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Dossiês | argentina

Dossiês de Mortos e Desaparecidos Políticos

Triste memória a de um povo que tem que lembrar dos que morreram ou desapareceram sob o jugo de torturadores não confessos, não publicizados, não responsabilizados!

 

Cecília Coimbra e Flora Abreu consultando dossiês no Arquivo Público do Rio de Janeiro

 

> Desaparecidos Argentina

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Desaparecido desde 1976, quando tinha 35 anos.

Músico que excursionava por Buenos Aires, acompanhando o violonista Toquinho e o poeta Vinícius de Moraes.

Tenorinho, como era conhecido, foi detido na noite de 18 de março de 1976, logo após ter deixado o Hotel Normandie para procurar uma farmácia em busca de medicamentos. Foi tragado pela rede clandestina da repressão oficial sem deixar pistas.

Vinícius de Moraes, Toquinho e mais alguns amigos, como o poeta Ferreira Gullar (exilado em Buenos Aires) mobilizaram-se inutilmente. Procuraram em hospitais e delegacias e buscaram ajuda na embaixada brasileira.

O governo brasileiro, em 1976, informou que nada sabia e o Itamaraty anunciou que “envidava esforços” para localizar o pianista desaparecido.

Em 1986, o ex-torturador argentino Claudio Vallejos, que integrava o Serviço de Informação Naval, em entrevista à revista Senhor (n° 270) menciona o destino de diversos brasileiros nas mãos da ditadura argentina: Sidney Fix Marques dos Santos, Luiz Renato do Lago Faria, Maria Regina Marcondes Pinto de Espinosa, Norma Espíndola, Roberto Rascardo Rodrigues e Francisco Tenório Jr. Em documentos apresentados por Vallejos diz-se:

“Do dia 20 de março de 1976 – quando o Capitão Acosta solicita ao Contra-Almirante Chamorro autorização ‘para estabelecer contato com o agente de ligação, código de guerra 003, letra C, do SNI do Brasil’, para que informasse a central do SNI no Brasil que o grupo de tarefa chefiado por Acosta estava ‘interessado na colaboração para a identificação e informações sobre a pessoa do detido brasileiro Francisco Tenório Jr.’”

Outro documento, em ofício assinado por Acosta é dirigido ao embaixador, em nome do “Chefe da Armada Argentina”, e datado de 25 de março de 1976, quando a embaixada brasileira era comunicada sobre o seguinte:

“1) Lamentamos informar a essa representação diplomática o falecimento do cidadão brasileiro Francisco Tenório Júnior, Passaporte n° 197803, de 35 anos, músico de profissão, residente na cidade do Rio de Janeiro;

“2) O mesmo encontrava-se detido à disposição do Poder Executivo Nacional, o que foi oportunamente informado a esta Embaixada;

“3) O cadáver encontra-se à disposição da embaixada na morgue judicial da cidade de Buenos Aires, onde foi remetido para a devida autópsia.”

Mesmo a embaixada brasileira tendo sido comunicada do assassinato de Tenorinho, no mesmo mês de março de 1976, o governo brasileiro jamais tomou a iniciativa de se comunicar com os familiares do músico, que não receberam sequer seus restos mortais.

- Tenorinho, afinal, homenageado

Luiz Orlando Carneiro – Jornal do Brasil – 20/05/04

Osvaldinho de Oliveira Castro, baterista amador da maior competência, habitué do Beco das Garrafas na década de 60, vive hoje em Friburgo, mas continua um jazzófilo entusiasmado. No recente Chivas Festival, na Marina da Glória, presentou o “”canonizado”" saxofonista Bud Shank com uma foto, tirada em fevereiro de 1963, no Festival de Jazz de Mar del Plata. Shank, então com 36 anos, aparece em primeiro plano, tocando flauta. A seu lado, o trombonista Edson Machado e, bem ao fundo, o baterista Osvaldinho. Em terceiro plano, ao piano, de óculos escuros, Tenório Júnior, o Tenorinho, 22 anos na época, acompanha o solo de Bud Shank.

Em 18 de março de 1976, quando estava em Buenos Aires, em excursão profissional com Vinicius de Moraes e Toquinho, Tenorinho saiu do Hotel Normandie para ir à farmácia e foi detido por agentes da ditadura militar argentina. O pianista não era ativista político, nem era “”fichado”" no SNI ou em qualquer outro órgão de repressão da ditadura militar brasileira – naqueles tempos, os serviços secretos das Forças Armadas dos dois países trocavam informações e presos políticos.

Uma semana depois, a chefia da Armada argentina comunicava à Embaixada do Brasil em Buenos Aires: “”Lamentamos informar (…) o falecimento do cidadão brasileiro Francisco Tenório Júnior, passaporte nº 197803, de 35 anos, músico de profissão, residente na cidade do Rio de Janeiro. O mesmo encontrava-se detido à disposição do Poder Exec

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Militante do PARTIDO OPERARIO COMUNISTA (POC).

Desaparecido desde 1976.

Viajou para o Chile em 1971, ingressando no curso de História da Universidade do Chile. Com o golpe que derrubou Salvador Allende, mudou-se para a Argentina.

Preso no dia 15 de abril de 1976, em um hotel do centro de Buenos Aires, está desaparecido até hoje.

A Comissão de Representação Externa para os Mortos e Desaparecidos Políticos da Câmara Federal, quando esteve em Buenos Aires, em junho de 93, recebeu informações de que Jorge teria sido visto na Penitenciária de Rawson.

No Relatório do Ministério da Marinha, encontra-se sobre Jorge a seguinte informação: “… preso em um hotel no Centro de Buenos Aires… (DOU n° 60 de 28/03/81 – DOU/SP)”.

