítico da sociedade local. Encenou, junto de sua família e amigos, algumas de suas peças e realizou exposições de suas pinturas.

Em 2008, Jorgeh, contraiu uma doença renal e passou a viver sob cuidados médicos. A partir de 2010, dedicou-se de corpo e alma à sua pintura de deboche ao nosso sistema político. Mas foi um câncer de pâncreas que acabou derrotando, em novembro de 2014, aquele que sempre combinou bom humor com a luta por justiça.

Jorgeh foi um homem ético e honrado, tanto quanto fraterno e amoroso. Era admirado por todos que o conheciam e dotado de uma destacada generosidade. Deixou-nos um legado de cinco peças teatrais, seis livros, inúmeras dublagens e trailers para cinema e cerca de quarenta quadros, mas sobretudo nos presenteou com seus ensinamentos de amor. Mas foi um câncer de pâncreas que acabou derrotando, em novembro de 2014, aquele que sempre combinou bom humor com a luta por justiça e esteve presente com sua potente voz a todas Medalhas Chico Mendes, desde a primeira em 1989.

Jorgeh Ramos, PRESENTE!

Jorge Zabalza nasceu em 1943, em Minas, Departamento de Lavalleja, Uruguai. Sua vida militante se inicia na escola secundária no Liceu de Minas, onde presidiu a Associação de Estudantes. Na Universidade, presidiu o Cento de Estudantes do curso de Direito e foi membro da Federação de Estudantes Universitários (FEUU).

Em 1967, viajou para Cuba com a intenção de se juntar aos guerrilheiros liderados por Che na Bolívia. Mas após o treino, ele retornou ao Uruguai para entrar no Movimento de Libertação Nacional Tupamaros (MLN-T) em 1968.

Em 1969 morre seu irmão Ricardo Zabalza, também tupamaro, em uma ação armada realizada pelo grupo no dia 8 de outubro de 1969 no Município de Pando. No ano seguinte é preso pela primeira vez. Após uma sucessão de prisões e fugas, foi preso definitivamente pelas Forças Armadas em 1972. Sob a ditadura civil-militar uruguaia, que foi instaurada em 1973, adquiriu, juntamente com outros colegas, o caráter de "refém". Com a restauração da democracia, foi libertado em 1985.

Integrou o Comitê Central e a Comissão Executiva do MLN-T até 1995. Nesse período, ele atuou como diretor do jornal "Mate Amargo" e "Tupamaros". Diferenças políticas irreconciliáveis o distanciaram da organização na VI Convenção Nacional. Ele foi prefeito pelo Movimento de Participação Popular (MPP), em Montevidéu, entre 1995 e 2000. Também trabalhou como açougueiro no bairro de Santa Catalina, onde mora.

Casado, pai e avô, ele publicou "O medo da democracia" (1986), "A Tejazo e outras insurreições" (1995), "A estaca” (1998) e “Raul Sendic, o Tupamaros. Seu pensamento revolucionário” (2011).

 

 A você, companheiro Zabalza, nosso carinho e homenagens pela coerência revolucionária afirmada em seus 71 anos de vida.

José Celso Martinez Corrêa, nascido em 1937, é um dos principais diretores, atores, dramaturgos e encenadores da história do teatro no Brasil. Tendo iniciado seu trabalho na década de 1950, Zé Celso, como é conhecido, fundou o Oficina em 1958. Sua busca por formas e conteúdos que revolucionassem o comportamento das pessoas, o levou a enfrentar problemas diversos com a censura do Estado Ditatorial Brasileiro.

Preso e torturado em 1974, exilou-se em Portugal, onde formou o grupo Oficina Samba e realizou o documentário O Parto, sobre a Revolução dos Cravos, e o filme Vinte e Cinco, sobre a independência de Moçambique.

Voltou ao Brasil em 1978, mantendo-se na vanguarda do teatro brasileiro e iniciando movimento para manter aberto o Teatro Oficina, tombado em 1982 e reinaugurado em 1993.

