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Mortos e Desaparecidos > Antônio Carlos Bicalho Lana
 
Antônio Carlos Bicalho Lana
 


Dirigente da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN).

Nasceu em Ouro Preto, no dia 2 de março de 1948, filho de Adolfo Bicalho Lana e Adalgisa Gomes de Lana em uma família de muitos filhos.

Fez o curso primário no Grupo Escolar D. Pedro II e o ginasial na Escola Municipal Marília de Dirceu, em Ouro Preto, onde começou o científico que não foi concluído.

Passou a atuar no movimento estudantil na década de 60, participando em Ouro Preto de um grupo de militantes formado por estudantes secundaristas, universitários e operários. Filiado à Corrente, transferiu-se para Belo Horizonte, onde morou de 1969 a 1970 e, mais tarde, passou a militar na ALN, da qual foi um dos seus dirigentes. Também conhecido como Cristiano, Cal e Mateus, Antônio Carlos dedicou-se inteiramente à luta armada.

No início de 1969, diante das prisões, torturas e assassinatos de seus companheiros, Antônio Carlos percebeu a dureza do combate em que se engajara. Firme em suas convicções, deslocou-se para o Rio de Janeiro e, mais tarde para São Paulo, por meio da ALN, cumprindo na clandestinidade várias tarefas importantes dentro da organização e em vários pontos do país. No dia 14 de junho de 1972 escapou ferido com 3 tiros de um massacre feito pelo DOI-CODI/SP, quando morreram Iuri Xavier Pereira, Marcos Nonato da Fonseca e Ana Maria Nacinovic Correia.

Foi preso em novembro de 1973, no Posto Rodoviário, no Canal 1, em Santos, junto com sua companheira Sônia Maria Moraes Angel Jones. Na hora da prisão, Antônio Carlos foi agredido por vários policiais tendo recebido uma coronhada de fuzil na boca.

A versão oficial divulgada pelos órgãos de segurança, no dia 30, dava a informação de que Antônio Carlos e Sônia haviam morrido em conseqüência de um tiroteio em Santo Amaro, São Paulo. Testemunhas da prisão de Antônio Carlos e Sônia atestam que os dois foram presos, em Santos, com vida, em meio à grande pancadaria para detê-los.

Conforme depoimento de Marival Dias Chaves do Canto, do DOI-CODI/SP, à revista “Veja” de 18 de novembro de 1992, Antônio Carlos e Sônia foram levados a um centro clandestino da repressão, localizado num sítio na zona sul de São Paulo, onde foram torturados e assassinados com tiros no tórax, cabeça e ouvido. Depois, seus corpos foram colocados no porta-malas de um carro e levados até o bairro de Santo Amaro, em São Paulo, onde foi encenada a farsa de um tiroteio para simular as mortes.

O corpo mutilado de Antônio Carlos foi autopsiado pelos legistas Harry Shibata e Paulo Augusto de Queiroz Rocha, que descreveram as trajetórias das balas, sem nada falar sobre os sinais evidentes de torturas, como comprovam as fotos encontradas no DOPS/S, confirmando a versão oficial. Shibata confessou que registrou em seu exame técnicas de necrópsia apenas por uma questão de praxe, sem ter realizado de fato a operação. Esse depoimento consta dos anais da CPI da Câmara Municipal de São Paulo, sobre a Vala de Perus.

Para os Relatórios dos Ministérios da Marinha e da Aeronáutica permanece a versão falsa de que morreu após tiroteio com órgãos de segurança. O relatório do Exército sequer se refere a seu nome, apesar de terem sido os seus organismos responsáveis por sua prisão, tortura e morte.

Seus restos mortais foram exumados em 1990, com o apoio do governo municipal de Luiza Erundina, identificados pela UNICAMP e trasladados para Ouro Preto, em 16 de agosto de 1991.



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