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Residia na Argentina desde 1973.

Estudante do 6° ano da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Buenos Aires. Desaparecido desde 7 de fevereiro de 1980.

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Nasceu em Cruzeiro, São Paulo, em 17 de julho de 1946, filha de Benedito Rodrigues Pinto e Iracy Ivette Marcondes Pinto.

Desaparecida desde 1976, aos 29 anos de idade.

No Relatório do Ministério da Marinha consta que Maria Regina “desapareceu após ser seqüestrada… (DOU n° 60 de 28/03/81 – DOU/SP)”.

Já o Relatório do Exército, é mais preciso e afirma: “em 08 de abril de 1976, foi presa na Argentina.”

Em fins de 1969 ou início de 1970 saiu do Brasil, com documentação legal e foi para Paris, onde já se encontrava o seu companheiro Emir Sader, professor da Faculdade de Ciências Sociais da USP, que tivera problemas com a Justiça Militar no Brasil.

Em Paris permaneceu por cerca de seis meses, indo ambos para Santiago, no Chile, onde ligou-se ao Movimiento de Isquierda Revolucionario (MIR).

Durante o tempo que residiu e estudou em Santiago, veio 3 ou 4 vezes a São Paulo para visitar os familiares.

Após a queda do Presidente Salvador Allende esteve presa no Estádio Nacional. Conseguindo sair, veio para o Brasil, onde permaneceu cerca de seis meses.

Foi para Buenos Aires, onde passou a residir em companhia de Emir e estudar.

Em 10 de abril de 1976, em Buenos Aires, Maria Regina foi encontrar-se com Edgardo Enriquez, médico, filho do ministro da Educação do Governo Allende (já deposto) e ligado ao MIR (Movimiento de Izquierda Revolucionário). Nunca mais foram vistos. De Edgardo, chegou, tempos depois, a notícia de que um preso político chileno ouvira sua voz num presídio do Chile, gritando: “Sou Edgardo Enriquez e eles vão me matar”.

Houve comentários de que foi presa e teria sido vista num presídio de mulheres. Seu companheiro havia saído dias antes para Paris.

Foi noticiado por jornais europeus que Regina fora presa pelo governo argentino, sendo posteriormente entregue à polícia chilena.

Em maio de 1976, o Comitê Francês de Apoio à Luta do Povo Argentino denunciou que a Junta Militar argentina havia detido Edgardo e Maria Regina e encaminhado ambos às autoridades chilenas do governo de Pinochet.

Mais tarde chegou outra informação que dava conta que Maria Regina fora levada, já sofrendo perturbações de ordem psiquiátrica, da Argentina para Santiago, por uma pessoa de nome Eduardo Allende.

Ainda outra informação que chegou, posteriormente confirmada por outras fontes, dizia que Maria Regina estaria internada em uma clínica psiquiátrica de Santiago, situada em um prédio de três pavimentos na Calle Victorya, n° 293, mas aí também não foi encontrada.

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Estudante do 2° ano de Engenharia da Universidade Federal de Buenos Aires.

Seqüestrado em fevereiro de 1977, em Buenos Aires, quando seis pessoas trajadas com uniformes da Marinha argentina invadiram sua casa, desaparecendo com Roberto.

A Comissão de Representação Externa para os Mortos e Desaparecidos Políticos da Câmara Federal, quando esteve em Buenos Aires, em junho/93, recebeu informações de que Roberto teria estado preso em um clube em Buenos Aires.

No Relatório do Ministério da Marinha há o nome de Roberto com a seguinte nota: “Fev/77,… seqüestrado por seis elementos em Buenos Aires… (DOU n° 60 de 29/03/81)”.

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Dirigente do PARTIDO OPERÁRIO REVOLUCIONÁRIO

TROTSKISTA (PORT).

Nasceu em 20 de janeiro de 1940, em São Paulo.

Desaparecido desde 1976, na Argentina, aos 36 anos.

Abandonou o Curso de Geologia da Universidade de São Paulo para se dedicar à militância política, sendo o editor responsável pelo jornal “Frente Operária”, órgão do PORT (Partido Operário Revolucionário Trotskista).

Entrou na clandestinidade desde o golpe militar de 1964 e, em 1972, exilou-se na Argentina, onde trabalhava como programador da IBM.

Seqüestrado em Buenos Aires, às 21:30 h do dia 15 de fevereiro de 1976, quando agentes da Superintendência de Segurança Federal invadiram sua casa. Desde então está desaparecido.

Quando de seu desaparecimento, a família realizou vários esforços junto aos governos argentino e brasileiro, à Organização dos Estados Americanos, Organização das Nações Unidas e até ao Congresso Americano, sem qualquer resultado.

O Relatório do Ministério da Marinha diz que “… teve sua casa invadida por Agentes da Superintendência de Segurança Federal na Argentina (DOU n° 60 de 29/03/81 – DOU/SP)”.

Conforme depoimento de sua irmã, Leda Marques dos Santos, no dia 12 de maio de 1992, na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo à Comissão de Representação Externa para o esclarecimento dos mortos e desaparecidos políticos da Câmara Federal, não foi localizado seu corpo, nem foi fornecido atestado de óbito pelo governo argentino.

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Desaparecido em Buenos Aires em 9 de agosto de 1976.

De acordo com uma carta entregue à Comissão de Representação Externa para o esclarecimento dos mortos e desaparecidos, por um funcionário do CELS, um centro ecumênico que busca desaparecidos políticos na Argentina, durante a ditadura militar (1976 a 1983), Walter teria sido visto em novembro e dezembro de 1976, pouco depois de seu seqüestro, na Brigada Guemes, prisão localizada na periferia de Buenos Aires, por Lélio Lopez.

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