Zé Celso construiu um dos mais originais percursos dos palcos brasileiros, sempre recusando o enquadramento e os limites. Recebeu mais de 20 prêmios como ator, diretor e dramaturgo.

É como ele mesmo afirma em sua biografia escrita à pedido do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ:

“era uma vez um papaGaio feito com varetas q comprei d um chinês de barbas brancas

papéis d seda multi coloridos

do Largo dos Ipês d Aracoara subiu

até o mar d nuvens dos céus

y sumiu

y caiu

fui buscar

encontrei molhado das aguas das alturas

deixei no quintal de barro da casa d minha famILHA

no dia seguinte acordei e fui direto á ele

o sol tinha rasgado o corpo de papel dele

mas derepente bateu um vento y levou os pedaços do seu corpo

aos céus d novo

peguei meu violão e cantei

"Vento Forte prum Papagio Subir"

Descobri o avesso do direito

Fazendo Direito na Faculdade de Direito

fui pra uma das maquinas de uma sala de datilografia da Escola de Comércio Noturna d meu Pai Jorge e em 40 minutos escrevi uma peça de começo meio e fim sem fim

era o primeiro ovo q eu botava

a partir daí vi q o Teat(ro) tinha possuído meu corpo

e eu entreguei minha vida há 56 anos á esta Arte do Phoder Humano

sai d Aracoara

fui estudar direito no Largo d São Francisco sem ter vocação pra advogar

se não fosse pro Teatro Paixão Tesão

encontrei colegas perdidos como eu

e nos encontramos conosco mesmo criando o OFICINA

imediatamente surgiu o design da Bigorna

y durante 56 anos

saltamos n'ela Bigorna

malhando nossos corpos

criando uma Outra Anatomía

fora das Caretas dos anos 50

Stanislawiski nos laboratórios d Corpo&Alma

espatifando nossas couraças d "pequenos burgueses"

mudando pra Brecht depois do Golpe d 64

e trazendo o Retorno do Poeta Oswald de Andrade em

" O Rei da Vela"

Através d'Antena Oswald

foi plugada toda talentosa geração dos anos 67

á Antropofagía dos Índios Tupys

ao Retorno e a Presença dos Indios

do Cultos Inventados pelos Escravos Afros q o Economista Celso Furtado dizia ser mais sofisticada q toda Obra de Proust :o Candomblé

á Radio Nacional

ao Carnaval

Os Palcos dos teatros

Telas d Cinema d Glauber e do Cinema Novo

Ritmos Musicais dos Orixás Caetano,Gil, Bethânia, Gal,

As Artes Plásticas Quadros arrancados dos Muros y Vestidos no Corpo Gigante

Gingante d Helio Oiticica

Helio Eich Bauer

na sacralização da Sexualidade por Zé Vicente

y muito mais artistas y gentes

a Cultura Brazylera Descolonizou-se

na revolução Internacional da

Tropicália

como se não bastasse tudo isso

fui refeito corpo y mente

pela juventude q trazia todas as revoluções em a um dos Corpos

tomou d assalto os ensaios de "Roda Viva" de Chico Buarque Menino

y trouxe o CORO q não existia mais nos Teatro desde a Tragédia Grega não o CHORUS'Line da Broadway

mas o CORO de UM TIME DE JOGADORES não só com os pés e as mãos, mas

CORPOALMA TragiCômicosOrgiásticos

Foram sendo Massacrados pelos anos Pós AI 5

duraram até

Gracias

 À você, Zé Celso, as homenagens do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ por sua postura  ético-estético-política na vida!

Parabéns pelos 78 anos feitos ontem!

Juan Carlos Mechoso Mendez nasceu em 1935, no Departamento de Flores, no centro-sul do Uruguai. Sua família de trabalhadores pobres migrou para Montevidéo na década de 40 em busca de trabalho.

