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ONG teme que Polícia Pacificadora do Rio de Janeiro seja apenas publicidade
 


Rio de Janeiro - Apontadas como o grande trunfo da segurança pública pelas autoridades do Rio de Janeiro, as unidades de Polícia Pacificadora (UPP) são vistas com desconfiança pelo último relatório da organização não governamental (ONG) Anistia Internacional, divulgado neste mês. Segundo Tim Cahill, representante da entidade de direitos humanos, há um receio de que esse seja apenas um projeto isolado “de publicidade”, que não leve a uma reforma mais profunda e completa da segurança pública no estado.

De acordo com o relatório da Anistia Internacional, ao mesmo tempo em que o governo fluminense instala unidades de Policiamento Comunitário (UPP) em algumas favelas, a polícia do Rio continua cometendo arbitrariedades e violência em outras áreas do estado. O documento diz que, até mesmo dentro das áreas ocupadas por UPP, moradores têm reclamado de discriminação por parte dos policiais.

“Tememos que seja uma questão isolada para fazer uma publicidade enquanto uma política mais pragmática e mais tradicional de repressão, discriminação e abuso de direitos humanos continua sendo utilizada, de uma forma geral. É isso que temos visto em várias operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro, que resultam em mortes”, disse.

Como exemplo da violência policial, Cahill citou o recente caso em que um homem de 47 anos foi morto dentro de sua casa, por um policial militar, durante uma operação no Morro do Andaraí, na zona norte da cidade. O policial teria confundido uma furadeira elétrica que estava nas mãos da vítima, com uma submetralhadora.

O relatório cita que, entre janeiro de 1998 e setembro de 2009, mais de 10 mil pessoas foram mortas pela polícia, em episódios registrados como “autos de resistência” (forma como a polícia registra a morte de suspeitos em confronto com policiais).

O estado de São Paulo também foi criticado pelo relatório da Anistia Internacional por causa do aumento do número de mortes provocadas pela polícia entre 2008 e 2009 e devido a supostas arbitrariedades cometidas durante as chamadas “Operações Saturação”.

A Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro informou que só vai comentar o relatório depois que ele for entregue oficialmente ao secretário José Mariano Beltrame. Já a Secretaria de Segurança de São Paulo informou que não foi registrada qualquer arbitrariedade nas Operações Saturação, que consistem na ocupação policial temporária de um território para que posteriormente sejam feitas intervenções sociais na área.
Vitor Abdala
Repórter da Agência Brasil


Publicado em: 26/05/2010

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