Foram morar em La Teja e Cerro, bairros operários, com muitas fábricas e onde estavam os frigoríficos mais importantes do país. As lutas operárias eram uma constante e, no caso dos Frigoríficos, elas envolviam praticamente quase toda a população desses distritos. Com isto, Mechoso viveu desde muito cedo as lutas operárias, ambiente no qual cresceu e onde desenvolveu, junto a seus irmãos, inquietudes que o acompanharam pelo resto da vida.

Aos 14 anos de idade, já trabalhando na indústria da carne, Juan Carlos junta-se ao movimento anarquista, movimento com força e inserção nesses bairros, e participa ativamente na formação da Federação Anarquista Uruguaia (FAU), em 1956, uma organização na qual milita até hoje.

Naquilo que se designa de “ditadura constitucional”, um preâmbulo para a ditadura brutal de 1973-1985, foi questionado pela polícia e "justiça", em 1969, por suas atividades políticas, por pertencer à FAU e ao seu braço armado, a Organização Popular Revolucionária (OPR). Militou quatro anos na clandestinidade e foi preso em março de 1973. Ficou na prisão Libertad por 12 anos. Ele foi levado duas vezes a tortura, junto com companheiro da FAU, na operação de localizar a “Bandeira do 33 Orientais” que a ditadura estava determinada a recuperar. Esta bandeira foi removida do Museu Histórico em 1969 pelo OPR. Até hoje ela não foi recuperada.

Um de seus irmãos, Alberto "Pocho" Mechoso, lutador, anarquista, foi sequestrado na Argentina e figura entre os desaparecidos até há pouco tempo. Assassinado pela ditadura no âmbito do Plano Condor, o corpo de Alberto foi encontrado em um rio em um barril cheio de cimento.

Participou e participa de atividades sociais, sindicais e políticas. Hoje, com quase 80 anos, continua a lutar, dentro das suas possibilidades, na perspectiva de um mundo socialista e libertário.

 Ao companheiro Mechoso, as homenagens do Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro, por sua coerência revolucionária em seus 80 anos de vida.

Lucia Maria de Souza nasceu em 22 de junho de 1944, em São Gonçalo – Rio de Janeiro, filha de José Augusto de Souza e Jovina Ferreira. Era militante do Partido Comunista do Brasil – PC do B. É desaparecida na Guerrilha do Araguaia em outubro de 1973.

Jovem de origem pobre, com grandes dificuldades conseguiu ingressar na Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro. Participava ativamente no movimento estudantil e era responsável, junto com Jana Moroni, também desaparecida, pela impressão e distribuição do jornal A Classe Operária, nos anos de 1969 a 1970. Cursava o 4° ano de Medicina e era estagiária no Hospital Pedro Ernesto, quando abandonou a cidade para ir viver na região do Araguaia, próximo à localidade de Brejo Grande.

Lucia destacou-se como parteira, sendo por isto muito estimada. Muito carinhosa e dedicada, rapidamente conquistou a amizade dos companheiros e moradores. Esforçou-se bastante para se adaptar à região, chegando a superar muitos companheiros homens no trabalho pesado, de derrubada da mata, no uso do facão e na capacidade de transportar grandes pesos.

Sua vontade de aprender sempre mais, a levava a estudar até tarde da noite, sob a luz de lampião, tanto os compêndios de medicina como os livros do marxismo. Era grande apreciadora de música clássica.

Era membro do Destacamento A – Helenira Resende. Em combate, foi ferida e presa, sendo morta em 24 de outubro de 1973. Segundo o Relatório do Ministério do Exército, Lúcia foi morta no dia 24/10/73 em confronto com as forças de segurança ocorrido entre Xambioá/GO e Marabá/PA.

Em entrevista à Revista Isto É, de 4 de setembro de 1985, o major Curió diz que a mesma foi ferida, caiu e sacou de um revólver escondido na bota, ferindo-o no braço e a um capitão do CIE, no rosto, em seguida foi metralhada pelos outros militares. Na versão de Lício Augusto Maciel o tiro da Lucia foi para ele.

Participou e participa de atividades sociais, sindicais e políticas. Hoje, com quase 80 anos, continua a lutar, dentro das suas possibilidades, na perspectiva de um mundo socialista e libertário.

Lucia Maria de Souza PRESENTE!

Ana Paula Gomes de Oliveira, de 37 anos, e Fátima dos Santos Pinho de Menezes, 41 anos, são dois exemplos de mulheres de luta. Moradoras da favela de Manguinhos, ambas tiveram um de seus filhos executados sumariamente por agentes da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) local.

O filho de Ana Paula, Johnatha de Oliveira Lima, estava com 18 anos. Tinha ido até a casa da sua avó para deixar um pavê feito por sua mãe e depois foi levar a namorada em casa. Na volta, foi morto com um tiro nas costas. Em pleno horário de saída das escolas, os policiais efetuaram disparos de arma de fogo na direção dos moradores, numa região onde havia muitas crianças brincando. Johnatha foi assassinado no dia 14 de maio de 2014, correndo, de costas, em meio a vários moradores, sem nenhuma condição de defesa.

O filho de Fátima, Paulo Roberto Pinho de Menezes, também tinha 18 anos. Após dias sendo perseguido e intimidado por policiais da UPP de Manguinhos, foi espancado até a morte e depois asfixiado por cinco desses policiais no dia 17 de outubro de 2013. Durante e após o episódio, familiares de Paulo Roberto, incluindo irmãos mais novos, sofreram ameaças dos agentes da UPP, sendo abordados mais de uma vez por dia, assim como tem ocorrido com diversos outros moradores lá em Manguinhos.

Ana Paula e Fátima transformaram a dor do luto pela morte dos filhos em uma luta diária por justiça, por dignidade, por sobrevivência. Ambas passaram a integrar o Fórum Social de Manguinhos e participam ativamente das atividades de denúncia do genocídio do povo negro, em especial a juventude. Sempre presentes em oficinas, marchas e atos públicos com seus relatos, suas lágrimas e toda a sua força.

Organizaram elas mesmas uma manifestação em Manguinhos para lembrar a morte dos filhos e dos outros três moradores que perderam suas vidas após a instalação da UPP naquela favela. Articulam-se aos outros movimentos formados por familiares de vítimas, contam suas histórias paras outras mães e escutam os conselhos das outras mulheres negras e moradoras de favelas que também tiveram seus filhos executados por policiais e começaram a trilhar a longa peregrinação pelas instituições, reivindicando a responsabilização do Estado pelas violações de direitos humanos cometidas nas favelas e periferias de todo o Brasil.

Ana Paula e Fátima resistem, firmes, de cabeça erguida. E que assim sigam, fortalecidas pelas suas companheiras de luta e as fortalecendo também.

 

Esta homenagem é mais que merecida!

Horácio Cintra de Magalhães Macedo nasceu no Rio de Janeiro em 14 de outubro de 1925. Formou-se em Química Industrial pela Universidade do Brasil (hoje UFRJ) em dezembro de 1943, época em que começou sua militância política. Em 1944, chegou a se apresentar na Força Expedicionária Brasileira (FEB) para lutar contra o nazi-fascismo, mas foi recusado devido à pouca idade. Participou ativamente da campanha “O Petróleo é Nosso” e, em 1950, entrou para o PCB – Partido Comunista Brasileiro, partido a que pertenceu até a morte. Deu aulas de Matemática no Instituto Oswaldo Cruz, do qual foi demitido por motivos políticos em 1953. Neste mesmo ano, foi nomeado professor de Físico-Química da Escola Nacional de Química (UFRJ). Na década de 1960, foi professor associado do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e regente da cadeira de Física Geral e Experimental da Faculdade Nacional de Filosofia, onde se envolveu nas lutas pela reforma do ensino e, após o golpe de 1964, respondeu a Inquérito Policial Militar. A repressão também o perseguiu por causa de sua atuação na Missão Científica Brasileira do Leste Europeu, criada pelo governo de João Goulart para permutar café brasileiro por material didático e científico dos países socialistas. Em 1966, foi Professor Titular dos cursos de Engenharia Química e Química Industrial da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, de onde saiu por divergências ideológicas com o então Reitor, deixando os cursos estruturados. Em 1974 e 1975, foi regente do Curso de Processamento Petroquímico da PETROBRAS. Mas foi na UFRJ que Horácio Macedo teve destaque especial. Por concurso público, foi Livre-Docente e professor Adjunto do Instituto de Química. Assumiu a Decania do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza, e, em 1985, tornou-se o primeiro Reitor brasileiro eleito pela comunidade universitária. Seu mandato de 4 anos caracterizou-se por um dinamismo explosivo: tirou a universidade do “vestibular das cruzinhas” da ditadura, aprimorou a graduação e a pós-graduação, criou atividades de extensão que envolveram as comunidades vizinhas, ampliou os programas de saúde do Hospital Universitário, abriu concursos de docentes em várias áreas, regularizou a situação trabalhista de funcionários, corrigiu o enquadramento de professores anistiados, aumentou as vagas discentes e criou cursos novos. Promoveu a valorização das ciências humanas e das artes, áreas duramente atingidas pela ditadura, lutou bravamente pela autonomia da Universidade e pela educação pública de qualidade. Enfrentou a censura do regime ao permitir a exibição, na universidade, do filme “Je Vous Salue Marie”, então proibido. Reeleito, também por maioria absoluta e em primeiro turno em 1989, não pôde exercer o mandato por parecer jurídico que impedia a reeleição. Após a queda da ditadura, a Universidade o homenageou com o título de Professor Emérito. Segundo o Partido Comunista Brasileiro, “No início dos nos 1990, quando a maioria da direção do PCB propôs a extinção do partido, em função da queda da URSS, Horácio foi um dos principais articuladores do Movimento de Defesa do PCB, composto pela maioria da militância e por muitos simpatizantes e amigos. A batalha vitoriosa contra os liquidacionistas assegurou a continuidade do PCB, que iniciava ali o processo de reconstrução revolucionária, sob a liderança de Horácio, então eleito presidente nacional do Partido, cargo que exerceu entre 1992 e 1994”. Horácio Macedo morreu de infarto agudo do miocárdio em 24 de fevereiro de 1999, no Rio de Janeiro.

Professor Horácio Macedo, PRESENTE!

A ONG Repórter Brasil foi fundada em 2001, por jornalistas, cientistas sociais e educadores com o objetivo de fomentar a reflexão e ação sobre a violação aos direitos trabalhistas e socioambientais no Brasil.

Devido ao seu trabalho, tornou-se a mais importante fonte de informação sobre trabalho escravo no país. Suas reportagens, investigações jornalísticas, pesquisas e metodologias educacionais têm sido usadas por lideranças do poder público, do setor empresarial e da sociedade civil como instrumentos para combater a escravidão contemporânea e o tráfico de seres humanos, um problema que afeta milhares de brasileiros.

Graças à sua ajuda, o país estruturou o combate à escravidão na agropecuária, no extrativismo, no setor têxtil e da construção civil. Mais de 400 empresas, representando 30% do PIB, passaram a adotar políticas para evitar negócios com quem se utiliza dessa prática. Uma série de leis e medidas foram criadas e implantadas para punir os envolvidos e prevenir o crime. E dezenas de milhares de crianças e jovens foram educados para saber evitar essa situação.

Por conta de sua atuação, a Repórter Brasil é alvo de ataques de grupos que não desejam ver esse crime erradicado no país.

Em 2014, logo após a Repórter Brasil desempenhar um papel fundamental na aprovação da emenda constitucional que prevê o confisco de propriedades em que trabalho escravo for encontrado, de atuar contra a fragilização das leis de combate a esse crime e de lutar pelo direito da população em conhecer o nome dos empresários flagrados com escravos, mais uma campanha difamatória foi montada. Além das ameaças contra o seu coordenador, Leonardo Sakamoto.

O Grupo Tortura Nunca Mais/RJ homenageia a Repórter Brasil, pelos grandes serviços que presta aos direitos humanos!
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